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setembro 23, 2026O que é a ira de Deus?
A ira de Deus é a resposta do nosso Deus santo e justo contra o pecado e os pecadores que não foram cobertos pela expiação de Cristo. Embora muitas pessoas não gostem de pensar em Deus como cheio de ira, as Escrituras com frequência se referem ao exercício da ira do Senhor contra a maldade. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento testificam bastante que Deus executa a ira sobre a injustiça (veja Dt 9:8; 2 Rs 23:26; Sl 21:9; 90:11; Is 13:9; Mq 5:15; Sf 1:18; Jo 3:36; Rm 1:18; Ef 5:6; Ap 16:1).
A ira divina e os atributos de Deus
Deus executa Sua ira sobre a injustiça por causa de quem Ele é. As Escrituras testificam que Deus é justo e reto (Dt 32:4; Dn 9:14; Rm 1:17; Ap 15:3). Ele não poderia ser justo e reto se não punisse o mal e os malfeitores, então o derramamento de Sua ira sobre o pecado é totalmente consistente com Seu caráter justo. Os pecadores devem pagar por seus crimes, e Deus não pode absolver os culpados sem executar Sua justa ira, para que Ele não seja injusto (Êx 34:6-9). Deus é amor (1 Jo 4:7-8), e uma das coisas que Ele ama é a justiça (Sl 33:5). Como Deus é perfeito, Seu amor pela justiça deve ser perfeito; consequentemente, Ele deve odiar “o caminho do perverso” (Pv 15:9; veja também Dt 32:4).
O Senhor não pode mostrar ira a menos que haja pecado, e não pode haver pecado sem a existência de criaturas que pecam. Portanto, a ira divina não pode ser manifestada sem a criação e sua queda no pecado. Por essa razão, muitos teólogos classificaram a ira como um atributo divino relativo e não um atributo divino absoluto. Um atributo divino absoluto é um atributo de Deus que seria evidente ou exercido mesmo que o Senhor nunca tivesse criado nada. Atributos divinos absolutos incluem coisas como a eternidade e a onisciência. Independentemente de Deus ter criado ou não o universo, Ele seria eterno e onisciente.
Atributos divinos relativos não são exibidos a menos que haja algo fora de Deus com o qual Ele possa se relacionar. Como mencionado acima, a ira é um atributo divino relativo porque, se não houvesse pecadores, não haveria manifestação da ira divina. No entanto, não é que a ira (ou qualquer outro atributo divino relativo) seja algo que Deus adquire em virtude da criação. Deus responde ao pecado com ira por virtude de quem Ele é inerentemente: bom e justo. A ira divina se manifesta, pois a criatura mudou e se tornou pecadora, não porque o próprio Deus muda. Os pecadores experimentam a ira quando se apresentam diante do Deus inerentemente justo, não porque o Senhor adquire um novo atributo na queda. Afinal, Deus não pode mudar (Ml 3:6).
A experiência da ira de Deus
As Escrituras deixam claro que a ira de Deus é terrível. A Bíblia costuma falar sobre o calor ardente da ira de Deus (Êx 32:11; Lm 4:11), e até descreve o lugar da ira eterna de Deus sobre os pecadores que nunca se afastam de seu pecado para Cristo como um “lago de fogo” (Ap 20:10). A partir de Isaías 66:24, Jesus expressa que no inferno, “onde não lhes morre o verme” (Mr 9:42-49). Com esta imagem, nosso Salvador retrata o juízo de Deus como uma destruição interminável do pecador. Os profetas e apóstolos falam de grande destruição no “dia do Senhor”, que pode se referir ao derramamento do juízo de Deus em momentos específicos da história, bem como ao Seu julgamento final no fim dos tempos (Is 13:6; Ez 30:3; Jl 1:15; 2 Pe 3:10).
Por causa das descrições mencionadas, muitas pessoas talvez pensam na ira de Deus consistindo apenas em espetaculares e ardentes demonstrações de juízo. Contudo, é importante que tais demonstrações de juízo são de fato a consumação da ira que foi primeiramente derramada muito antes. Textos como Romanos 1:18-32 indicam que Deus com frequência não executa Sua ira de uma só vez, mas ao longo do tempo. Sua ira, Paulo nos comenta, consiste em entregar as pessoas ao seu pecado e permitir que se aprofundem mais nele. Deus costuma permitir que pecadores impenitentes se envolvam no pecado que desejam muito antes de esmagá-lo em um juízo ardente. Deus, em Sua ira, entregará o impenitente ao seu pecado.
Esperança para aqueles sob a ira de Deus
Há um dia final de ira que virá sobre os pecadores. Graças a Deus, Ele também é misericordioso e providenciou Jesus Cristo para nos salvar da ira que está por vir (1 Ts 1:10). Jesus Cristo é Deus Filho, que se encarnou para suportar a penalidade do nosso justo Deus contra o pecado. Em Jesus Cristo, Deus derrama Sua ira, levando-a sobre Si mesmo. Ele assim se mostra justo, pois o pecado é punido em Cristo, e também cheio de misericórdia, já que a expiação de Cristo significa que Ele agora pode ser propício ou favorável, aos pecadores que se afastam de seus pecados e confiam em Jesus (Rm 3:21-31). O Senhor se deleita em mostrar amor constante e misericórdia (Mq 7:18), e todos os que descansam em Jesus somente para a salvação serão salvos completamente da ira eterna de Deus (Hb 7:25).
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

