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Deus está sempre satisfeito com os cristãos?

Para dar uma resposta adequada a essa pergunta, precisamos estabelecer uma base sólida que começa colocando a graça antes das obras.

1. Fora de Cristo, não podemos agradar a Deus por nossa própria moralidade, esforço ou mérito.

Almas não regeneradas estão indispostas e incapazes de agradar a Deus e se opõem aos Seus mandamentos (Rm 8:5-8). O interesse próprio pecaminoso, enraizado na carne, domina suas vidas (2 Tm 3:1-5). Somente pela fé Enoque pôde andar com Deus (Hb 11:5-6). Apenas quando ocorre uma renovação radical, graciosa, da mente, vontade e coração é que vemos nossa situação desesperadora, reconhecemos que Deus é justo e nos lançamos sobre Cristo. O Espírito Santo deve primeiro inscrever a lei de Deus em nosso coração e nos inclinar a ela antes que realmente busquemos agradá-lo com gratidão e de maneira que glorifique a Deus. 

2. Nunca por um momento, desde toda a eternidade, Deus se arrependeu de Sua escolha soberana.

Antes da criação, agradou a Deus predestinar Sua noiva, a igreja, para ser Sua posse preciosa e menina dos Seus olhos, para encantá-la com cânticos de alegria e aquietá-la com amor (Sf 3:11-17). Agradou a Deus, de modo geral, com algumas exceções importantes, escolher os humildes, ignorantes e fracos para envergonhar os nobres, inteligentes e poderosos (1 Co 1:20-29). O Pai se agradou em esconder a revelação dos sábios e iluminar os simples com ela (Mt 11:25-27; Lc 2:14; 12:32). A julgar pelos exemplos de pescadores apressados, escribas assassinos, terroristas moribundos, prostitutas notórias, endemoniados caóticos e cobradores de impostos corruptos, Deus escolheu os mais improváveis e os piores para inverter as coisas contra o orgulho humano e ser ainda mais glorificado. Se Deus está satisfeito com Sua escolha, então, nesse sentido de eleição, o cristão está agradando a Deus.

3. Enquanto Deus é benéfico a todos e benevolente para com os santos, só um ser humano é, em Si mesmo, eternamente agradável ao Pai (Jo 8:29).

Deus se deleita nas mensagens messiânicas de Cristo, nos milagres, na observância da lei e nos sofrimentos. Seu discurso de aceitação resplandecente ecoou nos céus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3:16-17; 17:5). Se, como Filho eterno e Mediador da aliança, Jesus agrada eternamente a Deus, então aqueles unidos a Ele são lavados em Seu sangue, revestidos em Sua justiça, aceitos no Amado (Ef 1:36) e agradáveis a Deus.

4. A escolha segura e o status movem discípulos gratos a uma obediência cada vez mais agradável a Deus (Ef 5:1-10; Cl 1:9-14), que não ignora nem negligencia um chamado para as boas obras de antemão preparadas (Ef 2:5-10).

Em vez disso, decidimos descobrir como agradar ao Senhor. Fazemos isso como soldados, como Timóteo, ao tornarmos nosso principal objetivo agradar nosso comandante, Jesus (2 Tm 2:1-4). Fazemos isso como servos, seguindo o exemplo de Cristo, que se humilhou até a cruz. Já não ansiamos pelo louvor humano, mas deixamos de lado nossos objetivos egoístas e preferimos as necessidades dos irmãos e dos outros, a fim de evitar ofensas, edificar os fracos e propagar a Palavra.

5. As Escrituras de modo frequente especificam como agradar a Deus.

Deus se agrada quando os trabalhadores se esforçam, os filhos obedecem aos pais, os casamentos são sólidos, os cidadãos honram os governantes, os membros respeitam os anciãos, e a fidelidade substitui o adultério (1 Ts 4:1-8). Deus aprova nossa conduta quando a paz apazigua a discórdia, as igrejas estão cheias da Palavra e as ovelhas são alimentadas (não feridas ou famintas). O serviço cristão é valorizado quando a sinceridade interior substitui os rituais vazios, pecadores culpados com um coração quebrantado (Sl 51:16-17; Mq 6:6-8), santos que foram perdoados oferecem serviço sacrificial, repleto com dádivas generosas (Fp 4:18; Hb 13:16), e estamos constantemente em oração (1 Tm 2:1-4).

6. Duas verdades que ajudam na busca por um viver que agrada a Deus.

Uma é que nenhum dos esforços e desejos de buscar a aprovação de Deus se origina em nós, mas sim o resultado e efeito da poderosa Palavra do evangelho de Cristo, aplicada pelo Espírito, que atua em nossos corações, para nos mover a pensar e agir de maneiras que Deus aceita (Fp 2:12-13; Hb 13:20-21).

A outra é que, quando paramos de ansiar por aplausos humanos, deixamos de lado o egoísmo, nos oferecemos a Deus e damos preferência aos outros, descobrimos que o caminho humilde da cruz é o caminho para a verdadeira liberdade e vida (Rm 14:1 – 15:33; 1 Co 10:31-33). Como ensina a Escritura: “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20:35). Deus se agrada que encontremos deleite nEle.

7. A Bíblia claramente ensina que Deus desaprova o pecado em nossas vidas.

Quando Davi tomou Bate-Seba e com orgulho ordenou um censo, o Senhor não se agradou (2 Sm 11:27; 1 Cr 21:1-7). Ações desagradáveis causam tristeza ao Espírito Santo (Ef 4:25-32). Para o bem eterno de Seus santos, nosso Pai amorosamente disciplina Seus filhos (Hb 12:5-11), até mesmo de forma severa por ofensas graves (1 Co 11:28-34). Se Cristo encontrou falhas em seis das sete igrejas asiáticas (Ap 2:1 – 3:22), a graça sempre tem a última palavra. O Senhor sabe que somos pó e não podemos pagar o que o pecado merece, porém quando erramos, Deus com paciência nos perdoa e tem piedade de nós (Sl 103:8-18).

Em conclusão

Com relação ao Seu propósito, Deus sempre se agrada com os santos. Quanto à posição dos crentes em Cristo, o agrado de Deus é garantido. Porém em relação ao nosso desempenho, Deus desaprova o pecado, mas aprova a obediência que Ele mesmo gera em nós. Se nos perguntamos por que Deus se agradou em nos resgatar apesar de nossos pecados e falhas graves, foi para que Ele pudesse ser glorificado e desfrutado. Ao descer até as nossas profundezas e nos elevar às Suas alturas, Ele revela Seu coração paciente, compassivo e perdoador, para que Sua própria vida eterna possa ser manifestada em nós, para o louvor de Sua gloriosa graça.e confiar no Senhor, mantenha uma perspectiva eterna, deixe que suas fraquezas magnifiquem o poder de Cristo e não cobice o que os outros têm. Então, pela graça de Deus, você poderá testemunhar: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação […] tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:11, 13).


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Andrew Kerr
Andrew Kerr
O Dr. Andrew Kerr é pastor da Ridgefield Park Reformed Presbyterian Church em Ridgefiled Park, Nova Jersey, e professor de Língua e Literatura do Antigo Testamento no Reformed Theological College em Belfast, Irlanda do Norte.