O sal da terra e a luz do mundo - Ministério Ligonier
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O sal da terra e a luz do mundo

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Nota do editor: Este é o segundo de 19 capítulos da série da revista Tabletalk: Sal e luz.

Pense na luta que estamos testemunhando em nossa cultura sobre a questão da identidade. Hoje, as pessoas estão em uma busca sem fim para encontrar uma identidade naquilo que acreditam que as farão felizes. A cultura diz às pessoas para se interiorizarem e seguirem os desejos do coração para definir a própria identidade. E uma vez que as pessoas acreditem que encontraram sua verdadeira identidade, observe como são veementes por torná-la conhecida.

Com todos os desafios que cercam a identidade, muitas vezes dizemos aos cristãos para terem cuidado com essas identidades alternativas propostas pelo mundo e buscar a identidade que temos em Cristo. Mas qual é a nossa identidade em Cristo? Usamos essa frase de maneira muito vaga, sem ajudar as pessoas a entender exatamente do que estamos falando? Não basta apenas dizer às pessoas que elas têm uma nova identidade em Jesus. É preciso muita atenção para que as pessoas entendam o que é essa identidade para que ela seja valorizada e exercida. Quando entendemos como Jesus define nossa identidade, esse entendimento forma a base de como devemos viver neste mundo como Seus seguidores.

JESUS DEFINE NOSSA IDENTIDADE
Ao começar o sermão do monte, Jesus declara que os cristãos são o sal da terra e a luz do mundo. É fácil ignorar essa afirmação sem perceber que Jesus define nossa identidade como cristãos neste mundo com as metáforas do sal e da luz. Nas bem-aventuranças que precedem sua definição de nossa identidade, Jesus descreve o que somos pela graça de Deus. Os cristãos são caracterizados como mansos, misericordiosos, limpos de coração e pacificadores, e como aqueles que se alegram quando são perseguidos. As bem-aventuranças não são imperativos que nos dizem como alcançar essa bem-aventurança. Jesus descreve certas qualidades que definem o caráter dos verdadeiros crentes, que são abençoados por Deus. A seguir, Jesus expressa como essas qualidades são demonstradas perante o mundo e revela o que os crentes realizam.

Jesus primeiro descreve os crentes como sal neste mundo. O sal no Mundo Antigo era usado para evitar a decomposição dos alimentos e conferir a eles um melhor sabor. As pessoas geralmente sabiam que o gesso e outros minerais iriam diluir a potência do sal e torná-lo inútil na preservação dos alimentos. Jesus usou esse fenômeno familiar com a preocupação adicional de que, se o sal perder o sabor, “para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens” (Mt 5:13). Os crentes são como sal neste mundo. Seu caráter distintivo, por meio de boas obras, preserva e dá sabor a este mundo para evitar sua deterioração.

A segunda metáfora descreve os crentes como luz neste mundo. Tenho uma lamparina comum do primeiro século que era usada nas famílias judaicas para iluminar suas casas. A lâmpada é pequena e despretensiosa. Um dia, coloquei um pouco de óleo na lamparina com um pavio, apaguei as luzes e acendi o pavio para ver como as pessoas do primeiro século, sem o benefício da eletricidade moderna, iluminavam suas casas quando estava escuro. Esta lâmpada, embora pequena, permitia-me ver toda a sala. Jesus expressa como seria impróprio em um lugar escuro esconder uma lâmpada debaixo de um alqueire. A intenção da luz é fornecer um caminho para as pessoas verem para onde estão indo (Jo 11:9-10). É exatamente isso que Jesus busca ao chamar os crentes de “luz”: eles mostram às pessoas o caminho para a salvação em um mundo escuro.

