O amor que é paciente e benigno

abril 24, 2026

O amor que é paciente e benigno

abril 24, 2026

O que é a guerra espiritual?

Graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do [nosso] Senhor Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém! (Gl 1:3-5).

Com estas palavras, o apóstolo Paulo celebra a libertação do povo de Deus através da obra de Seu Filho em nosso favor (Cl 1:13-14). Ele também nos lembra que vivemos em um mundo caído, no qual enfrentamos oposição espiritual em nossa caminhada com Cristo e trabalhamos para Ele (Ef 2:1-10).

O contexto da guerra espiritual

Em Sua oração sacerdotal, nosso Senhor Jesus ora por nós como aqueles que estão no mundo (Jo 17:11), mas não são do mundo (Jo 17:14). Assim, Ele não pede que o Pai nos tire do mundo, mas que nos guarde do mal (Jo 17:15). A oração que Ele nos ensinou a fazer como Seus discípulos nos mobiliza a buscar o reino de Deus no qual fomos estabelecidos e a servir à Sua vontade, e levar em consideração a oposição de um inimigo espiritual (Mt 6:10, 13).

A redenção que Deus prometeu no Éden é definida em termos de conflito (Gn 3:15). Aquele Prometido viria na plenitude dos tempos (Gl 4:4-5) para lutar contra aquele que é identificado como “príncipe” deste mundo (Jo 12:31) e “deus deste século” (2 Co 4:4). Cristo Jesus, o eterno Filho de Deus, assumiu a verdadeira e plena humanidade para que pudesse travar guerra pela nossa libertação e destruir as obras do diabo (Hb 2:14-18; 1 Jo 3:8).

A chave para nos engajarmos na guerra espiritual é o reconhecimento de que a vitória é de Cristo e é nossa em Cristo. Não lutamos pela vitória, mas na vitória. O prelúdio para Jesus nos enviar a fazer discípulos é a declaração de Sua missão cumprida: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28:18; veja Ef 1:20-23).

Quando Jesus nos diz que está sempre conosco, até o fim dos tempos, Ele está nos assegurando de Sua presença, poder e promessa enquanto servimos Ele e buscamos Seu reino. Fazer isso implicará necessariamente uma batalha espiritual, tanto para o nosso crescimento espiritual (Mt 28:20; Ef 5:1-14) quanto para o nosso serviço no reino (1 Ts 2:18; 2 Ts 3:1-3).

Tendemos a pensar na guerra espiritual como algo extraordinário na vida cristã, mas é parte de viver sob o senhorio de Jesus e buscar primeiro o Seu reino e a Sua justiça. Dia após dia enfrentamos um inimigo espiritual que apela aos nossos desejos rebeldes através da filosofia e dos valores deste mundo caído em que trabalhamos (Tg 1:14).

A conduta da guerra espiritual

O que implica lutar uma batalha espiritual? Onde encontramos nosso inimigo invisível? Pedro emite esta ordem: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé” (1 Pe 5:8-9). Pedro está nos alertando para a realidade de que nosso inimigo está em toda parte, não da maneira de Deus em Sua onipresença, mas por legiões de anjos caídos chamados demônios.

Assim como Pedro aborda o tema da oposição espiritual, assim também o fazem todos os escritores do Novo Testamento. Temos informações sobre o caráter, intenções, esquemas e táticas do nosso inimigo, o que nos prepara para a batalha e fortalece nosso ânimo através da esperança certa do evangelho do reino.

Fundamental para a nossa conduta na guerra espiritual é nos manter firmes em Cristo contra as artimanhas do diabo (Ef 6:10-16). Contra as acusações de Satanás, devemos permanecer firmes no pagamento da dívida do nosso pecado feito por Cristo na cruz e na satisfação da ira de Deus contra nós (Cl 2:13-15). Contra os enganos de Satanás, devemos permanecer firmes na verdade revelada da Palavra de Deus, a Bíblia (2 Co 10:1-5; Ef 6:17; Cl 2:6-8). Contra as tentações de Satanás, devemos permanecer firmes no poder de Cristo ressuscitado, por meio de quem podemos resistir ao diabo e andar de modo digno do Senhor (Ef 6:10; Cl. 1:9-12). Seja o que for que aprendamos sobre os esforços do nosso inimigo nas páginas da Palavra de Deus, devemos olhar para Cristo para os contrariar.

Saber que temos um inimigo espiritual que nos opõe deve enriquecer nossa vida de oração, que nos leve a buscar a suficiência de nosso Senhor que precisamos desesperadamente. Um princípio básico da guerra espiritual é que ela se realiza com sabedoria (Tg 3:15) e fraqueza (2 Co 12:9-10), que leva a Cristo para todas as coisas, em todos os momentos, de todas as maneiras (Ef 6:18-20).

Por último, queremos lembrar que não estamos isolados, mas somos envolvidos pelo Espírito de Deus na comunidade cristã para nossa proteção, direção e provisão. Devemos orar uns pelos outros (Cl 4:3), estimular uns aos outros (Hb 10:23-25), exortar uns aos outros (Hb 3:12-14) e cuidar uns dos outros (Tg 5:16, 19-20), pois juntos servimos ao nosso Senhor que está edificando Sua igreja, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão: “E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás.” A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco” (Rm 16:20).


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Stanley D. Gale

Stanley D. Gale

O Dr. Stanley D. Gale é um pastor aposentado e autor de vários livros, entre eles Finding Forgiveness: Discovering the Healing Power of the Gospel [Como encontrar o perdão: a descoberta do poder de cura do evangelho].