Como andar com sabedoria - Ministério Ligonier
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Como andar com sabedoria

Nota do editor: Este artigo faz parte da série da revista Tabletalk: Os últimos tempos.

Uma das coisas maravilhosas que fazemos na vida é aprender a andar. É também uma das mais incômodas. A maioria de nós tem fotos ou vídeos de quando demos nossos primeiros “passos de bebê” e demos o ousado salto de engatinhar para andar. Embora seja incômodo, aprender a andar é uma parte essencial do crescimento: da transição do comportamento infantil para a maturidade adulta.

Portanto, não é surpresa que a Bíblia tenha muito a ensinar sobre andar. De muitas maneiras, a linguagem do caminhar é a metáfora preferida na Bíblia para descrever nosso relacionamento com Deus. Em Gn 17:1, Deus disse a Abraão: “Anda na minha presença e sê perfeito”. Esse “andar” não era para ser um evento único, mas sim um processo para toda a vida. A vida de Abraão deveria ser caracterizada por andar com e diante de Deus. Outros santos fiéis são descritos da mesma forma. Tanto Enoque quanto Noé “andaram com Deus”, segundo Gn 5:22 e 6:9. Suas vidas foram coram Deo (diante da face de Deus) de forma que agradaram a Deus e receberam Sua bênção. No NT, o apóstolo Paulo várias vezes incentiva os cristãos a viverem “por modo digno de Deus, que vos chama” (1 Ts 2:12). Como cristãos devemos observar “prudentemente” como andamos (Ef 5:15), pois andamos (vivemos nossas vidas) diante de um mundo que nos observa (Fp 3:17).

Em Cl 4, a ideia de caminhar é muito importante e está relacionada ao tema do evangelismo e a como, na prática, devemos nos comportar neste mundo:

Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer. Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um (Cl 4:2-6).

Paulo primeiro incentiva a igreja a orar. Os cristãos devem orar com firmeza, vigilância e gratidão (v. 2). Devem orar para que Deus abra “porta à palavra”, para que os apóstolos (líderes da igreja) tenham oportunidades frutíferas de pregar o evangelho (v. 3). A oração, de muitas maneiras, é o fundamento bíblico de todo evangelismo verdadeiro, e o primeiro passo. É também um meio maravilhoso de apoiar aqueles que trabalham de forma regular na obra de evangelismo. Assim como os líderes da igreja deveriam estar fazendo o trabalho de evangelismo, os membros da igreja deveriam estar orando para que Deus abra portas abundantes de oportunidades para eles. Assim como os apóstolos precisavam e se beneficiavam das orações dos santos, o mesmo acontece com aqueles que estão na linha de frente do campo de batalha evangelístico hoje. Mas e quanto aos próprios membros da igreja? Também deveriam estar engajados no trabalho de evangelismo?

Embora possa haver opiniões diferentes sobre esse assunto, parece bastante claro em Cl 4:5-6 que Paulo está incentivando os membros da igreja a adotar uma abordagem proativa de caminhar em direção às pessoas que estão fora da igreja com uma mensagem evangelística. Não devemos simplesmente andar entre elas; devemos também andar em direção a elas. Isso deve ser feito com sabedoria e graça. A sabedoria é a aplicação prática da Palavra de Deus aos diversos contextos da vida em que nos encontramos. É saber quando falar e quando ouvir; é saber quando confrontar e quando confortar; é saber o que é melhor dizer e a melhor maneira de dizer. Observe que Paulo, de forma útil, matiza isso com a ideia de que nem todas as pessoas devem ser abordadas exatamente da mesma maneira. A sabedoria nos indica como “devemos responder a cada pessoa” com sensibilidade pastoral à pessoa com quem estamos conversando. Todas as pessoas têm certas coisas em comum, porém cada pessoa é um indivíduo e, portanto, diferentes abordagens evangelísticas podem ser justificadas para ajudar a incorporar a sabedoria que Paulo sugere. A sabedoria se preocupa o suficiente em ouvir para que, quando falarmos, nossas palavras sejam as melhores possíveis. A sabedoria não é fácil para a maioria de nós e, por isso, é algo pelo qual devemos orar.

Paulo acrescenta à ideia de andar sabiamente em relação às pessoas de fora com um discurso gracioso a ideia adicional de nossas palavras serem “temperada[s] com sal”. O sal era usado com sacrifícios no AT para dar a eles um aroma ainda mais agradável (veja Êx 30:35; Lv 2:13). Isso parece sugerir que nossas palavras devem ser sábias, graciosas e agradáveis aos olhos de Deus. Evangelizar é carregar a cruz, é sempre sacrificial e deve ser feito principalmente com o objetivo de dizer e fazer as coisas que são agradáveis a Deus. Devemos nos esforçar para fazer isso da mesma maneira que nosso Salvador fez: com sabedoria, graça e sacrifício.

Embora seja verdade que aqueles que são ordenados a pregar o evangelho têm um fardo especial para fazê-lo, também é verdade que toda a igreja é chamada a agir com sabedoria e graça em relação àqueles que estão fora da igreja. Deus nos dará sabedoria se a pedirmos. E cada vez que tentarmos evangelizar alguém, aprenderemos algo novo sobre os outros que nos tornará ainda melhores da próxima vez; e sim, aprenderemos com nossos erros. Também cresceremos em gratidão pela graça que Deus nos demonstrou pessoalmente, pois Ele não apenas enviou alguém em nossa direção com o evangelho, mas também nos deu graça para que pudéssemos ouvir as boas novas que nos ensinaram pela primeira vez como é andar com Deus.

Publicado originalmente em Tabletalk Magazine.

Eric Watkins
Eric Watkins
O Dr. Eric. B. Watkins é pastor titular da Harvest Orthodox Presbyterian Church em San Marcos, Califórnia, EUA. Ele é autor de The Drama of Preaching [O drama da pregação].