
O que podemos aprender com Juízes
maio 15, 2026O consolo que há nas orações de Jesus
Como pastor ordenado, tive a experiência de estudar as Escrituras com várias pessoas para ajudá-las a entender o que Deus tem a dizer sobre muitos assuntos diferentes. Ao longo dos anos, uma das perguntas mais comuns que me fizeram tem a ver com o significado da obra de Cristo para a segurança da salvação do crente. O NT nos oferece muitas categorias para entender que aqueles que são verdadeiramente salvos perseverarão. Existe a categoria de justificação, que nos ensina que recebemos a imputação da justiça de Cristo através da fé somente nEle e que estamos em paz com Deus, não um cessar-fogo que pode ser rompido à menor provocação, mas uma paz eterna na qual o Senhor nunca mais se arma contra nós (Rm 5:1). Há também a categoria de santificação, que diz que Deus sempre termina a obra de salvação que Ele começa: “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Jesus Cristo” (Fp 1:6).
No trecho de Filipenses, em geral, entendemos que é Deus, pelo Espírito Santo, quem está realizando a nossa salvação em nós e nos fazendo cada vez mais semelhantes a Cristo. Isso, sem dúvida, é verdade, porém não devemos esquecer que Jesus também está em ação. Nosso maior consolo em relação à nossa perseverança vem do que o NT revela sobre a obra atual de Cristo. Frequentemente falamos sobre a “obra consumada de Cristo”, que é simplesmente uma forma abreviada de indicar a conclusão da expiação de Cristo: a finalização de Sua compra de redenção por nós, Seu ato de assumir sobre Si mesmo a maldição de Deus. No entanto, a obra de salvação de Cristo não terminou ali. Ele tinha outra obra para realizar depois da cruz. Ele foi ressuscitado para nossa justificação e, em seguida, ascendeu ao céu, onde está sentado à destra de Deus, onde reina como Rei dos reis e Senhor dos senhores, governa a criação e dirige Sua igreja (At 2:33; Rm 4:23-25; 1 Co 15:25).
Isso não é tudo. Uma das principais ênfases do NT em termos de Sua obra atual para Seu povo é Sua intercessão. O trabalho sacerdotal de Cristo não terminou na cruz. Todos os dias, na presença do Pai, Cristo intercede por Seu povo. Se, como expressa Tiago, a oração fervorosa de uma pessoa justa “muito pode, por sua eficácia” (Tg 5:16), quanto mais as orações de Jesus beneficiam Seu povo?
Uma das fontes mais importantes de consolo em relação à intercessão de Cristo em favor do crente achamos na grande Oração Sacerdotal de Jesus, que em si foi uma profunda oração de intercessão. De forma incrível, até nós somos mencionados nesta grande oração de intercessão. Lemos em João 17:5-9:
Glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra […] porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.
Considere novamente o v. 9: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17:9). Essa é a essência da questão. Jesus está orando por todos aqueles que pertencem a Deus, não por todos no planeta. O Pai escolheu um povo para Si e esse mesmo povo pertence a Cristo também. Nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição — Judas — que, ao ser o filho da perdição, nunca foi filho de Deus. Aqueles por quem Jesus ora são as pessoas que Deus escolheu, e nenhum deles se perde (Jo 17:10-19). Isso inclui não apenas os discípulos no Cenáculo que testemunharam a oração de Jesus, mas também aqueles de nós que acreditam nEle hoje. Comentei que somos mencionados na oração de Jesus, e aqui estamos: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra” (Jo 17:20). Viemos a acreditar através das palavras dos apóstolos, e assim Jesus ora por nós. Esta é a oração de Cristo. Perseveramos, porque somos preservados pela intercessão do nosso Sumo Sacerdote.
Se encontramos grande consolo na oração intercessória de um amigo ou de um pastor, quanto mais conforto podemos experimentar com a plena certeza de que Jesus está orando por nós? Sabemos que as orações de Jesus nunca falham. Ele conhece perfeitamente a mente de Deus. Ele sabe pelo que orar para que perseveremos até o fim. Além disso, Jesus declara que o Pai nos dará tudo o que pedirmos em Seu nome (Jo 16:23). Se assim for, certamente o Pai não deixará de dar ao Seu próprio Filho amado o que Ele pede, e Ele pede que perseveremos.
A maior ilustração da eficácia da oração de Jesus é Pedro. Como Judas, Pedro teve uma grande queda. Ao contrário de Judas, Pedro foi restaurado e perseverou na fé. Ambos negaram Jesus, contudo, apenas Pedro se arrependeu. Por que? Temos a resposta em Lc 22:31-32. Satanás buscou apoderar-se de Pedro permanentemente, mas Jesus orou por ele, e isso garantiu que se arrependesse. Jesus não orou por Judas, mas Ele orou por Pedro, e assim ele perseverou na fé e no arrependimento. Isso é uma grande garantia para todos nós. Aqueles por quem Jesus ora permanecem na fé ao longo do tempo. Se acreditarmos em Cristo, Ele está orando por nós todos os dias.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

