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Sal

Nota do Editor: Este é o oitavo de 19 capítulos da série da revista Tabletalk: Palavras e frases bíblicas mal compreendidas.

O sal aparece em toda a Bíblia, e as pessoas o identificam de maneira mais imediata com sua capacidade de temperar alimentos que, de outra forma, seriam insossos. O sal também é um agente bem conhecido na preservação de alimentos e um meio de purificação. O profeta Eliseu empregou sal para curar uma fonte e remover as impurezas encontradas na água (2 Rs 2:20-21). A referência de Ezequiel à prática de esfregar um recém-nascido com sal era possivelmente para prevenir infecções (Ez 16:4).  Sal no Mundo Antigo era muito caro e as pessoas o usavam com moderação e cuidado. Essas características multifacetadas do sal como um agente valioso, que realça o sabor, preserva e purifica, desempenham papéis variados nas passagens em que esse composto aparece.

A primeira referência na Bíblia ao sal como ingrediente ocorre em Êx 30:35. O perfumista que fazia incenso para o altar combinava especiarias doces com incenso e temperava a mistura com sal. Como esse incenso não era para consumo, o sal não era um aditivo de sabor. No entanto, representava pureza e preservação. O incenso que flutuava do altar para o céu era um símbolo de oração (Sl 141:2; Lc 1:10; Ap 5:8). O sal adicionado à mistura lembrava a Israel que quando o sacerdote queimava o incenso no altar, suas orações eram puras diante de Deus e não esquecidas. Como cristãos, oramos em nome de Jesus para que toda a virtude e valor de Seu sacrifício expiatório purifique nossas orações. Também oramos com a certeza de que o Senhor nunca se esquece do que oramos (Sl 38:9; Ap 8:3-4).

Além do incenso, Moisés instruiu os israelitas a temperar suas ofertas de cereal com sal, que ele chamou de “o sal da aliança do teu Deus” (Lv 2:13). Linguagem semelhante ocorre no livro de Números. As santas contribuições que o povo de Deus apresentava a Ele pertenciam aos sacerdotes e suas famílias como estatuto perpétuo. Era “aliança perpétua de sal perante o Senhor” (Nm 18:19). Uma expressão semelhante ocorre em 2 Cr 13:5, onde a dinastia que Deus prometeu a Davi duraria para sempre “por uma aliança de sal”. Visto que os sacerdotes comiam uma porção da oferta de cereal (Lv 6:16), pode ter sido usado sal para temperá-la.

Mas o que Moisés quis dizer com “aliança de sal”? Alguns intérpretes especularam que o sal era um componente de uma refeição da aliança. Depois de chegarem a um acordo, as partes da aliança celebrariam seu acordo compartilhando uma refeição. Como o sal era caro, uma pessoa o compartilhava apenas com alguém em quem pudesse confiar para indicar que valorizava seu vínculo. Embora o sal possa ter feito parte das refeições da aliança, nenhuma evidência direta das Escrituras indica que era.

Nas três referências ao “sal da aliança” ou a uma “aliança de sal”, o termo “saldescreve ou explica a aliança. Em outras palavras, era uma aliança “salgada” ou uma aliança caracterizada pelo sal. Mais uma vez, os traços de pureza e preservação vêm à tona. A aliança era genuína e verdadeira, porque Deus a deu a Seu povo. Também é eterno. Bem preservado, um pacto de sal dura para sempre (Nm 18:19; 2 Cr 13:5).

No Novo Testamento, o Senhor Jesus exortou Seus discípulos a terem sal em si mesmos (Mc 9:50). Essa exortação ocorre no final de várias advertências sobre o pecado e a tentação que concluem com a lembrança solene de que um dia de julgamento está no futuro, quando “cada um será salgado com fogo” (v. 49). Portanto, os seguidores de Cristo devem possuir as boas qualidades do sal e não deixá-las se dissipar (v. 50). O fogo do julgamento de Deus salgará e purificará o mundo. Em vista disso, os crentes devem ser uma influência purificadora no mundo por meio de seu testemunho cristão. Afinal, os crentes são o sal da terra (Mt 5:13).

Uma parte importante de nossa santificação envolve nossa fala. Nossas palavras devem ser graciosas e “[temperadas] com sal” (Cl 4:6). Com essa admoestação, Paulo se concentra na capacidade do sal de dar sabor. O discurso saboroso apresenta a verdade de maneira cativante. Palavras temperadas com sal nunca comprometem a verdade, porque preservam e refletem a pureza do evangelho, mas não precisam ser duras, estridentes ou rudes.

O sal faz parte de nossa vida diária e, no entanto, podemos não pensar muito sobre isso. Quando refletimos sobre a Palavra de Deus, porém, vemos o papel significativo que ela desempenha em ambos os testamentos, bem como o desafio que nos apresenta para nos tornarmos santos.

Este artigo foi publicado originalmente na Tabletalk Magazine.

Rhett P. Dodson
Rhett P. Dodson
O Dr. Rhett P. Dodson é pastor titular da Grace Presbyterian Church em Hudson, Ohio. Ele é autor de vários livros, entre eles Marching to Zion [Marcha para Sião] e With a Mighty Triumph [Com um poderoso triunfo].