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setembro 21, 2026A natureza humana é em essência boa ou totalmente pecaminosa?
A ideia de que as pessoas são em essência boas por natureza ecoa a antiga heresia pelagiana, que afirmava que o pecado de Adão afetou apenas Adão. Segundo essa visão, a natureza humana não foi afetada pela queda de Adão. As Escrituras ensinam o contrário, ao afirmar que o pecado de Adão afetou toda a sua posteridade natural (Rm 5:12-14). Por natureza, os seres humanos são “filhos da ira” (Ef 2:3). Este é o ponto teológico por trás da frase depravação total: o T em TULIP (Total Depravity). Em outras palavras, o pecado corrompeu todos nós (exceto Jesus) no coração, mente, corpo e alma. Esta doutrina encontramos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (p. ex., Gn 6:5; Sl 14:1-3; 143:2; Ec 7:20; Is 64:6; Mr 7:18-23; Rm 1:21-32; 3:10-18, 23; 8:5-8; Gl 4:3; Ef 2:1-3; 4:17-19; Tt 3:3).
Os cristãos podem ficar confusos, porque as Escrituras ensinam que os seres humanos foram criados por Deus à Sua imagem (Gn 1:26-27), e Deus chama de bom tudo o que Ele criou (v. 31). Se tudo o que Deus criou é bom, e se Deus criou a natureza humana, então a natureza humana não é necessariamente boa? Sim. Conforme originalmente criada, a natureza humana era boa. No entanto, parte da natureza humana é a vontade humana. Os primeiros seres humanos tinham a responsabilidade de alinhar suas vontades criadas perfeitamente com a vontade de Deus: obedecê-lo. Em vez disso, desobedeceram a Deus. Como Satanás, voltaram sua vontade, por assim dizer, perpendicular à vontade de Deus, introduziram o pecado e a miséria no mundo e em suas próprias naturezas. Em outras palavras, eles pecaram. Quando fizeram isso, a natureza humana foi distorcida e corrompida. Assim todas as pessoas agora nascem com uma natureza humana corrompida e caída. Os seres humanos agora nascem escravos do pecado.
É por isso que a afirmação de que “todos pecam um pouco” também está incorreta. Tendemos a nos medir em relação a outros seres humanos, e gostamos de escolher os piores espécimes absolutos para comparação. Gostamos de nos comparar a pessoas como Adolf Hitler, Joseph Stalin ou Mao Zedong. É fácil nos sentirmos bem conosco se o padrão for se abster de matar milhões de pessoas. Porém este não é o padrão pelo qual a Palavra de Deus mede o pecado. O padrão é a vontade de Deus, e o requisito é a obediência perfeita a essa vontade. “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2:10; veja Gl 3:10).
A questão não é: você se absteve de assassinar milhões hoje? A questão é: você amou perfeitamente “o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” hoje, e amou perfeitamente “o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22:37-39)? Com que frequência você falhou em fazer isso perfeitamente? Foi apenas “um pouco”? Não. Falhamos em fazer isso muito, e isso significa que pecamos muito. É por isso que precisamos da justiça perfeita de Jesus Cristo. Ele é o único que já cumpriu perfeitamente a lei.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

