É aceitável que os cristãos vivenciem o lamento?
fevereiro 27, 2026
É aceitável que os cristãos vivenciem o lamento?
fevereiro 27, 2026

Como guiar nossos filhos através de dificuldades e provações?

Ver nossos filhos sofrerem em meio a dificuldades pode ser muito difícil. Até mesmo pais bem preparados para lidar com seus problemas, muitas vezes se sentem impotentes quando é o filho que está sofrendo. Como podemos guiar nossos filhos através da adversidade de uma maneira saudável e que honre a Deus? Quando nossos filhos enfrentam aflições, aqui estão três maneiras de apoiá-los.

Proporcionar uma presença fiel

Como pais e cuidadores, quando vemos nossos filhos sofrendo, nosso impulso é agir de imediato no modo de ação. Às vezes, uma intervenção urgente é a coisa certa e necessária a se fazer. Mas, com frequência, as crianças que estão enfrentando dificuldades precisam mais da nossa presença fiel do que das nossas habilidades de resolver problemas. Sabemos por experiência própria que, em tempos de turbulência, às vezes simplesmente queremos ser consolados pela presença de alguém amado, que permanece conosco com paciência em vez de se apressar para resolver nossos problemas, e com quem nos sentimos seguros. Nossos filhos também anseiam por esse tipo de refúgio, e um dos maiores privilégios de ser pai ou mãe é que podemos refletir esse aspecto do bom caráter de Deus em nossos lares.

Se criar filhos pode ser comparado a pastorear, esta parte do nosso papel é aquela em que o pastor passa a conhecer tão bem suas ovelhas que sua mera presença é um conforto para o rebanho. Da mesma forma, há uma maneira de manifestar a paz de Deus e direcionar nossos filhos a Ele como nossa rocha e refúgio supremo (Sl 18:2). Quando a crise invade a vida de nossos filhos, temos a oportunidade de estar presentes para eles de uma forma que transmite uma tranquilizadora segurança em meio à sua aflição. Antes mesmo de levantarmos um dedo para ajudar a resolver a crise em questão, nossa presença e conduta podem mostrar aos nossos filhos que estamos com eles e por eles e, ainda melhor, que Deus também está. Em tempos de necessidade, podemos lembrar aos nossos filhos de que o Senhor está perto de todos os que o invocam (Sl 145:18).

Pratique o pastoreio com sabedoria

Um benefício adicional de praticar o hábito da presença fiel na vida de nossos filhos é que isso nos ajuda a saber como intervir quando o momento é oportuno. Quanto melhor um pastor conhece suas ovelhas, melhor preparado está para cuidar delas. Essa sabedoria no trato com os outros será fundamental para ajudar seus filhos a lidarem com as dificuldades da vida.

Em sua carta aos Filipenses, Paulo nos oferece uma visão do equilíbrio entre uma presença calmante e um cuidado atento e consciente. Ele semeia paz com um lembrete de que “perto está o Senhor. [Portanto] não andeis ansiosos de coisa alguma”, ao mesmo tempo em que elogia como os filipenses cuidaram dele: “Fizestes bem, associando-vos na minha tribulação” (Fp 4:5-6, 14). Para Paulo e os filipenses, a paz que compartilhavam criou as condições para atos oportunos de bondade e compaixão.

Um pastor sábio sabe quando é hora de a presença fiel se transformar em ajuda ativa. Às vezes, isso significa ser uma barreira de proteção enquanto ainda damos aos nossos filhos o espaço para enfrentar desafios por conta própria; outras vezes, significa intervir para oferecer apoio prático. Seja qual for a situação, quando nossos filhos estão sobrecarregados com problemas e provações, podemos procurar maneiras de apoiá-los e compartilhar seu fardo (Gl 6:2). Isso também requer sabedoria, pois cada situação e cada criança são diferentes. Não existe um manual único que sirva para todos, por isso precisamos da sabedoria divina para atender cada filho de acordo com suas circunstâncias. Enquanto avaliamos a intensidade da prova e a capacidade de cada criança para enfrentá-la, a sabedoria significa adaptar nossa abordagem à situação.

Aponte-os para horizontes esperançosos

Seja qual for a provação, e por mais que possamos estar apoiando nossos filhos de maneira cuidadosa, há um perigo potencial de cair na miopia. Ao acompanhar nossos filhos por situações difíceis, é possível nos envolver tanto com o problema em si que esquecemos de olhar para o nosso Libertador. Poucos de nós fazem isso intencionalmente; na maioria das vezes, é que nossos fardos se tornam tão pesados — sobretudo quando nossos filhos são afetados — que tudo o que podemos fazer é tentar recuperar o fôlego. Quando estamos no modo de sobrevivência, focamos nas circunstâncias ao nosso redor e perdemos de vista o panorama geral. Nossos filhos podem ter essa mesma reação durante tempos difíceis, o que significa que temos a oportunidade de lembrá-los de onde se encontra nossa verdadeira esperança. Assim como o pastor guia seu rebanho em direção a pastos seguros, nós, que somos chamados a caminhar com as crianças pelo vale das sombras, temos o privilégio de direcionar seus olhos para o horizonte, para a esperança que temos em Cristo. Não importa quão sombrios possam ser seus arredores, podemos ajudá-los a olhar para Jesus, a luz do mundo (Jo 8:12), cujo caminho justo “vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4:18). Que paz experimentamos quando ajudamos nossos filhos a olhar além da escuridão, para cima e além do vale, em direção à esperança inabalável que temos na maravilhosa luz de Jesus.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Scott James
Scott James
O Dr. Scott James é médico de doenças infecciosas e pastor na The Church at Brook Hills em Birmingham, Alabama. Ele é autor de vários livros para crianças e famílias, entre eles God Cares for Me: Helping Children Trust God When They’re Sick [Deus cuida de mim: como ajudar as crianças a confiarem em Deus quando estão doentes].