Pastorear com disciplina amorosa - Ministério Ligonier
A devoção de Cristo à Sua Igreja
junho 5, 2024
Anseio pelo lar
junho 10, 2024
A devoção de Cristo à Sua Igreja
junho 5, 2024
Anseio pelo lar
junho 10, 2024

Pastorear com disciplina amorosa

Nota do editor: Este artigo faz parte da série da revista Tabletalk: Os últimos tempos.

Nesta era de tolerância desenfreada, as pessoas se perguntam como a disciplina da igreja é amorosa. Consideram que confrontar as pessoas por causa das escolhas que fizeram é desrespeitoso com a identidade, a dignidade e a liberdade da pessoa. Assim, os líderes da igreja que responsabilizam as pessoas pelo pecado — e até mesmo chamam isso de uma marca da igreja — parecem não ser amorosos.

Uma metáfora recorrente ajudará. Se um lobo ataca um rebanho e começa a devastar as ovelhas, é amoroso para o pastor deixá-lo atacar sem oposição? Ou, se uma ovelha se perde em um perigo, é uma demonstração de cuidado apenas deixá-la ir? O pastor tem o dever de proteger as ovelhas de ataques inimigos e da separação do rebanho.

Essa metáfora é retratada em uma passagem familiar das Escrituras. O salmista confessa que o Senhor é seu pastor e depois afirma que “o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Sl 23:4). Esses dois implementos falam do duplo dever de nosso Pastor que Seus fiéis pastores auxiliares também devem exercer.

A vara protetora do conforto

Os antigos pastores carregavam uma vara (bordão), que era um bastão de madeira resistente usado para afugentar animais selvagens. Esse bastão representa a proteção do Senhor sobre Seu povo. O Senhor age para proteger Seu rebanho.

Paulo alertou os anciãos de Éfeso sobre esse perigo quando declarou: “Penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (At 20:28-29). Paulo explicou que esses falsos mestres falariam “coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (At 20:30). Os presbíteros devem estar alertas e proteger a Igreja desse tipo de maldade. Paulo insistiu que esses lobos “é preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras” (Tt 1:11).

Os presbíteros da igreja devem confrontar pessoas orgulhosas e rebeldes que se apresentam como lobos vestidos em pele de cordeiro. Quando pervertem os ensinamentos das Escrituras, promovem práticas legalistas ou atuam contra a autoridade da Igreja, devem ser tomadas medidas para silenciar seus ensinamentos, remover sua influência e até mesmo depô-las, se necessário. Essas ações demonstram amor ao Senhor e ao Seu rebanho.

O cajado salvador do conforto

O outro instrumento do pastor era seu cajado. Esse cajado mais alto e fino fornecia orientação para pastos verdejantes, mas também resgatava ovelhas em apuros. O grande gancho na parte superior era colocado sob a barriga da ovelha para tirá-la de um buraco ou de um penhasco onde ela pudesse ter caído ou se perdido.

Assim como o pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para encontrar a que se perdeu, os presbíteros devem trabalhar com diligência para recuperar as pessoas que se perderam. Eles incentivam aqueles que se afastam dos cultos de adoração e dos meios de graça a voltarem, com uma advertência para que não negligenciem suas almas. Os presbíteros buscam uma pessoa que está andando nas trevas do pecado, repreendendo, corrigindo e instruindo-a a caminhar na luz. Os pastores de Deus aconselham as pessoas em conflito para que possam aprender a perdoar, reconciliar e viver em paz.

O amor não é a ausência de disciplina, porém uma expressão dela, pois “o Senhor corrige [disciplina] a quem ama” (Hb 12:6).

Publicado originalmente em Tabletalk Magazine.

Barry J. York
Barry J. York
O Dr. Barry J. York é presidente e professor de Teologia Pastoral no Reformed Presbyterian Theological Seminary em Pittsburgh. Ele é autor de Hitting the Marks [Acertar o alvo].