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março 18, 2026Como ensinar nossos filhos sobre o perdão
Pais são parábolas. Nossas vidas contam histórias para nossos filhos. A grande história do evangelho que esperamos que nossas vidas contem é uma sobre o perdão. Deus nos perdoa em Cristo, e um testemunho vivo do Seu perdão é um coração perdoador em nós, um coração que não apenas recebe, mas também pede. Devemos começar a ensinar nossos filhos sobre o perdão com o evangelho, mas também devemos nos tornar parábolas de perdão para eles com nossas vidas.
Uma das parábolas mais marcantes sobre o perdão é narrada de forma negativa: a parábola do credor incompassivo. Na parábola, um servo que deve muito recebe muito perdão, apenas para se virar e exigir de outro a pequena quantia que lhe devia (ver Mt 18:21-35). Esta parábola enfatiza quão incongruente é para os que foram perdoados não perdoarem, porém o fato de que Jesus destaca tal incongruência nos ensina implicitamente que primeiro nos tornamos perdoadores ao sermos perdoados. É por isso que ensinamos o perdão aos nossos filhos começando com a boa notícia de que somos perdoados por causa da encarnação, morte, ressurreição e ascensão de Cristo.
O Catecismo de Heidelberg, em sua exposição do Credo Apostólico, nos ajuda a entender a extensão do nosso perdão no evangelho:
56. Em que você crê a respeito da “remissão dos pecados”?
Creio que Deus, por causa da satisfação em Cristo, jamais quer lembrar-se de meus pecados e de minha natureza pecaminosa, os quais devo combater durante toda a minha vida. Mas ele me dá a justiça de Cristo, pela graça, e assim nunca mais serei condenado por Deus.
Conforme descrito aqui, nosso perdão é generoso: assegurado em Cristo e para sempre. A próxima lição para nossos filhos é que, se este é o nosso perdão no evangelho, então deveria ser assim quando se trata de perdoarmos os outros.
Ensinamos nossos filhos que o perdão deles aos outros deve ser semelhante ao deles:
- Nosso perdão deve ser por causa de Cristo, em honra a Ele, assim como Deus nos perdoa “por causa da satisfação de Cristo.”
- Nosso perdão deve ser esquecido, à medida que paramos de trazer à mente pecados passados, assim como Deus “não se lembrará mais” de nossos pecados.
- Nosso perdão deve ser consistente, assim como Deus perdoa “minha natureza pecaminosa contra a qual preciso lutar durante toda a minha vida.”
- Nosso perdão deve ser gracioso, à medida que deixamos de lado nossas exigências, assim como Deus “por Sua graça” nos concede a justiça de Cristo.
- Nosso perdão deve libertar os outros do medo de nosso julgamento, à medida que paramos de reter pecados passados contra eles, assim como nós “nunca mais seremos julgados” diante de Deus.
O lado assustador de ser pai/mãe é este: uma vez que nossos filhos conhecem o evangelho e o que é o perdão, serão capazes de identificar a incongruência em nós quando agimos como servos que não perdoam. Tendemos a cair nesse erro como pais quando relembramos erros passados de nossos filhos. Podemos expressar coisas como “você sempre faz isso…” para culpar, expressar nossas frustrações ou manipular a obediência deles. Quando falamos assim, sem querer, nos transformamos em parábolas de credores incompassivos.
Contudo, não devemos perder a esperança. Podemos ser parábolas positivas de perdão. Pais que são parábolas de servos que perdoam são abertos sobre o perdão, e nossos filhos aprendem mais sobre perdão quando perdoamos uns aos outros.
Pais, peçam perdão aos seus filhos regularmente. Eles têm corações que reagem ao pecado e à injustiça, assim como você. Não deixe que pecados não confessados se interponham entre vocês, e quando seus filhos pecarem contra você, incentive-os também a pedir perdão. Isso envolve não ser severo com eles para que, por sua vez, se sintam à vontade para falar sobre seus pecados. Quando são jovens, diga claramente qual foi o pecado deles e ensine-os a pedir perdão além de dizer “foi mal”. Algo muito mais profundo é comunicado sobre o pecado e a reconciliação quando os ensinamos a perguntar: “Você me perdoa?”
Quando seus filhos tiverem dificuldade em perdoar alguém, ore com eles sobre isso. Mesmo quando seus filhos são pequenos e podem não ter consciência de guardar rancor de alguém, ore diariamente com eles para que desenvolvam corações que perdoam. A oração é uma das melhores maneiras de se comunicar indiretamente com seus corações. É útil quando eles não estão inclinados a ouvir suas instruções diretas. Use a oração como uma rota indireta para que o Espírito Santo torne seus corações mais sensíveis.
A família é maravilhosa. Em certos momentos, também pode ser instável. Estabeleçam um hábito regular de oração juntos como família. Isso pode ser tão fácil quanto orar nas refeições. Esse hábito regular, mesmo que seja apenas em uma refeição por dia, nos dá a oportunidade de ir diante do Senhor sempre que surgirem tensões inevitáveis. Quando uma briga acaba de começar, Jesus nos chama a nos reconciliar. Uma maneira de esclarecer as coisas é pedir ajuda em oração. Algo sobre a simplicidade de uma oração de agradecimento durante a refeição torna tais pedidos surpreendentes, porém, mais importante, comuns.
Devemos tratar o perdão com transparência diante de nossos filhos, e uma vez que tal espaço de diálogo seja criado em nossos lares, precisamos cuidar com diligência a paz que a reconciliação proporciona e deixar de pecar uns contra os outros. Mas, quando isso acontece, devemos perdoar.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

