
Como lidar com o esgotamento no ministério
setembro 11, 2026O consolo de Deus na perda de um filho
Não foi prometido aos cristãos saúde, riqueza e felicidade enquanto estiverem deste lado da eternidade. A triste realidade da vida em um mundo caído é que todos passaremos por muitas formas diferentes de perda: nossa saúde, um emprego, um relacionamento ou, pior de tudo, a perda de uma pessoa querida. Quando experimentamos essas coisas, pode ser difícil ver algo além da própria perda. Pode se tornar tão avassalador que tudo ao redor é engolido pela dor, até mesmo as verdades vivificantes das Escrituras.
Experimentei isso quando minha filha Leila nasceu morta uma semana antes da data prevista para o parto. Comecei a me fixar inteiramente no horror da minha perda: minha tão desejada bebê havia morrido; não poderia alimentá-la, vesti-la ou cuidar dela; meu filho, Ben, continuava sendo filho único; eu poderia enfrentar novamente a infertilidade; minha filha estava enterrada em um túmulo; e assim os olhos da minha alma contemplavam uma terrível realidade após a outra. Porém ao olhar para minha perda e suas muitas camadas, parei de olhar para Aquele que sozinho poderia trazer conforto à minha tristeza e luz à minha escuridão. A escritora de hinos Helen Lemmel conhecia a forma de escapar do meu quase desespero:
Olhe para Jesus,
Olhe plenamente em Seu rosto maravilhoso,
E tudo o que é terreno estranhamente perderá seu brilho,
À luz de Sua glória e graça.
Quando olhei para Jesus, até mesmo a perda da minha filha se tornou estranhamente obscura à medida que Sua luz iluminava a escuridão. Olhar para Ele não me anestesiou da dor, mas me trouxe muito conforto em meio à dor.
O Salvador que se preocupa
Ao buscar Jesus na perda da minha filha, encontrei um Salvador cheio de compaixão. Os Evangelhos registram como o coração de Jesus era terno para com as pessoas que sofriam e que haviam experimentado muitos tipos de perda. Um dos exemplos mais belos disso é quando um homem afligido pela lepra implorou a Jesus para torná-lo limpo. Marcos registra em seu evangelho: “Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo!” (Mc 1:41). Este homem era impuro segundo as leis levíticas (Lv 13) e, portanto, era tratado como um excluído, com uma distância física sempre separando-o dos outros. Contudo Jesus, compadecido, estendeu Sua mão através do vazio da separação e tocou-o. Quanto tempo deve ter passado desde que este homem sentiu o toque de outra pessoa?
Temos muitos exemplos nos Evangelhos de Jesus tocando as vidas daqueles que vivem sob o peso e a fragilidade de um mundo caído. Com compaixão, Jesus procurou a mãe cujo único filho havia morrido (Lc 7:11-15), os doentes (Mt 14:14), os famintos (Mt 15:32), os cegos (Mt 20:30-34) e os oprimidos e desamparados (Mt 9:35-36). Quando vemos esses relatos, não vemos um Salvador desprovido de sentimento pelas pessoas que sofrem, porém um Salvador que “estende Sua mão” em nossa direção com compaixão.
O Salvador que chora
Talvez em nenhum outro lugar vejamos o coração terno de Jesus mais do que no versículo mais breve da Bíblia: “Jesus chorou” (Jo 11:35). Quando Ele chegou à casa de luto onde Seu amigo Lázaro estava morto, Jesus não derramou uma única lágrima cinematográfica: Ele chorou. Mesmo sabendo que estava prestes a chamar Lázaro de volta à vida, Ele ainda sentiu as profundas emoções de tristeza e raiva.
Depois que Leila nasceu morta, chorei mais do que jamais havia chorado, mas fui consolada pelo fato de que meu Salvador também chorou diante da morte. Em seu comentário sobre este versículo, João Calvino escreve: “Ele é tão comovido por nossos males como se Ele mesmo tivesse sofrido com eles.” Em sua perda, e na minha, nosso Senhor Jesus não se deleita em nossa tristeza. Ele é o Verbo que se fez carne, que sentiu tristeza em Seu coração e lágrimas no rosto.
O Salvador que conquista
Saber que Jesus se preocupa e chora é um consolo em tempos de perda, mas por si só não é suficiente. Pois de que adianta Jesus estar ao nosso lado em nosso sofrimento e tristeza, se, no final, Ele não pode superar essas coisas por nós? Se Jesus não é um conquistador, então, em última análise, Ele não é um consolador. Quando estamos sofrendo, não precisamos apenas de alguém que simpatize: precisamos de um Salvador.
Jesus não veio para cobrir nossa dor com um curativo; Ele foi à raiz de todo o nosso sofrimento, ou seja, o pecado. “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” para que pudesse reverter a maldição da queda (1 Pe 2:24). Antes que o pecado espalhasse sua mancha repulsiva sobre tudo, não havia perda. Não havia choro, nem decepção, nem quebrantamento, nem morte. Quando Jesus chamou Lázaro da morte para a vida, Ele estava nos mostrando o que veio fazer: “Para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” (Hb 2:14). Porque Cristo conquistou a morte e foi ressuscitado no terceiro dia, Ele nos deu uma nova esperança de um mundo por vir onde toda tristeza e suspiro fugirão, onde a morte e a perda não existirão mais.
O Salvador que consola
Quando descobri que Leila havia morrido em meu ventre, caí em um pesar que ameaçava me consumir. Porém quando olhei para Jesus, o Salvador que se preocupa, chora e conquista em um mundo de pecado, sofrimento e tristeza, encontrei consolo: meu único consolo na vida e na morte. Quando olhei para Ele, meu luto “estranhamente perdeu seu brilho, à luz de Sua glória e graça.”
Ó alma, estás cansada e perturbada,
Nenhuma luz na escuridão você vê?
Há luz ao olhar para o Salvador,
E vida mais abundante e livre.b 7:25). Tenha fé em Deus e se mantenha firme nEle, assim como nosso Salvador fez.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

