
Qual promessa Jesus deu antes de Sua ascensão?
outubro 4, 2026O que significa estar “em Cristo”?
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra; nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória (Ef 1:3-14).
Quando as pessoas perguntam sobre sua fé, como você se descreve? É provável que você diga: “Sou presbiteriano” ou “batista”? Ou talvez, “sou episcopal”? Ou quem sabe você diga apenas: “Sou cristão”?
Provavelmente nunca passa pela cabeça da maioria de nós que, se pudéssemos pedir aos crentes dos dias do Novo Testamento para se descreverem, talvez nunca responderiam: “Somos cristãos.” Na verdade, a palavra cristão aparece apenas três vezes no Novo Testamento. Os discípulos foram chamados de “cristãos” pela primeira vez em Antioquia (At 11:26). Mais tarde, o rei Agripa parece quase pronunciar a palavra com desgosto quando pergunta ao apóstolo Paulo: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (At 26:28). E mais tarde, em sua primeira carta, Simão Pedro fala sobre o sofrimento de alguém como “cristã” (1 Pe 4:16).
Nesses três contextos, cristão é provavelmente um termo pejorativo, até mesmo “discurso de ódio” criado por opositores do evangelho, assim como o termo puritano era no século XVII. É bem provável que tenha sido dita quase com repulsa, como acontece hoje com a palavra ‘fundamentalista’. Estes são “termos de ódio”. Se foi assim que a palavra cristão entrou pela primeira vez em uso comum, não é surpreendente que em Atos dos Apóstolos, Lucas escolha usar a palavra “discípulo” (p. ex., em At 6:1; há mais de duas dúzias de exemplos) ou ocasionalmente descreva os crentes como seguidores do “Caminho” (At 9:2; 22:4; 24:14), já que eles seguiam Aquele que disse: “Eu sou o caminho” (Jo 14:6).
Porém, se você perguntasse a Paulo: “Como você se considera?”, sua resposta talvez não teria sido nenhuma das acima, senão: “Sou um homem em Cristo.”
Lembro-me, quando era um adolescente, de ler 2 Coríntios 12:1-10, a passagem em que Paulo fala sobre as revelações extraordinárias que recebeu e o espinho na carne que o impediu de se orgulhar. Ao introduzir a passagem, ele expressa que uma vez conheceu “um homem em Cristo” que teve revelações extraordinárias da maravilha e graça divina, tão notáveis que sentiu que seria ilegítimo descrevê-las a outros. Lembro-me de me perguntar: “Quem é esse ‘homem em Cristo’ de quem Paulo está falando?” Talvez fosse lento em pensamento, entretanto só aos poucos percebi qual era a resposta: Paulo está falando sobre si mesmo! É assim, de forma simples, que ele se descreve, pois é a maneira fundamental como ele se considera. Ele é “um homem em Cristo.”
Registre essas duas palavras “em Cristo” e seus equivalentes (p. ex., “nele”) em sua mente. Em seguida, dê uma rápida olhada nas sessenta ou mais páginas da sua Bíblia que contêm as treze cartas de Paulo. Você encontrará a expressão “em Cristo” ou uma variante dela mais de oitenta vezes. Expressões equivalentes “no Senhor” (ou às vezes “no Senhor Jesus”) praticamente dobram esse número.
Se você nunca percebeu isso antes, sem dúvida ficará surpreso com a frequência com que Paulo usa essas expressões e se perguntará como nunca prestou muita atenção nelas. Contudo, é possível ter lido as cartas de Paulo por anos, até mesmo décadas, sem notar a importância dessa pequena expressão preposicional que é claramente sua maneira simples de descrever o que significa ser cristão.
Essas duas palavras, a preposição “em” seguida do título “Cristo”, formam o tema central destas páginas. Ao final do livro, você poderia ser perdoado por pensar que esta é a mais longa exposição de duas palavras que você já leu! Entretanto, estas páginas ainda apenas arranharão a superfície desta rica e maravilhosa doutrina. Mas espero que elas o encorajem a ver, a partir de vários ângulos bíblicos, o que significa estar “em Cristo”. Se você pertence a Ele, é isso que você real e verdadeiramente é, todos os dias da sua vida, um homem ou uma mulher que está “em Cristo”.
Um estudioso do Novo Testamento apontou que no filme O poderoso chefão, a palavra máfia nunca é usada, e ainda assim é a pressuposição subjacente de todo o filme. De maneira semelhante, mesmo quando essa fraseologia específica “em Cristo” não é usada, o que ela significa é fundamental para tudo o que o apóstolo Paulo tem a dizer sobre viver a vida cristã. E mais do que isso, também resolve muitas das questões que afligem o crente individual ou toda a congregação.
O Novo Testamento nunca define o que significa “em Cristo”. A melhor maneira de compreender seu significado é refletir sobre várias passagens que descrevem o que está envolvido nisso. Aqui, nossa tarefa principal é nos introduzir à importância de estar “em Cristo”. Uma das melhores maneiras de fazer isso é refletindo sobre sua presença no primeiro capítulo da carta de Paulo aos Efésios.
Constantine R. Campbell, Paul and Union with Christ: An Exegetical and Theological Study (Zondervan, 2012), 24n4
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

