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Quem foi Mary Slessor?

Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.

Mary Slessor tem algo especial que a transformou em uma lenda. Quando faleceu, ela era tão famosa quanto David Livingstone, que foi um de seus exemplos. Hoje, seu nome ainda é muito respeitado tanto em Escócia, seu país natal (sua imagem apareceu em uma nota de £10 do Clydesdale Bank de 1997), quanto em seu campo missionário na Nigéria, onde ela é frequentemente lembrada como Obongawan Okoyong (Rainha de Okoyong). Foram construídas estátuas em sua homenagem, escolas e igrejas receberam seu nome.

No entanto, ainda que sua agência missionária reconhecesse seus feitos, ficaram perplexos com sua insistência em se aventurar nas florestas onde perigos naturais, tribos defensivas e um clima opressivo assustavam a maioria dos missionários europeus. Para piorar a situação, ela descartou muitas das precauções ocidentais típicas. Em seu esforço em se identificar com os nativos, ela andava descalça, bebia água não fervida e evitava a proteção de mosquiteiros e chapéus de sol. Para alguns estrangeiros, ela parecia “louca e perigosa”. 1

Porém, embora ela entendesse bem que o cronograma de Deus é diferente do nosso (“Cristo nunca teve pressa”,2 ela disse), Slessor tinha pouca paciência com as hesitações da agência missionária. Foi o desafio de levar o evangelho a uma população não alcançada que a fez se aproximar da junta missionária no início, e ela não iria se contentar em estar no conforto de uma cidade à beira-mar, junto aos outros missionários.

A formação de um missionário

Apesar de sua pequena estatura e personalidade tímida (tinha medo de atravessar uma rua sozinha ou estar num campo se houvesse uma vaca), Mary Slessor estava acostumada a desafios. Nasceu em 2 de dezembro de 1848, em Gilcomston, um subúrbio de Aberdeen, Escócia, ela tinha apenas dez anos quando o alcoolismo de seu pai e o consequente desemprego a forçaram a trabalhar como tecelã nas fábricas têxteis de Dundee para sustentar sua família. Contudo, após a jornada de trabalho de doze horas, ela encontrou tempo para aprimorar sua escassa educação e, mais tarde, servir como professora missionária na United Presbyterian Church local.

Em 1873, cativada pela enxurrada de notícias após a morte de David Livingstone, ela se inscreveu na junta de missões estrangeiras de sua denominação. Três anos depois, com apenas um treinamento mínimo, ela partiu para Duke Town, Calabar, perto da costa sudeste da atual Nigéria.

Depois de seguir o conselho da agência missionária, ela passou um tempo com as mulheres locais para aprender a língua delas, o efik. Mas ela ficou surpresa ao ver que nenhum deles havia se filiado à igreja ainda. “Se queremos formar os homens, é preciso fazer algo mais pelas mulheres daqui”, 3 disse ela. Ao longo de sua vida, ensinar as mulheres e melhorar sua condição oprimida continuou sendo um de seus principais compromissos.

Após dominar o idioma, ela pediu permissão ao conselho para se mudar para cinco quilômetros de distância do litoral, onde morava a maioria dos estrangeiros. Em 1885, quando sua mãe e irmã, seus últimos familiares sobreviventes, morreram, ela considerou seus laços com seu país natal irrevogavelmente rompidos: “O céu está agora mais perto de mim do que a Grã-Bretanha, E ninguém ficará ansioso por mim se eu for para o interior”. 4 E ela foi para o interior, e finalmente se estabeleceu no distrito de Okoyong.

