
O vigia noturno
fevereiro 4, 2026A intercessão de Cristo por nós
Nota do Editor: Este artigo faz parte da série da revista Tabletalk: O Espírito Santo.
“Está consumado!” (Jo 19:30). Essas palavras confortam os cristãos há dois milênios, proclamam que Cristo realizou a expiação completa por todos os nossos pecados. Nenhum livro celebra esse “de uma vez por todas” mais do que Hebreus, com sua ênfase repetida de que Jesus é diferente dos sacerdotes do Antigo Testamento, que tinham que oferecer sacrifícios sem fim pelo pecado.
No entanto, Hebreus também nos diz que Jesus é “sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 7:17) e que ele “tem o seu sacerdócio imutável” (v. 24). A conclusão da obra expiatória de Jesus não foi a conclusão de Sua obra sacerdotal. O que Jesus está fazendo como Sacerdote hoje? O autor continua: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (v. 25). No centro do ministério sacerdotal contínuo de Jesus está Sua intercessão por Seu povo. Isso já havia sido prenunciado na obra dos sacerdotes levíticos. Seus deveres não eram apenas oferecer sacrifícios no altar de bronze no pátio do templo, mas também para entrar no tabernáculo, a casa de Deus, e queimar incenso no altar de ouro que havia ali dentro. O incenso que queimava constantemente como um aroma suave ante o estrado de Deus, era uma imagem da intercessão de Cristo.
Interceder significa simplesmente “pedir em favor de outro”. Embora a forma exata da intercessão celestial seja um tanto misteriosa para nós, temos a certeza de que Jesus intercede sem cessar pelas necessidades do Seu povo perante o Pai. Durante Seu ministério sacerdotal terreno, Cristo realizou a expiação; em Seu ministério sacerdotal celestial, Ele agora aplica essa expiação a nós e derrama seus benefícios. Imagine um médico que tem um armário cheio de todos os medicamentos que seus pacientes precisam. Os medicamentos foram comprados uma vez, porém serão dispensados ao longo do tempo. O mesmo acontece com Jesus, o grande Médico de nossas almas. Ele fez expiação de uma vez por todas e conquistou todas as bênçãos. Contudo, recebemos muitas dessas bênçãos ao longo de nossa jornada de volta para casa.
O que Jesus está orando por nós? Tudo o que precisamos para que sejamos “salv[os] totalmente”. Quanto maior for nosso entedimento do que Jesus conquistou na cruz, maior será nossa compreensão de Sua intercessão contínua. Talvez, quando pensamos na cruz, tendemos a nos concentrar — e com razão — nas bênçãos de sermos perdoados e justificados, declarados justos aos olhos de Deus. Se você é um crente, essas bênçãos foram conquistadas para você no Calvário. Entretanto, você não foi justificado há dois mil anos; senão no momento em que se tornou cristão, em um momento específico da história. Em última análise, não foi sua iniciativa, mas sim de Jesus, que aplicou a bênção da justificação à sua vida. Se você está seguindo a Cristo hoje, é porque Ele se apresentou diante do Pai e pediu que Sua justiça fosse creditada a você, que você fosse contado como “nEle”.
Como no início da vida cristã, assim também em sua jornada. A justificação é uma bênção “de uma vez por todas”: não precisamos ser justificados de novo. Jesus conquistou todas as bênçãos para nós. À medida que caminhamos pelos muitos perigos, fadigas e armadilhas desta vida, precisamos de graça constante. Graça para resistir à tentação, graça para perseverar quando parece que estamos quase sobrecarregados, graça para perseverar quando nossa fé está enfraquecendo. Deus, em Sua sabedoria, organizou a vida cristã de modo que não nos tornamos perfeitos instantaneamente no momento em que nos tornamos Seus filhos. Em vez disso, com o tempo, aprendemos a depender dEle e crescemos em fé, esperança e amor. Cada passo adiante é, no fim das contas, o resultado do pedido de Jesus ao Pai pela graça de que precisamos naquele dia.
Por conseguinte, a intercessão de Jesus nos ajuda a ver quão pessoal é o Seu cuidado por nós. Pode ser fácil acreditar na ideia de que Jesus morreu por nós, retornou ao céu e deixou de atuar ativamente na salvação do Seu povo. Ele fez a Sua parte, agora depende de nós. Mas não. Observe outra vez a linguagem de Hebreus: Ele vive “sempre para interceder por eles.” Sempre . Jesus jamais se ausenta, nunca perde de vista nenhum de seus irmãos e irmãs, nunca se torna indiferente às nossas batalhas diárias. Ele conhece nossos corações, nossas lutas e Ele se importa. Ele se importa tanto que está constantemente intercedendo por nós, para garantir que recebamos exatamente o que precisamos.
Esse é um tremendo incentivo para o povo de Deus. Nos perguntamos se estamos orando pelas coisas certas, mas Cristo é o mais sábio de todos os homens, então Ele sabe bem o que pedir ao Pai em nosso favor. Temos medo de que nossas orações não sejam ouvidas, contudo, o Pai se deleita em honrar Seu Filho, então as súplicas de Cristo sempre serão bem recebidas. Ficamos cansados, distraídos e frios em nossas orações, porém o Cristo ressuscitado, está constantemente intercedendo por nós. Caímos em pecado, mas Cristo já está defendendo nossa causa, e aplica o sangue do Calvário para nosso perdão. Cristo, de fato, tem muito mais compaixão, piedade e amor por nós do que temos por nós mesmos. Graças a Deus, Ele está mais comprometido com nossa chegada segura em casa do que nós. Esta é uma verdadeira segurança e conforto para o cristão em dificuldades: minha esperança não repousa no fervor e na pureza da minha vida de oração, mas na do Senhor Jesus Cristo. Lá Ele está sentado, entronizado no céu, acima de todos os anjos, arcanjos e querubins, contudo, cheio de compaixão pelas ovelhas pecadoras e em dificuldades.
Uma última reflexão. Não é que Jesus precise forçar Seu Pai a nos conceder bênçãos. “Pede-me, e eu te darei as nações por herança” (Sl 2:8). O Pai e o Filho, com alegria, concordaram que Jesus intercedesse por um povo salvo. E agora, Pai e Filho se deleitam em derramar sobre esse povo bênçãos compradas na cruz e repletas de graça, derramadas do céu por meio das orações do Filho de Deus.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

