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fevereiro 23, 2026Quem foi Elizabeth Prentiss?
Nota do Editor: Este artigo faz parte da série Personagens históricos.
Elizabeth Prentiss nasceu em Portland, Maine, em 1818. Seu pai, Edward Payson, era um pastor bastante conhecido e muito respeitado. Ele morreu de tuberculose pouco antes do nono aniversário dela, e Elizabeth sentiu muito essa perda. Está registrado que “seu estado físico era frágil […] Dor intensa na lateral, desmaios, enxaqueca e outros males a atormentaram, mais ou menos, desde a infância.”¹ Apesar de seus problemas físicos, ela era inteligente, vivaz e muito amada por aqueles que a conheciam. Seu talento para escrever surgiu em uma idade jovem, e algumas de suas obras foram publicadas na The Youth’s Companion, uma revista infantil americana.
Embora Elizabeth tenha feito uma profissão de fé aos doze anos, ela passou por um período de dúvida sobre sua salvação quando tinha vinte e um anos. Durante esse tempo:
A percepção de seu pecado e sua indignidade perante Deus se intensificava de maneira crescente e opressiva. Às vezes, ela abandonava toda esperança, se acusava de ter sido hipócrita e imaginava que estava entregue à dureza de coração.²
Após meses de intensa angústia espiritual, um sermão sobre como Cristo pode salvar plenamente trouxe descanso à sua alma cansada e marcou um momento decisivo em sua fé em Cristo, enquanto ela descansava plenamente em Sua obra em seu favor.
Em 1840, ela assumiu um cargo de professora em Richmond, Virgínia. Embora fosse uma excelente professora querida por seus alunos, o calor do verão afetava muito sua saúde frágil. Cartas escritas para amigos durante esse período revelam lutas contínuas com (entre outras coisas) depressão, dores de cabeça, dor torácica, dores no corpo, exaustão e estranhos sintomas neurológicos com os quais nenhum médico conseguiu ajudá-la.
Aos vinte e sete anos, Elizabeth casou-se com o Rev. George Prentiss, pastor da South Trinitarian Church em New Bedford, Massachusetts. Elizabeth sempre amou bebês, e a primeira filha deles, Annie, nasceu um ano e meio depois. Vinte e um meses depois, nasceu o segundo filho deles, Edward. O bebê Eddy também tinha problemas de saúde, e a privação de sono que Elizabeth experimentou por causa disso deixou uma marca permanente em sua saúde, pois gerou uma insônia implacável da qual ela sofreria pelo resto de sua vida. Embora a saúde de Eddy tenha melhorado, a de Elizabeth não melhorou. Ela passava cerca de três dias por semana na cama com dor de cabeça, e nos outros dias sentia muito cansaço e fragilidade. Porém sua fé na providência de Deus é evidente quando ela escreve:
Parece que nunca poderei recuperar meu ânimo e ser como fui nos meus melhores dias, mas o que perco de um jeito talvez ganhe de outro. Basta pensar em como minha ambição foi esmagada em todos os pontos pela minha má saúde, e até mesmo a ambição de ser útil e um conforto para aqueles ao meu redor é pisoteada, para me ensinar o que eu não poderia ter aprendido em nenhuma outra escola!³
A família Prentiss mudou-se para Nova York, onde George se tornou o pastor da Mercer Street Presbyterian Church. Quando Elizabeth estava grávida de seis meses do terceiro bebê, uma tragédia aconteceu: Eddy morreu aos quatro anos de idade. Elizabeth ainda não havia se recuperado quando Bessie nasceu três meses depois. Durante esse período, Elizabeth quase morreu de uma infecção pós-parto e esteve em quarentena, afastada de Bessie, sem poder ver sua filha recém-nascida. Outra tragédia ocorreu quando Bessie morreu com um mês de idade. Dois dos seus três filhos morreram com uma diferença de três meses entre si. Em meio à exaustão provocada pela tristeza, Elizabeth repetia sem parar: “Deus nunca comete um erro. Deus nunca comete um erro.”⁴
Para ajudar a lidar com a dor de perder seus filhos, de 1853 a 1856, Elizabeth escreveu livros infantis que foram publicados e se tornaram muito populares. Em 1854, Elizabeth deu à luz sua quarta filha, Minnie, que ficou em estado crítico ao completar um ano, mas sobreviveu apesar de o médico ter dito à família que ela morreria. No início de 1857, a própria Elizabeth adoeceu gravemente mais uma vez, e parecia que ela iria morrer. Neste momento, Elizabeth ansiava partir e estar com o Senhor, no entanto, sua vida foi, como em outras ocasiões, preservada no limite entre a vida e a morte.
