Quem foi Sansão?

agosto 21, 2026

Quem foi Sansão?

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A salvação nas Escrituras

A Bíblia começa com a criação dos céus e da terra (Gn 1–2) e conclui com a criação de novos céus e nova terra (Ap 21–22). A criação e nova criação enquadram todo o conteúdo redentivo-histórico das Escrituras e o situam em seu contexto correto, centrado em Deus. Em outras palavras, a redenção do homem não é o fim ou objetivo supremo; é penúltima. As Escrituras não estão centradas no homem. Elas estão centradas em Deus. O fim ou objetivo supremo é Deus e Sua glória. A redenção do homem serve a esse objetivo supremo.

O ato culminante dos seis dias da criação em Gênesis foi a criação de Adão e Eva por Deus. Mas o homem não é um fim em si mesmo. O sétimo dia indica que o homem é criado para adorar seu Criador. Deus fez um pacto com o primeiro homem, comumente chamado de pacto de obras. Nesse pacto, “foi a vida prometida a Adão e, nele, à sua posteridade, sob a condição de perfeita e pessoal obediência” (Confissão de Fé de Westminster 7.2). Infelizmente, Adão e Eva escolheram acreditar no que a serpente disse em vez da palavra de seu amoroso Criador. Pecaram contra Deus e se tornaram incapazes de obter a vida eterna através do pacto de obras (Gn 3). Seus descendentes nascem nessa mesma condição de total perdição.

A história da salvação nas Escrituras começa assim que Adão peca. Em vez de deixar Adão e Eva em um estado permanente de inimizade consigo mesmo, Deus diz à serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente.” Deus então acrescenta a seguinte promessa fascinante: “Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:15). Essa é uma declaração de guerra de Deus contra a serpente, e é um anúncio de graça para Adão e Eva. Tudo o que lemos a partir desse momento é Deus operando para o cumprimento dessas promessas iniciais.

A humanidade inicialmente desce em espiral, cada vez mais na corrupção e no pecado, e Deus julga o mundo com o dilúvio (Gn 6–9). Os poucos sobreviventes restantes continuam no pecado, e Deus confunde a língua deles e os dispersa pela terra (Gn 11). Porém Deus chama Abrão e faz um pacto com ele. Entre as promessas feitas a Abraão:

De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra (Gn 12:2-3).

Será através de um filho de Abraão que a obra da salvação do homem será realizada.

Por fim, os descendentes de Abraão são escravizados no Egito. Enquanto estão lá, se tornam um povo numeroso (Êx 1:7). Após quatrocentos anos, Deus declara a Moisés o que está prestes a fazer e ordena que ele diga ao povo:

Portanto, dize aos filhos de Israel: eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas do Egito, e vos livrarei da sua servidão, e vos resgatarei com braço estendido e com grandes manifestações de julgamento. Tomar-vos-ei por meu povo e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas do Egito. E vos levarei à terra a qual jurei dar a Abraão, a Isaque e a Jacó;  e vo-la darei como possessão. Eu sou o Senhor (Êx 6:6-8).

“Vos tirarei, e vos levarei.” Isto é o que Deus faz em Sua obra paradigmática de redenção no Antigo Testamento. Quando os profetas falam mais adiante de uma obra futura e maior de redenção, ela será descrita com a terminologia do êxodo.

Durante o êxodo, Deus dá Sua lei ao Seu povo e estabelece a base para o que está por vir, um reino dentro da terra prometida. No entanto, o reino não dura por causa dos pecados dos reis e do povo. Deus os adverte através dos profetas, porém se recusam a se arrepender e são enviados ao exílio. Contudo, as advertências proféticas de juízo iminente não são a última palavra. Deus promete que, do outro lado do juízo, Ele fará uma obra de redenção maior do que o primeiro êxodo. Ele enviará um rei messiânico ao Seu povo para salvá-los. Ele estabelecerá um novo pacto a e criará novos céus e nova terra.

Centenas de anos depois, um anjo aparece a uma jovem em Israel e anuncia a ela que seu filho será esse prometido rei messiânico (Lc 1:26-33). Seu nome será Jesus, “porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1:21). Jesus é Aquele que veio para esmagar a cabeça da serpente. Ele é o filho de Abraão através de quem as nações serão abençoadas (Mt 1:1). Ele é o prometido Servo sofredor que é traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades (Is 53:5). Ele morreu por nossos pecados (1 Co 15:3), e quem crer nEle será salvo (Jo 3:16; At 16:31).

O segundo Adão é o cabeça de uma nova humanidade e, no grande êxodo, Ele tira Seu povo do pecado e das trevas e os leva para Seu reino para adorar a Deus, estar em união e comunhão com Deus e desfrutar de Deus para sempre. A obra salvífica de Jesus Cristo e sua aplicação ao Seu povo é uma das doutrinas mais gloriosas das Escrituras. Nesta série de artigos, examinaremos como a igreja tem entendido (e às vezes mal-entendido) a doutrina bíblica da salvação e tentaremos explicar por que uma compreensão correta dessa doutrina é tão importante para nossa vida cristã.


  Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Keith A. Mathison

Keith A. Mathison

O Dr. Keith A. Mathison é professor de Teologia Sistemática no Reformation Bible College em Sanford, Flórida. Ele é autor de vários livros, incluindo The Lord’s Supper [A Ceia do Senhor] e From Age to Age [De era em era].