
O que há de tão especial na adoração?
fevereiro 2, 2026O vigia noturno
Nota do Editor: Este artigo faz parte da série da revista Tabletalk: O Espírito Santo.
Situada em uma colina suíça, a Catedral de Lausanne parece um antigo vigia. Abaixo, as casas estão próximas umas das outras até as margens do Lago Genebra. Durante séculos, os sinos da catedral tocaram, orientando a hora para os que moravam na cidade.
Em uma noite fria de outubro de 1405, os sinos tocaram com urgência. Um incêndio havia começado e estava se espalhando depressa de uma casa de madeira para outra. Os sinos incitaram todos à ação, e um vigia noturno foi colocado na torre do sino para observar novos incêndios.
Mais de seiscentos anos se passaram desde aquela noite devastadora, porém não houve uma noite sem um vigia. Quando o sino sinalizava a passagem da hora, ele formava um megafone com as mãos e bradava: “Aqui é o vigia! O sino tocou!”, isso informava aos moradores da cidade que tudo estava bem. A segurança deles dependia da vigilância dele.
Embora nosso coração não seja feito de paredes de madeira ou telhados de palha, o seu desejo é rápido em pegar fogo e precisa de vigilância. O coração impulsiona nossas ações, palavras e trajetória de vida: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4:23). Essa vigilância é gerado pela humildade, da percepção de que o nosso coração é novo em Cristo, mas ainda é veloz em acomodar o pecado e precisa ser exercitado em obediência e dependência de Deus. “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne” (Rm 13:14).
O pastor puritano John Flavel aconselhou: “Guardar e guiar bem o coração em todas as condições é a principal missão da vida cristã.” À primeira vista, isso parece apelar ao nosso apetite moderno por autoanálise, contudo, essa “guarda do coração” é muito diferente. Trata-se de examinar o próprio coração para discernir o que deve ser eliminado, abandonado e confessado em arrependimento, a fim de sermos renovados em Cristo e exercitados em uma vida fiel.
A vigilância acontece com fé e vulnerabilidade e pede ao Espírito Santo para sondar nossos corações e nos ajudar a ver. É reconhecer que o comentário sarcástico pode estar enraizado na amargura, a adoração indiferente pode estar enraizada no amor pelos ídolos do nosso coração, o medo pode estar enraizado na falta de confiança no caráter de Deus e o relacionamento tenso pode estar enraizado na incapacidade de amar. É um olhar honesto sobre o orgulho que aparece em nossas vidas como egoísmo, ingratidão ou egocentrismo.
O reconhecimento surge quando a Palavra brilha em nosso coração e o Espírito Santo renova nossa mente, para estimular o arrependimento e a obediência. É uma disciplina que nasce não do ódio a si mesmo, mas do amor em resposta ao amor de Deus por nós e da confiança no que Ele declara sobre nosso coração: somos novos em Cristo, porém o pecado ainda persiste em nós. Nosso coração precisa de vigilância e Sua preservação.
O vigia talvez tinha muitas coisas para distraí-lo: pombos fazendo ninhos, o pôr do sol, pessoas agitadas na cidade, sonolência. Também temos muitas coisas que exigem nossa atenção, entretanto, em meio a toda essa correria, preservar o coração é crucial à medida que olhamos para Jesus em arrependimento, fé e alegria.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

