Como manter nossa distinção - Ministério Ligonier
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Como manter nossa distinção

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Nota do editor: Este é o sexto de 19 capítulos da série da revista Tabletalk: Sal e luz.

A vida cristã nunca foi feita para ser vivida sozinha. Embora Deus nos regenere individualmente, o caminho de crescimento e maturidade que Ele designou requer seguir a Cristo junto com outros crentes em uma igreja. O crescimento e a maturidade cristã acontecem no contexto de relacionamentos comprometidos que surgem nas congregações locais. Ou seja, é preciso uma igreja para criar um cristão.

Nenhum crente, não importa quão experiente ou bem ensinado, pode enfrentar os desafios da vida cristã por conta própria. A estrada é muito longa, a oposição muito grande e nossas fraquezas muito perniciosas para qualquer crente permanecer no caminho da fidelidade sem a assistência capacitada pelo Espírito de irmãos e irmãs que estão viajando para a cidade celestial conosco.

Jesus expressa a Seus seguidores que somos o “sal da terra” e a “luz do mundo” (Mt 5:13-16). Essas metáforas ilustram maneiras pelas quais os cristãos devem se relacionar com o mundo incrédulo. Tanto o sal quanto a luz causam impacto em seus ambientes, retardando a putrefação e dissipando a escuridão, respectivamente. O apóstolo Paulo enfatiza esse aspecto do chamado dos cristãos quando descreve os crentes que vivem em uma “geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2:15).

No centro dessa responsabilidade está nosso dever de viver como filhos fiéis de Deus que recomendam com precisão Sua graça salvadora em Cristo e refletem Seu caráter para o mundo. “Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1:15-16). Este é o chamado de todo cristão individual, e é o chamado de toda igreja.

De fato, todas as Escrituras citadas acima estão no plural. O chamado à santidade pertence não apenas aos crentes individualmente, mas também às congregações locais. Quando uma igreja falha em cumprir esse chamado, ela prejudica as boas novas da salvação que proclama e desonra o nome de Jesus Cristo.

A igreja em Corinto aprendeu isso da maneira mais difícil quando permitiu que pecados escandalosos não fossem corrigidos entre seus membros. Sua apatia espiritual sobre a reputação do Senhor trouxe uma repreensão apostólica:

Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou? (1 Co 5:1-2).

Os crentes coríntios, sem dúvida, pensavam que estavam sendo amorosos e não julgavam na presença desse pecado escandaloso entre seus membros. Estavam orgulhosos de sua tolerância quando deveriam estar tristes com o surgimento de tal pecado entre eles. No restante do capítulo, Paulo corrige o pensamento defeituoso deles sobre pecado, tolerância e santidade.

Quando uma igreja tolera o pecado impenitente entre seus membros, demonstra falta de amor por aquele que está pecando, pelos não convertidos e por Deus.

Uma igreja é o contexto no qual cristãos individuais são ensinados, fortalecidos e encorajados a crescer na graça e no conhecimento de Cristo. Irmãos e irmãs que nos conhecem e nos amam, nos ajudam a superar as inevitáveis idiossincrasias que acompanham todo crente, bem como a resistir às tentações regulares que afligem a todos nós. Nos ajudam a viver com fé e arrependimento.

Quando esse tipo de cuidado mútuo e encorajamento é comum em uma igreja, o poder do evangelho é exibido aos incrédulos. A verdade de nossa mensagem recebe credibilidade pelo caráter de nossas vidas, fornecendo assim uma poderosa apologética para o evangelho.

Por fim, e mais importante, quando os membros da igreja se amam o suficiente para se responsabilizarem mutuamente por uma vida santa, demonstram que amam a Deus e Sua glória mais do que amam seu próprio bem-estar, sua reputação ou outras pessoas. Tal amor supremo a Deus compelirá uma igreja a obedecer ao mandamento apostólico de entregar membros impenitentes a Satanás (1 Co 5:5).

Ao amar a Deus sobre tudo e amar as pessoas de maneira sincera, uma igreja manterá sua distinção do mundo. Estará devidamente posicionada para cumprir a missão que o Senhor nos deu. Como um povo santo, podemos com humildade chamar os pecadores para se juntarem a nós na reconciliação com o Deus santo por meio de Seu Filho, Jesus Cristo.

Somente estando separada do mundo uma igreja pode viver efetivamente no mundo, para o mundo.


Este artigo foi publicado originalmente na Tabletalk Magazine.

Tom Ascol
Tom Ascol
O Dr. Tom Ascol é pastor titular da Grace Baptist Church em Cape Coral, Flórida. Ele é diretor executivo do Founders Ministries, uma organização comprometida com a reforma e avivamento nas igrejas locais. Ele é o editor do livro Amado Timóteo.