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A revelação bíblica completa de Deus é que Ele é eternamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo, um e indivisível. O Pai é o Pai do Filho. Seu nome é o Pai. Apenas Deus pode nomear a Si mesmo. O nome Pai denota que Ele gera o Filho eternamente na unidade da Trindade indivisível. Pai é Seu nome pessoal (hipostático). Isso nos diz que Ele não se nomeia por nenhum elemento na criação que Ele fez. Isso é quem Ele é.
O nome não é uma metáfora. Tampouco é algo que devemos conceitualizar com base no que os pais humanos são. É o nome revelado, dado por Deus, para a hipóstase trinitária (pessoa) que gera o Filho e procede o Espírito Santo. Devemos considerar os elementos da criação em termos da revelação de Deus, e não vice-versa. A observação de Paulo sobre o Pai, “de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra” (Ef 3:15) exclui pensar a partir das realidades criadas e aplicá-las a Deus.
Ainda que Deus tenha trazido todas as outras entidades à existência, pode-se afirmar apenas de uma maneira muito vaga que Ele é o Pai de todos. Ele é Pai de todos apenas na medida em que é o Criador. A Bíblia indica que é uma verdade surpreendente que Ele seja Pai: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1 Jo 3:1). Isso está completamente fora de nosso controle, uma dádiva soberana de bondade e graça. É modelado de alguma forma nas relações entre o Pai e o Filho.
Nós possuímos a semelhança familiar, pois estamos unidos a Cristo, que é o Filho eterno do Pai. Isso é evidente na medida em que Jesus foi rejeitado por Seus contemporâneos; eles não o reconheceram por quem Ele é. Da mesma forma, o mundo não percebe quem somos precisamente porque não percebeu quem Ele era (1 Jo 3:1).
Como o Filho eterno, agora encarnado, a maneira habitual de Jesus se referir a Deus era como Seu Pai. Era bastante incomum, alguns acham que sem precedentes, para um indivíduo chamar Deus de “Pai”. Devido ao pecado, as pessoas em geral veem Deus como distante. Jesus nos encorajou a orar, “Pai nosso”, já que, como Seus discípulos, estamos unidos a Ele, o Filho, pelo Espírito Santo, e assim passamos a ter a semelhança familiar como Seus filhos.
A partir disso, o Pai, juntamente com o Filho, derramou o Espírito Santo para que clamemos: “Pai!” (Rm 8:15-16, Gl 4:4-6). A expressão “Aba, Pai” se lê como Abba (Aramaico), Patēr (Grego). As duas palavras significam a mesma coisa: “Pai.” Alguns pregadores afirmam que Abba significa “papai”, contudo este não é o caso; é um exemplo onde um comentário simpático é adotado e repetido ad nauseam.1 Na verdade, o termo significa que, seja quem formos, judeus ou gregos, qualquer que seja a língua que falemos, temos a mesma relação com Deus através de Cristo, somos agora Seus filhos e temos acesso ao Pai. Além disso, a relação com o Pai que recebemos é idêntica àquela que o Filho tem na eternidade; Sua por natureza, nossa por pura graça.
Em resumo, fomos feitos filhos adotivos de Deus em Jesus Cristo. Ele é o Filho natural, o Filho eterno; não éramos filhos, porém fomos feitos assim pela graça.2 Cristo sempre foi e é o Filho; éramos estrangeiros e peregrinos, mas agora fomos aproximados.
Devemos banir de nossas mentes, tanto quanto possível, todas as experiências pessoais de nossos próprios pais humanos. Para alguns, essas memórias podem ser dolorosas; para todos nós, são enganosas, pois todos falhamos. O único modelo, e o modelo para a paternidade humana, refere-se à do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme registrado em linguagem metafórica:
Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer (Os 11:3-4).
A imagem do filho pródigo retornando na parábola de Jesus vem à mente, na qual “vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou” (Lc 15:20).
Portanto, quem quer que sejamos, em Cristo “temos acesso ao Pai em um Espírito” (Ef 2:18). Aproximemo-nos, confessando nossos pecados, na certeza de que Ele nos receberá e derramará Sua bondade sobre nós por toda a eternidade. O amor do Pai será então universalmente evidente, pois, já que somos Seus filhos agora, quando Cristo retornar em Sua glória sem restrições, o veremos como Ele é e seremos como Ele, para a glória do Pai (1 Jo 3:2).
James Barr, “Abba Isn’t ‘Daddy,’” Journal of Theological Studies 39/1 (1988), 28–47.↩
Uso “filhos” em seu sentido genérico, seguindo a linguagem bíblica, para expressar a identidade de nossa relação, mulheres e homens, com o Pai que o Filho tem.↩
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

