
Quando sinto que estou estagnado
outubro 14, 2026Mediocridade excepcional
No meu livro Em busca de significado, explorei o desejo comumente encontrado entre nós de encontrar alguma base para dignidade, para valor, para importância em nossas vidas. Escrevi naquela época: “O homem moderno tem um vazio doloroso. O vazio que sentimos não pode ser aliviado com um carro novo, um emprego melhor, uma casa maior. Só pode ser preenchido ao entender que cada vida humana é importante. Nossas vidas não podem ser reduzidas à falta de sentido.”
A busca moderna por significado e dignidade humana é frequentemente motivada pela aura esmagadora de desespero que penetra a visão de mundo cultural em que vivemos. Somos várias vezes informados de que somos acidentes cósmicos que surgiram fortuitamente do lodo. Nossas origens são sem sentido e nosso destino é a aniquilação. No entanto, no meio desses dois polos de desespero, a busca por importância e dignidade é com frequência acompanhada por um senso de urgência.
Nesta edição da Tabletalk, estamos explorando a busca pela excelência, que em muitos casos está inseparavelmente relacionada à nossa aspiração fundamental por importância. Podem existir diferentes e, por vezes, conflitantes motivos para a busca pela excelência. Essa busca pode ser baseada simplesmente no desejo de se sobressair em algo em que estamos envolvidos. Por um lado, o motivo para esse tipo de excelência pode ser o de domínio competitivo. Historicamente, definimos nossa humanidade através do termo Homo sapiens. Friedrich Nietzsche, o filósofo niilista do século XIX, argumentou que o que mais define a existência humana não é nossa sabedoria (sapiens), mas nossa vontade de poder, nossa vontade de conquistar. A ânsia por poder que impulsiona tiranos e ditadores é algo que caracteristicamente vemos como mal, porém Nietzsche a considerava uma virtude. Para ele, o super-homem (übermensch) é aquele que, acima de tudo, é um conquistador. Ele é aquele que permite que sua inerente vontade de poder não apenas permaneça sem controle, mas seja alimentada de forma ávida por todos os meios disponíveis. No mundo em que vivemos, a vontade de poder costuma ser vista como um desejo de subir na hierarquia corporativa, de alcançar o ápice da autoridade e do poder, para que possamos dominar outras pessoas. Nesse sentido, o desejo competitivo de dominação pelo qual podemos exercer soberania sobre pessoas mais fracas é uma manifestação, não da humanidade inerente, mas da queda humana inerente. É uma manifestação das profundezas da corrupção que espreita no coração de cada um de nós.
Por outro lado, um forte desejo de se destacar pode ser motivado por uma tentativa de alcançar metas de realização. A aspiração à significância que é inerente a todo ser humano não é, em si mesma, um desejo pecaminoso. Recebemos a aspiração à significância, acredito, pelo nosso Criador. Como Suas criaturas, feitas à Sua imagem, sabemos que a dignidade que possuímos não é intrínseca, mas extrínseca. Ou seja, é uma dignidade atribuída a nós por Deus. Temos valor e importância, pois Deus nos declara valiosos. É Deus quem nos chama a trabalhar no mais alto nível de excelência e realização de que somos capazes. É por Sua mão que recebemos dons para usar neste mundo. O exercício fiel desses dons é o que deve impulsionar nosso desejo de se destacar. Em si mesma, a aspiração à significância não é algo ruim, mas, de fato, tais desejos dignos que batem no coração humano podem sair do controle. A aspiração à significância, se não for controlada por uma ética divina, pode com facilidade se transformar na vontade de poder nietzschiana.
O motivo legítimo para a excelência é buscar a realização com o objetivo de glorificar a Deus. Esse é o principal propósito para o qual fomos criados: testemunhar Sua glória. Uma coisa que não testemunha a glória de Deus é o vício humano na mediocridade, uma satisfação presunçosa com o status quo. Pelo contrário, as Escrituras nos chamam a buscar um alto chamado: o alto chamado que é nosso em Cristo Jesus. Tal alto chamado não pode ser alcançado quando nos afundamos na preguiça. Preguiça e indolência são vícios gêmeos que são ampla e fortemente condenados pelas Escrituras Sagradas. A maior razão pela qual falhamos em alcançar a excelência é que não estamos dispostos a trabalhar a tal ponto que a excelência possa ser alcançada. Ninguém alcança a excelência em qualquer empreendimento digno sem trabalho diligente e disciplinado. O inimigo da realização, nesse sentido, é a preguiça. Por outro lado, mesmo com o coração humano mais santificado, a busca pela excelência sempre será manchada por um senso corrupto de orgulho. Se fôssemos alcançar os objetivos mais altos possíveis neste mundo, escalar as alturas da realização humana de maneiras sem precedentes, ainda seríamos, na melhor das hipóteses, servos inúteis que não têm direito de se vangloriar de nada além da glória de Deus e da preciosa redenção que é nossa em Cristo Jesus.
Portanto, busquemos nos destacar, esforcemo-nos até os limites máximos de resistência para alcançar o mais alto nível possível de excelência em tudo o que fazemos, enquanto, ao mesmo tempo, vigiamos sempre atentamente para que o impulso maligno do orgulho não invalide o valor do nosso trabalho. Trabalhemos muito e nos destaquemos para a glória de Deus. Soli Deo gloria.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

