
Deus está sempre satisfeito com os cristãos?
março 9, 2026Como posso ser um cristão no meu ambiente de trabalho?
“Alex, além de ser uma fonte de renda, o que faço no meu trabalho não tem muito sentido.” Foi o que um empresário cristão bem-sucedido me contou quando eu tinha cerca de vinte e poucos anos. Um homem humilde, seu ponto de vista era que o trabalho muitas vezes parecia um mal necessário.
É admirável que meu amigo mais velho não tenha encontrado sua identidade em seu trabalho: uma tentação que fazemos bem em evitar. Cristo é o único que pode nos dar o verdadeiro sentido que muitos esperam obter do trabalho. Porém é assim que devemos pensar sobre nossos empregos, como algo sem muito sentido? Ou será que as Escrituras nos oferecem uma visão mais abundante e otimista das atividades pelas quais passamos metade de nossas vidas acordados? O que significa trabalhar sendo cristão?
O trabalho como adoração
Com frequência ouvimos as pessoas contrastarem o trabalho cristão com o trabalho secular. O ministério em tempo integral é uma vocação única e importante, merecedora de dobrados honorários (Hb 13:7; 1 Tm 5:17). Mas para o cristão, toda a vida deve ser vivida coram Deo, diante da face de Deus. Portanto, qualquer atividade que sirva ao bem dos outros e seja oferecida a Deus em obediência enraizada na fé é um trabalho cristão.
Romanos 12:1 nos orienta a oferecer-nos a Deus “por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Esse não é um ato único, mas uma oferta contínua. Nossas vidas inteiras devem ser dedicadas Àquele que viveu e morreu “para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5:15). Fazemos isso não para ganhar o favor de Deus, mas porque já o recebemos e experimentamos.
Tudo o que fazemos é importante, pois cada uma de nossas ações, sentimentos e motivações deve fazer parte da adoração espiritual à qual somos chamados. No local de trabalho, devemos criar ou distribuir bens e serviços como se fossem oferecidos ao próprio Mestre. Devemos trabalhar de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens (Cl 3:23). Nosso objetivo é a excelência em nosso trabalho para agradar a Deus, não por recompensa terrena.
O trabalho como amor ao próximo
Martinho Lutero gostava de dizer: “Deus não precisa de nossas boas obras, mas o nosso próximo precisa.” Nossos trabalhos oferecem maneiras concretas de amar o nosso próximo. Com muita frequência, usamos a expressão “bom trabalho” referindo-nos apenas ao salário. Não há nada de errado com uma compensação justa, as Escrituras incentivam a independência financeira e o contentamento (1 Ts 4:11-12; 1 Tm 5:8; Hb 13:5), contudo, nem o dinheiro nem o status devem ser nossa principal motivação. O que deveria ser a principal motivação? Amor a Deus e ao próximo.
Em nosso trabalho, devemos buscar ser úteis: melhorar vidas, promover a ordem e aliviar o sofrimento. Isto faz parte de um princípio maior: o cristianismo é bom para a sociedade. Isso nos torna melhores maridos, esposas, pais, mães, cidadãos e funcionários. O cristianismo nos torna úteis tanto para cristãos quanto para não-cristãos. Nem todo bom trabalho é bem remunerado. Nem todo bom trabalho recebe elogios frequentes. Porém todo bom trabalho é útil.
O trabalho como vocação
Ver a mão de Deus ao nos direcionar para áreas de trabalho específicas a fim de beneficiar os outros, pode produzir um maior senso de alegria e propósito, independentemente das circunstâncias. Seu chefe é ingrato? Seus colegas de trabalho são difíceis? Seus clientes são difíceis de agradar? Que assim seja. Seu trabalho é um chamado de Deus. Se a fidelidade é o nosso objetivo e o louvor a Deus é a nossa meta, se torna mais fácil lidar com as frustrações. Jesus é nosso exemplo, que, quando insultado, “entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pe 2:23).
Graças a Deus, em muitos aspectos, temos a liberdade de seguir o trabalho que mais se adequa a nós. Na medida do possível, devemos buscar um trabalho que maximize nossos dons, temperamento, talentos e preferências. Dessa forma, nosso trabalho será menos cansativo e, como Dorothy Sayers expressou, aquilo em que encontramos “satisfação espiritual, mental e corporal” e “o meio pelo qual nos oferecemos a Deus.”
Se você está no mercado de trabalho, confie na providência divina enquanto desenvolve o conjunto de habilidades e o currículo para conseguir o cargo desejado. Considerar nosso trabalho como uma vocação nos lembra de sermos fiéis em nosso estado atual, cientes de que, pelo menos por agora, Deus nos colocou nessa função.
O trabalho como pré-evangelismo
Através das boas obras que nosso emprego torna possíveis, adornamos o evangelho da graça de Deus (Tt 2:9-10). Ou seja, tornamos o evangelho mais atraente para os outros. O local de trabalho nos permite conviver com pessoas que não são cristãs que de outra forma não conheceríamos. A bondade para com nossos colegas de trabalho cria oportunidades para falar sobre a obra de Cristo tanto na cruz quanto em nossas vidas. Quando as portas se abrem, devemos nos relacionar com os outros, falar a verdade com amor e pedir a Deus que lhes conceda arrependimento.
Cristo previu isso, e nos ensinou a deixar que nossa luz brilhe diante dos outros, para que vejam nossas boas obras e glorifiquem nosso Pai que está nos céus (Mt 5:16).
O trabalho como meio de santificação
Finalmente, na medida em que nosso emprego envolve dificuldades, e em um mundo caído, certamente terá dificuldades, nosso trabalho é um meio de santificação. Conscientes disso, podemos considerar tudo como alegria quando enfrentamos provações de várias sortes, pois sabemos que a provação da nossa fé produz perseverança (Tg 1:2-3). Graças a Deus que Aquele que começou esta boa obra será fiel para completá-la (Fp 1:6).
Querido cristão, o que você faz no ambiente de trabalho não é irrelevante. É uma parte importante do chamado de Deus em sua vida, uma área para oferecer adoração espiritual, contribuir para o bem comum e amar o próximo com boas ações.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

