Repare bem no que você canta

junho 1, 2026

Repare bem no que você canta

junho 1, 2026

A paternidade piedosa

A Bíblia oferece muitas instruções sobre como os pais devem criar seus filhos, e os orienta não apenas a viver vidas morais e íntegras, mas também a entender e aceitar sua identidade dentro do lar, da igreja e do Estado. Porém a paternidade piedosa também é um testemunho para o mundo que observa e é uma característica distintiva entre aqueles que pertencem a Deus e aqueles que não pertencem.

O contexto da aliança

Uma das principais características da paternidade piedosa é que seu fundamento é a relação vinculada que Deus tem com Seu povo, conhecida nas Escrituras como aliança. O contexto da aliança enfatiza que criar filhos não se trata apenas de inculcar bom comportamento, mas de nutri-los no temor e conhecimento do Senhor para que possam crescer em seu papel como participantes na contínua história de redenção divina. Na Bíblia, uma aliança é mais do que apenas um contrato; é uma relação vinculativa entre Deus e Seu povo, com promessas e obrigações.

Quando os pais percebem que estão criando filhos da aliança — crianças que fazem parte da comunidade da aliança de Deus — eles entendem que sua paternidade tem um propósito além da mera sobrevivência ou sucesso neste mundo. Estão criando filhos que devem viver em relacionamento com Deus, abraçar as promessas que Ele fez ao Seu povo e cumprir seu chamado como filhos da aliança.

A paternidade piedosa

A paternidade “piedosa” assume que os pais estão acreditando, pensando e vivendo de tal forma que reflete a vontade de Deus para eles, conforme revelado em Sua Palavra. São reconhecidos pelo fruto do Espírito (Gl 5:22-23) e estão cumprindo seu papel como pais segundo os preceitos e mandamentos das Escrituras. Deuteronômio 6:4-7 afirma:

Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

O mandamento de infundir a Palavra de Deus na vida das crianças requer esforço contínuo. É uma responsabilidade ativa e diária. Os pais são administradores dos filhos que Deus lhes confiou, o que significa mais do que apenas cuidar de suas necessidades físicas; significa nutrir suas vidas espirituais, guiá-los a entender e abraçar a verdade das Escrituras e ajudá-los a viver as implicações de fazer parte do povo da aliança de Deus, a igreja.

A disciplina e instrução

A paternidade piedosa também envolve disciplina e instrução. O apóstolo Paulo escreve: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Tanto o negativo (disciplina) quanto o positivo (instrução) estão em foco aqui. Disciplinar e ensinar crianças implica mais do que apenas transmitir conhecimento bíblico ou impor regras. Significa moldar o caráter deles e ajudá-los a se deleitar na Palavra de Deus.

Provérbios 22:6 diz: 

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.

Pais piedosos devem treinar seus filhos nos caminhos da retidão, e ajudá-los a entender as consequências do pecado e guiá-los à graça e ao perdão que encontramos em Cristo.

A paternidade como testemunho

Quando os pais criam seus filhos na admoestação e instrução do Senhor, com disciplina e ensinamentos piedosos, isso demonstra seus valores, prioridades e propósito: glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre (Breve Catecismo de Westminster P. 1), o que contrasta com os valores, prioridades e propósito do mundo incrédulo. Além disso, quando pais piedosos estão cumprindo seu chamado como pais segundo as Escrituras, isso testemunha ao mundo sobre a verdade, graça, amor e sabedoria de Deus. Esses atributos divinos se manifestam de forma prática em uma família de aliança vivendo para Ele e, assim, dão testemunho dEle. A paternidade piedosa também dá testemunho da soberania de Cristo. Como Ele é Senhor do céu e da terra, Ele é também Senhor do lar.

O objetivo da criação de filhos de maneira piedosa não é apenas criar crianças bem-comportadas, mas criar crianças que conheçam, amem e sirvam ao Senhor. Quando Jesus declarou aos Seus discípulos que eles seriam Suas testemunhas (At 1:8), isso não significava apenas pregação ou ensino formal; também significava vidas em conformidade com as Escrituras. Ser pai, embora seja uma realidade simples para a maioria das pessoas, se torna um testemunho quando realizado para a glória de Deus e em conformidade com a Sua verdade.

A paternidade divina requer dependência da graça, sabedoria e força de Deus. Trata-se de caminhar com Deus e com seus filhos, confiar que Aquele que começou uma boa obra neles há de completá-la até o dia de Cristo Jesus (Fp 1:6). À medida que os pais reconhecem e assumem seu papel na comunidade da aliança de Deus, podem ter confiança nas promessas gloriosas divinas para seus filhos, pois eles devem contar:

à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez […] a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes (Sl 78:4, 6).


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Brian Cosby

Brian Cosby

O Dr. Brian Cosby é pastor da Wayside Presbyterian Church em Signal Mountain, Tennessee, e professor de Teologia Histórica no Reformed Theological Seminary em Atlanta. Ele é autor de Uncensored: Daring to Embrace the Entire Bible [Sem censura: como ousar aceitar toda a Bíblia] e A Christian’s Pocket Guide to Suffering [Livro de bolso de um cristão para o sofrimento].