A obra do Espírito Santo na história

julho 15, 2026

A obra do Espírito Santo na história

julho 15, 2026

A obra do Espírito Santo na redenção

Há um poema para crianças de Christina G. Rossetti que expressa ao mesmo tempo algo da maravilha do vento, bem como a presença concreta de sua obra:

Quem viu o vento?

Nem você nem eu.

Porém quando as árvores inclinam suas cabeças,

O vento está passando.

Nunca se vê o vento, mas é claramente conhecido por sua atividade.

Jesus comparou a vontade do vento à obra do Espírito de Deus (Jo 3:8). Aqueles que viram Sua obra conhecem Sua realidade. No entanto, muito pouco sobre a obra do Espírito é devidamente reconhecido pelo povo de Deus hoje. Como consequência, há ênfase demais na experiência subjetiva do Espírito em vez das dimensões mais amplas de Sua realidade. Vamos considerar primeiro a obra objetiva do Espírito e depois Sua obra subjetiva.

A maravilhosa obra do Espírito Santo fora do cristão

Primeiro, o Espírito Santo criou e sustenta toda a vida. Igualmente com o Pai e o Filho, o Espírito Santo é a fonte deste universo e de tudo o que nele existe. A narrativa da criação em Gênesis nos diz que “o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” Assim como uma águia paira sobre seu ninho para gerar vida, o Espírito de Deus serviu como o agente infusor de vida na criação (Gn 1:2; Dt 32:11). Quando o salmista fala sobre como “cheia está a terra” e do mar como “seres sem conta”, ele declara: “Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra” (Sl 104:24-25, 30). As moléculas, os átomos que constituem tudo nesta terra, e as forças gravitacionais que mantêm o mundo unido, todos derivam seu poder de funcionamento do Espírito soberano que cria e sustenta.

Não apenas na criação, mas também na realização da redenção, o Espírito de Deus desempenha um papel primordial. Pois, à parte de Sua obra maravilhosa e misteriosa, não teria havido encarnação do Filho de Deus. O Espírito Santo foi quem causou a concepção de Jesus no ventre da virgem. Lucas 1:35 relata que o Espírito Santo veio sobre a virgem Maria e que o poder do Altíssimo a cobriu com sua sombra. Sem o Espírito, não haveria Salvador encarnado.

O funcionamento objetivo do Espírito Santo na criação e redenção merece atenção cuidadosa. Este grande Deus o Espírito Santo, esta pessoa todo-poderosa da Trindade, deve ser apreciado por tudo o que Ele é e faz. Ele não é um espírito fraco e volúvel que vem apenas como um pensamento divino tardio no progresso da redenção. Da criação à consumação, Ele é o Grande que incessantemente faz maravilhas.

A obra maravilhosa do Espírito Santo dentro do cristão

De maneira semelhante, o alcance da obra do Espírito Santo na vida dos redimidos deve ser apreciado em toda a sua plenitude. Observe sete obras do Espírito entre os eleitos, os favorecidos do Senhor:

Primeiro, o Espírito Santo regenera. Quantas vezes as palavras claras de Jesus foram mal interpretadas. As pessoas universalmente reescrevem “você deve nascer de novo” para que se leia, em vez disso, “você deve se nascer de novo.” Não apenas essa interpretação errada não faz sentido gramaticalmente, mas também distorce uma profunda verdade espiritual. Assim como não fizemos nada para causar nosso nascimento neste mundo caído, também não podemos fazer nada para nos trazer ao mundo divinamente renovado da redenção. Devemos nascer “do Espírito” (Jo 3:5, 8). Não podemos coagir o Espírito de Deus a efetuar nossa regeneração. O vento sopra onde quer e é a vontade do Espírito, não a nossa, que faz com que uma pessoa nasça do alto (v. 3). De fato, se nossas vontades são renovadas pela regeneração do Espírito Santo, escolheremos clamar a Deus por salvação, assim como um bebê recém-nascido chora ao nascer. Contudo dê ao divino Espírito a glória que Ele merece. O clamor por salvação vem como consequência do novo nascimento e nunca poderia ser a causa da regeneração. O próprio Espírito de maneira soberana realiza esta grande obra de renovação total.

Segundo, o Espírito Santo assegura. Continuamos pecando mesmo depois de termos nascido de novo, não é verdade? Então, como podemos ter tanta certeza de que somos filhos de Deus?

Podemos ser tão ousados por causa da segurança do Espírito. Nesta obra mais maravilhosa, “o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16). Nada menos que a constante atuação do Espírito Santo poderia manter o pecador com a certeza de sua salvação. Afinal, quem ousaria contradizer o testemunho do próprio Espírito de Deus? Por causa de Seu testemunho pessoal dentro de nosso próprio espírito, podemos estar em paz. Saiba disto: se Seu testemunho está presente, você é um filho de Deus.

Em terceiro lugar, o Espírito sela. Os selos adesivos que usamos hoje em uma carta comum não são tão impressionantes. Podem ser facilmente ignorados e violados. Porém nos tempos antigos, a cera derretida com um selo oficial do rei tornava perigoso quebrar o selo real.