Em 1857, ela teve o quinto filho deles, George. Por volta dessa época, seu marido, que sofria de algum tipo de fadiga crônica, havia se enfraquecido fisicamente a tal ponto que teve que renunciar ao seu pastorado. O médico dele aconselhou que a família fosse para o exterior por alguns anos para que ele pudesse tentar recuperar suas forças, e a igreja deles arrecadou fundos para enviar a família para a Europa. George, Elizabeth e seus três filhos sobreviventes embarcaram no navio em 1858. Elizabeth engravidou novamente, e seu filho Henry nasceu quando ela tinha quarenta e um anos.
Esses anos no exterior não foram nada fáceis. Enquanto George e Elizabeth faziam uma viagem turística, receberam a notícia de que Henry estava gravemente doente com coqueluche. Minnie e o pequeno George também contraíram a doença. Depois disso, as três crianças contraíram escarlatina dentro de quarenta e oito horas após George partir para Paris para assumir, de forma temporária, a supervisão da capela estadunidense. Elizabeth o instou a ficar em Paris, embora sua ausência ter intensificado sua solidão e ansiedade. Depois de meses de quarentena e isolamento enquanto cuidava de seus filhos, a família finalmente conseguiu viajar para Paris juntos, embora o mau tempo e os desafios de saúde contínuos tenham marcado o tempo deles lá.
Após retornar aos Estados Unidos, George, cuja saúde havia tido uma melhora parcial, retomou as funções pastorais, e Elizabeth, embora feliz por estar em casa, sofria cada vez mais de insônia. O marido dela escreveu,
Para a Sra. Prentiss foi um período de quase contínua má saúde. A insônia, que já lhe causava grande sofrimento, foi se tornando crônica, e somada a outros problemas de saúde e às constantes enfermidades dos filhos pequenos, abalou tanto sua saúde que, por vezes, viver parecia um fardo pesado.⁵
Esses anos coincidiram com a Guerra Civil dos Estados Unidos, uma fonte de grande angústia para o país. Porém em 1869, Elizabeth experimentou uma breve temporada de melhora na saúde. Ela começou a participar mais ativamente da vida da igreja e a escrever novamente com entusiasmo. Sharon James comenta: “Seus longos anos de sofrimento a capacitaram de maneira única para um ministério de apoio aos doentes e enlutados.”⁶
Após publicar diversos livros infantis entre 1853 e 1856, durante dez anos ela não conseguiu escrever devido a problemas de saúde. Porém aquela temporada de aparente falta de frutos visíveis havia realizado um trabalho profundo em sua alma, criou frutos maduros de paciência, esperança, fé e compaixão pelo sofrimento dos outros. Ela escreveu muitos livros infantis entre 1867 e 1874. Entretanto, seu livro mais famoso foi escrito para adultos. Caminhando em direção ao céu, foi publicado em 1869 e ainda é lido hoje. Esse romance, escrito no estilo de entradas de diário, acompanha a vida da personagem principal enquanto ela busca crescer na fé e no amor por Cristo, apesar de todas as provações e perdas da vida.
Em 1878, o marido e os amigos de Elizabeth ficaram preocupados que ela estivesse muito doente. Ela começou a sentir tonturas e confessou ao médico que estava tendo confusão mental durante toda a semana. Alguns dias depois, ela foi diagnosticada com gastroenterite grave. Elizabeth pediu a George que orasse para que o Senhor permitisse que ela fosse para sua morada eterna. Elizabeth faleceu em 1878, aos cinquenta e nove anos, após alguns dias de sofrimento intenso.
Elizabeth Prentiss deixou um legado de ministério para incontáveis mulheres que sofriam, devoção ao seu marido e filhos, muitas histórias e livros que ajudaram outros a crescer em Cristo, e o hino More Love to Thee [Mais amor a Ti]. Ela fez tudo isso apesar das frequentes ondas de tristeza e pesar, doença e saúde debilitada. Embora fosse conhecida como autora, grande parte de sua vida foi comum, com muitos dias marcados por graves problemas de saúde, o luto pelas mortes de vários filhos e constantes perdas na família, entre parentes próximos e distantes. Contudo, pela graça de Deus, o desejo que ela expressou em uma de suas últimas cartas antes de sua morte certamente se concretizou: “Muito da minha experiência de vida me custou um grande preço e desejo usá-la para fortalecer e consolar outras almas.”⁷
1 George L. Prentiss, The Life and Letters of Elizabeth Prentiss [A vida e as cartas de Elizabeth Prentiss] (Nova York: A.D.F. Randolph & Co., 1882), Project Gutenberg, acessado em 19 de junho de 2024, https://www.gutenberg.org/ebooks/56468.
2 Ibidem ↩
3 Ibidem ↩
4 Sharon James, Elizabeth Prentiss (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 2021), 75.
5 Prentiss, https://www.gutenberg.org/ebooks/56468.↩
6 James, 130.↩
7 Prentiss, https://www.gutenberg.org/ebooks/56468.↩
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