Ela quase se casou em 1891, quando Charles Watt Morrison, um professor missionário escocês em Duke Town, dezoito anos mais novo que ela, a pediu em casamento enquanto ela estava de licença médica. Ao solicitar a aprovação da agência missionária, Slessor e Morrison especificaram que ele a acompanharia em Okoyong, e não o contrário. Ela deixou o assunto para o Senhor: “Se for para a Sua glória e para o benefício da Sua causa, ficarei agradecida por permitir que outro participe. Caso contrário, ainda tentarei ser agradecida, pois Ele sabe o que é melhor.” 5 Quando a agência missionária se recusou a permitir que Morrison se mudasse, o noivado foi cancelado.

A família de Slessor se tornou os gêmeos que tinha adotado para salvá-los da morte, já que algumas tribos africanas acreditavam que gêmeos eram resultado de uma união com espíritos malignos. Slessor se esforçou muito para impedir os assassinatos dessas crianças e de suas mães, até que o chefe local concordou em declarar esse costume ilegal.

Influência e legado

Slessor exerceu uma influência ainda maior sobre as leis e costumes locais a partir de 1892, quando o governo britânico, impressionado com sua interação com os moradores locais, a nomeou vice-cônsul da região, responsável pela tribunal local. Ela foi a primeira mulher a ocupar tal cargo. Em 1905, ela se tornou vice-presidente da corte nativa de Ikot Obong.

Para alguns observadores ocidentais, seus julgamentos pareciam pouco convencionais. “Ela era especialista em resolver brigas”, lembrou Mina Amess, que morou com Slessor por algum tempo e continuou parte de seu trabalho, durante uma entrevista. “Certa vez, ela disse a dois chefes guerreiros: ‘Vou furar a mão de vocês e a dele, e vocês poderão sugar o sangue um do outro.’” 6 No entanto, sua maior ênfase estava no evangelho que ela transmitia a todos que conhecia, e confiava no poder de Deus para transformar os corações.

Por fim, após anos de muito trabalho sob condições adversas, uma forma dolorosa e incapacitante de artrite reumatoide a forçou a ter longos períodos de descanso. Mesmo assim, ela permaneceu na sua função o máximo que pôde. Ela morreu de febre e disenteria em 13 de janeiro de 1915, aos sessenta e dois anos de idade.

Porém sua energia e visão continuaram com alguns dos missionários que ela treinou, e seus memoriais servem como um lembrete de que a igreja precisa estar pronta para sair de sua zona de conforto. Como James Luke escreveu no The Record em 1904: “Onde a igreja falhou, uma mulher assumiu a brecha”. 7 Mas Slessor teria expressado em termos mais simples: “Afinal, tudo se resume a isto: Cristo me enviou para pregar o evangelho, e Ele cuidará dos resultados”. 8


  1. Jeanette Hardage, Mary Slessor – Everybody’s Mother: The Era and Impact of a Victorian Missionary [Mary Slessor – A mãe de todos: a era e o impacto de uma missionária vitoriana] (Eugene, OR: Wipf & Stock Publishers, 2008), 123.
  2. W.P. Livingstone, Mary Slessor of Calabar: Pioneer Missionary  [Mary Slessor de Calabar: Missionária Pioneira] (Londres: Hodder and Stoughton, 1915), 27.
  3. Hardage, 20
  4. Livingstone, 51.
  5. Ibidem, 114.
  6. Rae Gourlay, “Looking Back: Memories of Mary Slessor,” Life and Work: The Magazine of the Church of Scotland [Olhar para trás: memórias de Mary Slessor”, Vida e obra: Revista da Igreja da Escócia], 22 de janeiro de 2021. https://www.lifeandwork.org/features/looking-back-i-worked-with-mary-slessor .
  7. Yvonne Yazbeck Haddad e Ellison Banks Findly, Women, Religion, and Social Change [Mulheres, religião e mudança social] (Nova York: State University of New York, 1985), 257.
  8. Livingstone, 155.

Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Simonetta Carr
Simonetta Carr
Simonetta Carr é autora de vários livros e biografias, entre eles seu livro mais recente, Anselm of Canterbury [Anselmo de Canterbury], que faz parte da série Biografias cristãs para jovens leitores.