O que a Bíblia diz sobre as mulheres que são pastoras?

outubro 18, 2026

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Porque Deus amou ao mundo

Todo cristão acredita na expiação limitada. Isso pode soar ridículo para meus amigos arminianos, pois há muito tempo se assume que apenas os calvinistas aderem ao temido “L” em TULIP. Mas se a morte de Jesus Cristo for reconhecida como uma expiação real (e não apenas potencial), então a questão da limitação não pode ser evitada, a menos que você acredite na mentira do universalismo.

É o reconhecimento de que a morte de Cristo de fato expiou os pecados que governa nossa interpretação desses textos maravilhosos que falam da grande amplitude de Sua obra salvífica. Por exemplo, João escreve que Jesus é “a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2:2). A escolha aqui não é entre o calvinismo e o arminianismo. É entre o calvinismo e o universalismo. Se “mundo” significa “cada pessoa que já viveu ou viverá”, então todos serão salvos por causa da natureza objetiva da propiciação. Nenhum pecado ficaria sem ser pago, incluído o pecado da incredulidade.

Ninguém que leve a sério os ensinamentos da Bíblia sobre o inferno e o juízo afirmaria o universalismo, o que significa que João usa “mundo” aqui para dar a entender algo diferente de cada pessoa que já viveu (como ele frequentemente faz; veja Jo 14:19; 16:8; 18:20; 1 Jo 2:15). A preocupação de João é afirmar que Jesus é o único Salvador que o mundo tem. Sua morte redime pessoas não apenas entre os judeus ou americanos ou de qualquer grupo específico, mas de todo o mundo.

O calvinismo protege da heresia do universalismo por um lado e do erro de reduzir a natureza objetiva da expiação por outro. O calvinista reconhece que a morte de Jesus salva todos para quem foi designada. Em outras palavras, a expiação é vista como limitada em seu alcance e propósito. Todos por quem Cristo morreu serão salvos.

No entanto, o arminianismo não pode proteger com sucesso contra tais erros. O arminiano afirma que a morte de Jesus foi designada para salvar cada pessoa na história sem realmente fazê-lo. Assim, a expiação não salvou todos para quem foi destinada. Em outras palavras, a visão arminiana, ao afirmar que a expiação é ilimitada em sua extensão, é forçada a concluir que é limitada em sua eficácia. Falhou em cumprir seu propósito universal.

A diferença entre essas duas visões é como a diferença entre uma ponte estreita que se estende por todo o vale e uma mais larga que vai apenas até a metade. Quem se importa com a largura se ela não te leva para o outro lado?

Essa diferença é o que fez Charles Spurgeon argumentar que o arminianismo, muito mais do que o calvinismo, limita a expiação de Cristo. O arminiano afirma:

“Cristo morreu para que qualquer homem possa ser salvo se”, e então seguem certas condições de salvação. Agora, quem é que limita a morte de Cristo? Ora, você. Você diz que Cristo não morreu de forma a garantir infalivelmente a salvação de ninguém. Pedimos desculpas, quando você diz que limitamos a morte de Cristo; expressamos: “Não, prezado, é você quem o faz.” Declaramos que Cristo morreu de tal forma que ele garantiu infalivelmente a salvação de uma multidão que ninguém pode contar, que através da morte de Cristo não apenas pode ser salva, mas é salva, deve ser salva e não pode de forma alguma correr o risco de ser qualquer coisa além de salva. Fique com a sua expiação; você pode guardá-la para si. Nunca renunciaremos à nossa por causa dela. (Sermões de Spurgeon, vol. 4, p. 228)

Bem, qual é a “nossa” interpretação da expiação que Spurgeon defendeu com tanta paixão? Especificamente, é o entendimento de que Jesus de fato redimiu todos aqueles que Ele pretendia redimir quando derramou Seu sangue na cruz. Assim como o sumo sacerdote sob a antiga aliança usava os nomes das doze tribos de Israel em seu peitoral quando realizava seu serviço sacrificial, assim o nosso grande Sumo Sacerdote sob a nova aliança tinha os nomes de Seu povo inscritos em Seu coração ao se oferecer como sacrifício pelos seus pecados.

Em João 10, Jesus anuncia claramente o foco particular de Sua morte expiatória. Ele se autodenomina o “bom pastor” que “dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10:11). Logo após isso, Ele descreve Suas ovelhas como aquelas que lhe foram dadas por Seu Pai. Além disso, Ele declara de forma direta a alguns israelitas incrédulos: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas” (Jo 10:26-29).

A oração sacerdotal de nosso Senhor em João 17 mostra o mesmo tipo de limitação. Enquanto Ele se prepara para Sua morte sacrificial por Seu povo, Ele ora especificamente — na verdade, exclusivamente — por eles. Eles são aqueles que o Pai lhe deu do mundo (Jo 17:6). Portanto, Sua intercessão sacerdotal foi limitada a eles: “É por eles que eu rogo;  não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17:9). É inconcebível que Jesus deixasse de orar por aqueles por quem estava prestes a morrer como sacrifício substitutivo. Aqueles por quem Ele orou são os mesmos por quem Ele morreu.

A doutrina da expiação limitada, ou redenção particular, não indica nenhuma insuficiência na morte de Cristo. Por causa de quem sofreu, a morte de Jesus tem um valor infinito. Os Cânones de Dort se esforçam para estabelecer este argumento e declaram claramente que a “morte do Filho de Deus… de valor e dignidade infinitos, abundantemente suficiente para expiar os pecados do mundo inteiro” (2.3).

A limitação na expiação decorre da intenção e propósito de Deus ao enviar Jesus à cruz. A obra redentora de Cristo foi projetada para ser uma expiação particular por Seu próprio povo: aqueles que o Pai lhe deu. Sua morte foi destinada a salvar os eleitos.

Jesus ensina que todo o Seu ministério redentor foi realizado em cumprimento de um plano divinamente preordenado. É isso que Ele quer dizer em João 6:38-39:

Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.

Os teólogos se referem a este arranjo como o pacto da redenção, no qual, antes do início da história, o Pai, o Filho e o Espírito Santo se comprometeram a realizar a salvação das pessoas caídas. Por pura misericórdia e graça, o Pai escolheu indivíduos para serem salvos (Rm 9:11-13; Ef 1:4; 2 Ts 2:13). Esses escolhidos Ele deu ao Seu Filho (Jo 6:37, 39; 17:6, 9, 24), que se comprometeu a realizar a salvação deles através de Sua missão encarnada e redentora (Mc 10:45; Jo 10:11). Em conformidade com esta agenda divina, o Espírito Santo é enviado ao mundo pelo Pai e pelo Filho (Jo 15:26; 16:5–15) para aplicar a obra de Cristo àqueles que o Pai deu ao Filho e por quem o Filho morreu.

Esta visão da expiação garante o sucesso do evangelismo. Deus tem um povo que será salvo infalivelmente através da pregação do evangelho. Ele os escolheu. Cristo morreu por eles. E o Espírito Santo os regenerará através da mensagem de salvação. Esta verdade manteve Paulo firme diante do desânimo em Corinto (At 18:9-10), e nos manterá firmes em nossos esforços evangelísticos hoje, não apenas no âmbito local, mas globalmente (Ap 5:9).


  Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Tom Ascol

Tom Ascol

O Dr. Tom Ascol é pastor titular da Grace Baptist Church em Cape Coral, Flórida. Ele é diretor executivo do Founders Ministries, uma organização comprometida com a reforma e avivamento nas igrejas locais. Ele é o editor do livro Amado Timóteo.