Quem foram os teólogos de Westminster?
abril 20, 2026
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Um catecismo sobre o coração

Às vezes, as pessoas perguntam aos autores: “Qual dos seus livros é o seu favorito?” A primeira vez que a pergunta é feita, a resposta talvez será: “Não tenho certeza, na verdade nunca pensei sobre isso.” Porém, forçado a pensar sobre isso, minha resposta padrão se tornou: “Não tenho certeza de qual é meu livro favorito; mas meu título favorito é: Um coração sensível para Deus.” Poucas vezes me perguntam: “Por quê?”, mas (caso você pergunte) o título apenas expressa o que quero ser: um cristão com um coração sensível para Deus.

Talvez isso seja em parte um reflexo do fato de que estamos sobre os ombros dos gigantes do passado. Pense no selo e lema de João Calvino: um coração estendido na palma de uma mão e as palavras “ofereço meu coração a Ti, Senhor, com prontidão e sinceridade.” Ou considere o hino de Charles Wesley:

Quem me dera um coração para exaltar meu Deus!
Um coração livre do pecado.

Alguns hinários não incluem o hino de Wesley, presumivelmente em parte porque é lido como uma expressão de sua doutrina do amor perfeito e da santificação completa (ele achava possível ter seu anseio realizado neste mundo), mas o sentimento em si é sem dúvida bíblico.

Contudo, por trás dos gigantes da história da igreja está o testemunho das Escrituras. O primeiro e maior mandamento é amar o Senhor nosso Deus de todo o nosso coração (Dt 6:5). É por isso que, ao substituir Saul como rei, Deus “buscou para si um homem que lhe agrada” (1 Sm 13:14), pois o Senhor vê “o coração” (1 Sm 16:7). É uma verdade incontestável afirmar que, em termos de nossa resposta ao evangelho, o coração da questão é o coração. Mas, sendo um truísmo ou não, é verdade.

Como isso se manifesta e se desenvolve, de que maneiras pode ser ameaçado e como se expressa serão explorados pouco a pouco nesta nova coluna. No entanto, neste estágio, talvez nos ajude se definirmos algumas questões preliminares na forma de um catecismo sobre o coração:

P.1. O que é o coração?

R: O coração é o núcleo central e a força motriz da minha vida intelectual (envolve minha mente), afetuosa (molda minha alma) e total (fornece a energia para minha existência).

P.2. Meu coração é saudável?

R: Não. Por natureza, tenho um coração doente. Desde o nascimento, meu coração é deformado e antagonista a Deus. As intenções de seus pensamentos são continuamente ímpias.

P.3. Meu coração que está doente pode ser curado?

R: Sim. Deus, em Sua graça, pode me dar um novo coração para amá-lo e desejar servi-lo.

P.4. Como Deus faz isso?

R: Deus faz isso através da obra do Senhor Jesus por mim e do ministério do Espírito Santo em mim. Ele ilumina minha mente através da verdade do evangelho, liberta minha vontade escravizada de sua servidão ao pecado, purifica minhas afeições por Sua graça e me motiva interiormente a viver para Ele, ao reescrever Sua lei em meu coração para que eu comece a amar o que Ele ama. A Bíblia chama isso de “nascer de novo”.

P.5. Isso significa que nunca mais vou pecar?

R: Não. Seguirei lutando com o pecado até ser glorificado. Deus me deu um novo coração, mas por enquanto Ele deseja que eu continue vivendo em um mundo caído. Dia após dia, enfrento as pressões para pecar que vêm do mundo, da carne e do Diabo. Porém a Palavra de Deus promete que sobre todos esses inimigos posso ser mais que vencedor “por meio daquele que nos amou.”

P.6. Quais são as quatro coisas que Deus me aconselha a fazer para que meu coração seja mantido para Ele?

R: Primeiro, devo proteger meu coração como se tudo dependesse disso. Isso significa que devo manter meu coração como um santuário para a presença do Senhor Jesus e não permitir que nada nem ninguém mais entre.

Em segundo lugar, devo manter meu coração saudável através de uma dieta adequada, me fortalecer regularmente com a Palavra de Deus: fazer a leitura, meditar em Sua verdade, mas sobretudo ser alimentado por ela na pregação da Palavra. Também me lembrarei de que meu coração tem olhos, assim como ouvidos. O Espírito Santo me mostra o batismo como um sinal de que carrego o nome triúno de Deus, enquanto a Ceia do Senhor estimula o amor do coração pelo Senhor Jesus.

Terceiro, devo fazer exercícios espirituais regulares, pois meu coração será fortalecido pela adoração quando todo o meu ser for entregue a Deus em expressões de amor e confiança nEle.

Quarto, devo me dedicar à oração na qual meu coração se apega às promessas de Deus, descansa em Sua vontade e pede por Sua graça sustentadora. Fazer isso não apenas sozinho, porém com outros, para que possamos encorajar uns aos outros a manter um coração sensível para Deus.

Isso — e muito mais — requer desenvolvimento, elaboração e exposição. Contudo pode ser resumido em uma única frase bíblica. Ouça o apelo de seu Pai: “Meu filho, dá-me o teu coração.”


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Sinclair B. Ferguson
Sinclair B. Ferguson
O Dr. Sinclair B. Ferguson é professor da Fraternidade de Ensino de Ligonier Ministries e professor Chanceler de Teologia Sistemática no Reformed Theological Seminary. Ele é autor de vários livros, incluindo Maturity.