O Filho de Davi | Ministério Ligonier
O cetro de Judá
maio 18, 2022
O Sacerdote eterno
maio 20, 2022

O Filho de Davi

Você já percebeu a quantidade de ofertas por sistemas de segurança que bombardeiam os proprietários de imóveis? Pelo menos na Flórida Central, elas parecem estar por todo canto. Anúncios de sistemas de segurança para o lar são transmitidos regularmente durante os intervalos comerciais no rádio. Ao longo dos anos, minha caixa de correspondência recebeu inúmeros panfletos que ofereciam a instalação e ativação de sistemas de alarme para o lar. E você não imagina o número de vendedores que tocaram minha campainha na esperança de me convencer a adquirir proteção monitorada para a minha casa.

Existem também soluções menos tecnológicas de segurança. Trancamos nossas portas. Temos cães de guarda. Colocamos cercas em torno de nossos quintais. Qualquer outra coisa que possamos dizer sobre essas medidas, elas provam uma coisa: queremos segurança.

O desejo por segurança era particularmente intenso no mundo antigo, especialmente em Israel. Por estar em um pedaço de terra onde três continentes —África, Ásia e Europa— se encontram, Israel estava em constante perigo de ser conquistada por outros que valorizavam sua posição geográfica estratégica. E para a família real, a necessidade de segurança alcançou um outro nível. Era preciso tanto proteger a nação quanto a dinastia real. Sempre alguém queria tomar o seu trono.

A promessa de segurança foi proeminente no estabelecimento da aliança davídica por Deus, que está registrada em 2 Samuel 7:1-17. Deus fez uma promessa chave na aliança com o rei Davi: “a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre” (v. 16). Davi não só recebe um reino seguro com um trono eterno, mas também o seu reino será “estabelecido para sempre (diante de Deus).” A casa de Davi finalmente estará segura não apenas dos seus inimigos mas também da ira santa do próprio Deus.

Mais é prometido aqui do que simplesmente que a família de Davi terá sempre um homem no trono em Jerusalém (2 Sm. 7:15). Quando até mesmo as falhas dos descendentes piedosos de Davi, Ezequias e Josias, tornam a queda de Judá e o exílio para Babilônia inevitável (2 Rs. 20:12-19; 2 Cr. 35:20-27), fica claro que o trono de Davi não pode durar se for mantido por meros pecadores. Será necessário um filho de Davi supremamente justo para manter o trono do reino e dar-lhe segurança duradoura contra seus inimigos. É necessário um filho de Davi perfeitamente santo para edificar uma casa duradoura ao nome de Deus (v. 13). Apesar de Salomão ter construído um templo para Deus em Jerusalém, não poderia ser esse filho, pois caiu em idolatria, e além disso, o templo que ele construiu foi destruído pela Babilônia (1 Rs. 3 — 11; 2 Rs. 24).

Além disso, a promessa de Deus de um amor eterno pela linhagem de Davi não significa que essa linhagem fique impune quando cai em pecado. Deus irá castigar a linhagem de Davi “com varas de homens e com açoites de filhos de homens” (2 Sm. 7:14). Mas a promessa aqui não é só que a linhagem de Davi sofrerá derrota de outros reis quando for desobediente. O mesmo versículo que promete disciplina também promete que os filhos de Davi serão considerados filhos de Deus (v. 14). E quem mais no Antigo Testamento é considerado como filho de Deus? Seu povo, Israel (Os. 11:1). A linhagem de Davi pode representar toda a nação. Eles são, por assim dizer, intercambiáveis, pois ambos são filhos de Deus. O que acontece com o filho de Davi acontece com a nação. Vemos isso claramente no caso do rei Manassés, que foi punido pelo pecado e levado ao exílio apenas para ser trazido de volta a Jerusalém (2 Cr. 33:10-13). A mesma coisa aconteceria depois aos filhos de Judá, isto é, o povo de Deus Israel (2 Cr. 36:17-23).

Juntando esses fatos, nós vemos as sombras de um Rei vindouro. Esse Rei será perfeitamente justo e capaz de manter o trono de Davi. Mas esse Rei também irá suportar a punição de Deus pelo pecado, indo ao exílio pelo pecado e retornando a bênção de Deus que é a vida. E como consequência disso, aqueles a quem Ele representa são contados como tendo sofrido exílio e que retornarão à vida também. Isso está começando a soar familiar, não é mesmo? Estamos falando, é claro, sobre o último Filho de Davi, Cristo Jesus, nosso Senhor. Ele é o filho de Davi perfeitamente justo que entra no exílio do julgamento de Deus, suportando a ira de Deus, para garantir a ressurreição do Seu povo, Israel (Is. 53; Mt. 1:1-14; 2 Co. 5:21). E Ele mantém o trono de Davi para sempre (At. 2:1-36).

Há outro filho de Deus mencionado no Antigo Testamento: Adão, o pai de toda a raça humana (Lc. 3:38). Como Filho de Deus, Jesus pode representar também aos descendentes de Adão, suportando o exílio do julgamento de Deus a fim de que todos que confiam em Cristo dentre os gentios possam ter também a garantia de vida eterna ressurreta. Pela fé, judeu e gentio podem se unir ao povo de Deus Israel e receber a benção de proteção e segurança para sempre.

Este artigo foi publicado originalmente na Tabletalk Magazine.

Robert Rothwell
Robert Rothwell
Robert Rothwell é editor associado da revista Tabletalk, escritor sênior do Ministério Ligonier e professor adjunto permanente no Reformation Bible College em Sanford, Flórida.