
Por que cantamos no Natal?
outubro 30, 2026Como devemos tirar proveito de nosso batismo?
A rainha uma vez deixou seu filho em uma festa de aniversário e, em seguida, lhe disse: “Lembre-se, príncipe: filhos reais têm maneiras reais.”
É nosso dever, como cristãos, honrar nosso nome como aqueles que pertencem ao sacerdócio real, como cidadãos da nação santa do Rei celestial (1 Pe 2:9). O batismo pode ser visto como uma espécie de “nova certidão de nascimento”, que serve como um testemunho sólido de que somos selados com o próprio nome do Deus triúno (Mt 28:19).
O Catecismo Maior de Westminster pergunta: “Como devemos tirar proveito de nosso batismo?” (P&R 167). Para ser claro, o nome que nos foi concedido no nosso batismo não necessita de qualquer melhoria, pois é o nome perfeito e totalmente suficiente do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Contudo a apreciação e apropriação do crente pelo poder salvífico deste nome divino pode e deve crescer ao longo da vida.
Então, como devemos tirar proveito de nosso batismo?
1. Lembramos o presente que é o batismo.
O batismo é um sinal e selo da graça concedida pelo Senhor ressuscitado à Sua igreja. O batismo marca um “momento decisivo” para aqueles que o recebem. Dessa forma, é paralelo à experiência de Israel atravessando o Mar Vermelho em terra seca durante seu Êxodo do Egito (veja 1 Co 10:1-2). Para o povo da aliança, esquecer uma libertação de um perigo tão mortal deveria ser impensável. Da mesma forma, recordar nosso batismo é compreender seu significado: pela fé, somos identificados com Cristo em Sua morte e em Sua ressurreição (Rm 6:1-4). Lembrar-se do próprio batismo, então, é uma maneira de ser movido pela certeza:
O meu único fundamento é meu fiel Salvador Jesus Cristo.
A ele pertenço, de corpo e alma, na vida e na morte,
e não pertenço a mim mesmo (Catecismo de Heidelberg 1).
2. Continuamos a confessar nossos pecados diante do Senhor.
Agostinho escreveu: “Testemunhe a oração de toda a cidade de Deus em seu estado de peregrinação, pois clama a Deus pela boca de todos os seus membros: ‘perdoa-nos as nossas dívidas,assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.’” Como aqueles que são batizados, não devemos acreditar na mentira de que estamos sem pecado; ao contrário, devemos reconhecer e admitir esses pecados com penitência diante do Pai (1 Jo 1:8-9).
Muitas vezes acontece que, ao realizar tarefas domésticas, não se percebe o quão sujo algo está até chegar a hora de limpar. Quanto mais em relação à nossa caminhada cristã: é ao iluminar os cantos e recantos de nossos corações com a luz da Palavra de Deus que vemos quão profunda é a nossa contaminação. E ao lembrarmos do nosso batismo, também somos confortados pela promessa de Deus ao enfrentar a profundidade de nossos pecados: “Ele dá maior graça” (Tg 4:6).
3. Buscamos apreender o poder santificador de Deus dentro de nós.
Há muita conversa em nossa cultura mais ampla sobre uma potencial escassez de energia e a busca por fontes confiáveis de energia para nossas necessidades tecnológicas e de transporte. Contudo, com respeito à vida cristã, nós, como santos, temos o dinamismo e a força de ressurreição inesgotáveis do próprio Cristo operando dentro de nós (Ef 1:19-20). De fato, lembrar do nosso batismo deve levar a uma ousadia e destemor em nosso “combate o bom combate” (1 Tm 6:12). Não há inimigo que possamos encontrar diante do qual sejamos superados. Isso se aplica a inimigos tanto visíveis quanto invisíveis, abaixo e acima. Não é que levemos nossos próprios músculos inchados e artes marciais para o ringue, mas que Cristo, através de Sua Palavra (incluso em nosso batismo), nos dá confiança: “Porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13:5).
4. Lembramos que nenhum de nós está ou caminha sozinho.
O batismo é o ato de incorporação de Deus: que nos une como muitos membros em um só corpo (1 Co 12:13). Assim, o batismo nos chama a valorizar os diversos dons e funções dos outros na igreja, pois cada um contribui para o bem-estar e crescimento de todo o corpo (1 Co 12:14-31). No conhecido poema de Shakespeare, “O mundo é um palco”, a vida humana é vista como uma peça dividida em sete atos, e em cada idade e estação, “ele desempenha seu papel.” Porém o batismo nos lança em um papel não tanto de protagonismo, mas de serviço. Devemos estar atentos para “desempenhar nosso papel” para apoiar e edificar enquanto buscamos o bem comum da igreja, e priorizá-lo sobre nossas próprias preferências individuais. Isso é essencial para o que significa “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça” (Mt 6:33).
O batismo tem um propósito vocacional em nosso discipulado, pois Cristo através dele nos chama: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9:23).
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