Assim, o Espírito soberano sela cada crente na posse de todas as bênçãos da redenção. Neste caso, é o selo do Rei dos reis que não pode ser transgredido. Além de nos dar certeza no presente de que fomos redimidos, o Espírito Santo nos sela na posse permanente de nossa salvação. Pois “tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa, o qual é o penhor da nossa herança” até o dia do retorno de Cristo (Ef 1:13-14). É um fato estabelecido. Sua obra de selar não pode ser desfeita tudo “em louvor da sua glória” (v. 14).

Quarto, o Espírito Santo santifica. O apóstolo Paulo usa uma comparação e contraste estranhos para descrever esta obra do Espírito Santo: “Não vos embriagueis com vinho, … mas enchei-vos do Espírito” (5:18). O que acontece quando uma pessoa se embriaga? O álcool das “bebidas” entra em sua corrente sanguínea e permeia cada parte de seu ser. Ele anda e fala de forma diferente, e ele vê, ouve e age de modo diferente. Assim é a experiência de todos que são “cheios” do Espírito. A santidade de Deus, a santidade do Espírito Santo, permeia cada parte de seu ser. Ele vai com alegria a lugares de adoração, louvor e oração, lugares que ele não iria de outra forma. Ele fala com coragem sobre Jesus, o Cristo. Quando é maltratado, ele responde com amor.

Esta experiência de ser cheio do Espírito não é algo que acontece uma vez e depois está concluído. A frase literalmente diz: “Continuem sendo cheios do Espírito.” Paulo nos chama sem cessar, continuamente, de modo cada vez mais profundo, a sermos plenamente permeados em nossos pensamentos, palavras e ações pela influência constante do Espírito divino. É a maior experiência possível da vida.

Quinto, o Espírito Santo produz fruto na vida de cada cristão. E que fruto ele produz. Nada menos que nove frutos específicos do Espírito são listados em Gálatas 5:22-23. Inclusive para os três primeiros desses frutos, o mundo daria tudo: “Amor, alegria, paz.” Contudo, pouco sabe o mundo que apenas o Espírito Santo de Deus habitando no interior é capaz de produzir verdadeiro amor, alegria e paz nos corações dos pecadores. Ele pode e fará isso quando ninguém e nada mais puder.

Sexto, o Espírito Santo distribui dons. Nunca houve um crente que tenha recebido todos os dons, mas cada crente recebeu algum dom para ministrar aos outros (1 Co 12:7-11). Algumas pessoas afirmaram que, a menos que uma pessoa tenha manifestado o dom de “falar em línguas”, ela não pode ter sido batizada pelo Espírito. Entretanto, Paulo deixa muito claro: nem todos os crentes receberam o dom de falar em línguas, mas todos foram batizados em um só corpo de Cristo pelo Espírito (1 Co 12:13, 29-30). Durante a era dos apóstolos, Deus deu dons de revelação, como línguas e profecia, que eram necessários para fornecer uma base sólida de verdade revelada para estabelecer um guia infalível para a vida da igreja ao longo dos tempos (Ef 2:19-20). Esses dons eram essenciais para o alicerce da igreja em uma verdade que fosse revelada sólida e inabalável. Contudo, como esse alicerce não precisa ser lançado outra vez em cada nova geração, esses dons específicos relacionados à nova revelação não se manifestaram desde os dias dos apóstolos.

No entanto, a cada membro do corpo de Cristo, o Espírito concede capacidades espirituais para ministrar aos outros. Para alguns, é o dom de pregar ou ensinar a Palavra de Deus (Ef 4:11). Para outros, é o dom de exortação (Rm 12:8). Para outros ainda, pode ser o dom de administração (v. 8). Nenhum sentido maior de realização na vida pode ser encontrado do que quando estamos usando nossos dons espirituais ao máximo. Se somos uma bênção para os outros, sabemos que somos plenamente abençoados. Essa experiência mais satisfatória virá apenas através da manifestação dos dons de Deus, dados a nós pelo Seu Espírito.

Sétimo, o Espírito Santo capacita para o testemunho mundial. O Cristo ressuscitado prometeu: “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” para o mundo (At 1:8). O Espírito Santo veio no dia de Pentecostes e desde então Seu poder para testemunhar ao mundo está presente. Por dois mil anos, o evangelho cristão continuou a se espalhar por todos os continentes e nações.

Com a vinda do Espírito de Deus em nossas vidas, somos capacitados a dar um testemunho mundial, bem como um testemunho local, através de nossas orações, nossas contribuições e nossa disposição em ir. Que grande privilégio é ser o instrumento de testemunho para o mundo inteiro pelo poder do Espírito de Cristo.

De fato, o Espírito realiza uma grande obra, tanto externamente quanto internamente. Uma apreciação adequada de Seus feitos poderosos deve despertar um espírito de submissão e louvor, pois Ele realiza muito mais do que inspirar manifestações espontâneas nas assembleias ocasionais de crentes. Criação, redenção e consumação são parte da obra maravilhosa do Espírito Santo.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Nota do editor: Este artigo foi publicado originalmente em julho de 2004.

O. Palmer Robertson

O. Palmer Robertson

O Dr. O. Palmer Robertson é o fundador do Consummation Ministries. Anteriormente, ele foi diretor e vice-reitor do African Bible College em Uganda. Ele é autor de vários livros, entre eles O Cristo dos pactos e The Christ of the Prophets [O Cristo dos Profetas].