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abril 19, 2026
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Quem foram os teólogos de Westminster?

A Assembleia de Westminster (1643-53) se reuniu durante um período de intensa agitação religiosa e nacional na Inglaterra e produziu padrões teológicos — notavelmente, a Confissão de Fé de Westminster e os Catecismos Breve e Maior — que ainda hoje possuem relevância e influência global.

Contexto e antecedentes

No início da Guerra Civil Inglesa (1642-51) entre o Rei Carlos I e o Parlamento, a igreja na Inglaterra passava por um período de desordem. Embora uma via media entre uma teologia protestante e a forma católica romana, mas mantendo a política, aparência e prática religiosa de Roma, tenha sido firmemente estabelecida sob o reinado da Rainha Elizabeth I em 1559, a concretização desse compromisso continuou no século XVII. Por causa disso, muitos procuraram purificar a Igreja da Inglaterra de seus vestígios católicos romanos, conhecidos tanto naquela época quanto hoje como os “puritanos”.

Os puritanos queriam reformar a Igreja da Inglaterra em seu culto bíblico e expressão religiosa, e aplicar consistentemente uma teologia protestante à vida cristã cotidiana. Como muitos dos puritanos rejeitaram os sermões, orações e liturgia prescritos e codificados no Livro de Oração Comum da Igreja da Inglaterra, eles se tornaram dissidentes e inconformistas.

Durante o final do século XVI e o início do século XVII, o confronto entre o clero de inclinação católica e os puritanos perdeu intensidade até que o rei Carlos passou dos limites com sua autoridade imperial. Em 1642, ele ergueu o estandarte real contra o Parlamento, o que provocou a Guerra Civil Inglesa. No ano seguinte, o Parlamento convocou o que alguns consideram ser a assembleia mais talentosa, piedosa e teologicamente preparada já reunida na história da igreja.

A Assembleia de Westminster

Composta por 121 clérigos ingleses, trinta leigos e uma delegação de presbiterianos escoceses sem direito a voto (mas bastante influente), a Assembleia incluía teólogos e pastores notáveis como Thomas Goodwin, Edward Calamy, William Gouge e Jeremiah Burroughs, e também comissários escoceses como George Gillespie e Samuel Rutherford. A assembleia reuniu-se na Abadia de Westminster em Londres de 1643 a 1649, realizou mais de mil sessões, e continuou a se reunir esporadicamente até 1653.

A Liga e Aliança Solene (1643) entre o Parlamento Inglês e a Escócia abriu caminho para uma aliança tanto militar quanto eclesiástica, que não apenas fortaleceu o exército do Parlamento contra o Rei Carlos, mas também influenciou o conteúdo dos Padrões de Westminster. Embora não sejam especificamente documentos presbiterianos em termos de uma política eclesiástica liderada por presbíteros, os Padrões de Westminster, com a ajuda dos presbiterianos escoceses, ainda assim deram aos presbiterianos (bem como aos independentes, entre outros) a liberdade de exercer suas formas de governo eclesiástico dentro do âmbito do confessionalismo reformado.

Os teólogos de Westminster (ou comissários) eram homens talentosos. Tinham conhecimento sólido das Escrituras, em teologia, nas línguas originais do hebraico e do grego, e em latim, e podiam recitar de memória grandes trechos dos pais da igreja. Haviam aprendido com as primeiras gerações de reformadores (p. ex., Lutero, Calvino, Zuínglio, Knox, etc.) e procuraram revestir a teologia reformada com aplicação pastoral e prática. Eles também mantinham uma observância cuidadosa do culto privado e familiar, de organizar a família segundo as instruções da Bíblia e de guardar o Dia do Senhor como o dia de descanso cristão. Os teólogos de Westminster estavam preocupados com o cristianismo prático e uma sensibilidade pastoral acolhedora, mas também eram intransigentes em sua posição contra a heresia, o catolicismo romano, o ensino falso e o pecado não arrependido.

Conquistas e relevância da Assembleia de Westminster

A igreja cristã há muito tempo valoriza a prática de confessar a fé para definir, unificar, esclarecer, distinguir, proteger e lutar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos (Jd 3). Contra o contexto da confusão teológica e da adoração inconsistente, os teólogos de Westminster, ao usar os Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra e os Artigos Irlandeses de 1615 de James Ussher como base, produziram uma nova Confissão de Fé (1646), Catecismos Maior e Breve (1647) e um Diretório para o Culto Público (1644). O Parlamento também solicitou que os teólogos adicionassem textos de prova para fundamentar cada declaração na Bíblia.

A Confissão de Fé de Westminster é, indiscutivelmente, o feito mais duradouro da Assembleia, composta por capítulos teológicos sucintos e relevantes sobre temas como Escritura, Deus, criação, antropologia, pecado, redenção em Cristo, santificação, a igreja, adoração, casamento, os sacramentos e o juízo final.

Os Catecismos Maior e Breve geralmente seguem os contornos da Confissão, mas contêm porções maiores dedicadas aos Dez Mandamentos e à Oração do Senhor. Além disso, enquanto o Catecismo Maior coloca ênfase na igreja, o Catecismo Breve coloca ênfase no indivíduo. Ambos foram concebidos como ferramentas educacionais para ensinar doutrina tanto ao clero quanto aos leigos, ao enfatizar a clareza e a precisão na compreensão teológica.

O Diretório para o Culto Público foi criado, em parte, para substituir a liturgia obrigatória delineada no Livro de Oração Comum, e se tornou um manual de culto consistente com os princípios protestantes e reformados. O diretório enfatiza o princípio regulador do culto, a centralidade da Bíblia, a administração correta dos sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor, e considerações pastorais relacionadas à visita aos doentes, ao jejum e ao sepultamento dos que faleceram.

A Assembleia de Westminster representa um momento crucial na história da teologia reformada e no desenvolvimento do cristianismo protestante. Seu legado duradouro é visto não apenas em suas formulações doutrinárias, mas também em seu impacto na eclesiologia e no pensamento cristão. O trabalho da assembleia continua a governar as crenças e práticas das igrejas reformadas em todo o mundo hoje, ao incorporar um profundo envolvimento com as Escrituras e a teologia.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Brian Cosby
Brian Cosby
O Dr. Brian Cosby é pastor da Wayside Presbyterian Church em Signal Mountain, Tennessee, e professor de Teologia Histórica no Reformed Theological Seminary em Atlanta. Ele é autor de Uncensored: Daring to Embrace the Entire Bible [Sem censura: como ousar aceitar toda a Bíblia] e A Christian’s Pocket Guide to Suffering [Livro de bolso de um cristão para o sofrimento].