Não há dúvida de que Jesus está reagindo à religião hipócrita dos fariseus que fizeram exibição pública de sua devoção religiosa para receber o louvor dos homens. Mas uma estranha ironia é encontrada em uma exibição pública hipócrita de compromisso com Deus, uma vez que se destina a glorificar a si mesmo em sua busca. O efeito é esconder o verdadeiro caráter de um cristão; ele é sal insípido, uma lâmpada escondida debaixo de um alqueire. Toda devoção religiosa que não se destina à glória de Deus não apresenta um testemunho sincero para aqueles que observam sua exibição superficial. Tem o efeito de esconder do mundo o que é verdadeiro e genuíno.

Os fariseus em todo o seu espetáculo religioso não levaram as pessoas a glorificar seu Pai no céu. Jesus os expôs como escondendo a verdadeira religião sob o falso pretexto de devoção religiosa. Jesus está preocupado em descrever o que um crente realmente é e as consequências que isso resulta no mundo.

UMA ANÁLISE DO VERDADEIRO CRISTÃO

O mundo em que vivemos está arruinado pelo pecado, e as pessoas vivem nas trevas sem conhecer o verdadeiro caminho para Deus. As pessoas estão procurando — como fizeram na Torre de Babel — um caminho para o céu. Mas Jesus orou especificamente na oração sacerdotal para que Seus seguidores não fossem tirados do mundo. (Jo 17:15). As metáforas de sal e luz que Jesus usa em Mt 5 para definir nossa identidade nos ajudam a entender por que os crentes são deixados nesta terra.

O Senhor sempre quis que Seu povo fosse sal e luz neste mundo. No Antigo Testamento, quando Deus fez uma aliança com Israel, muitas vezes se referiu a ela como uma aliança de sal (Lv 2:13). A aliança da graça feita com Abraão pretendia incluir todas as nações da terra, e a referência à aliança sendo feita no sal lembrou a Israel que tinham uma presença preservadora entre as nações enquanto Deus cumpria Seu plano de trazer a salvação a todas as nações.

Um dia designado está chegando quando Jesus trará um fim a este mundo atual em julgamento. Até aquele dia, os crentes preservam este mundo de sua decadência final em pecado. Há um caráter peculiar dos cristãos e sua presença no mundo que mantém o que está passando. Como escreve o autor do conhecido hino Abide with Me [Conosco fica]: “Mudança vejo, em tudo alteração!”. Quando vivemos como verdadeiros cristãos e praticamos as boas obras que glorificam nosso Pai celestial, como resultado, realizamos a preservação do mundo. Tire os cristãos deste mundo e tudo cairá rapidamente em uma ruína irreparável.

Da mesma forma, Israel foi designado como a luz de Deus para as nações, uma luz que oferecia esperança na vinda do Salvador. Isaías 49:6 afirma: “Te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.” Além de preservar e dar sabor ao mundo, os cristãos também dão a este mundo a única luz verdadeira.

Jesus disse a respeito de Si mesmo que Ele é a “luz do mundo” (Jo 8:12). Como o Senhor é nossa luz e salvação, nós, como Seus seguidores, somos aqueles por meio de quem Sua luz brilha neste mundo para tornar Jesus conhecido. Esta é a razão pela qual os cristãos são designados como luz no mundo e devem andar como filhos da luz (Ef 5:8). Os cristãos têm um testemunho distinto como luz de Cristo. É Deus quem ordenou que a luz resplandeça nas trevas, e nosso propósito é dar a “iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2 Co 4:6).

No fundo do coração do cristão há um fardo para que as pessoas conheçam o perdão dos pecados e a paz com Deus que Jesus traz por meio de Sua vida, morte e ressurreição. Sim, os cristãos influenciam o mundo de muitas maneiras diferentes, por exemplo, com o envolvimento político, o auxílio aos pobres e outras formas de demonstrar compaixão pelos necessitados. Mas a principal maneira pela qual os crentes são luz neste mundo é com a divulgação das boas novas do perdão dos pecados e a promessa da vida eterna por meio da fé em Jesus Cristo. Esta esperança impulsiona o cristão nesta vida e dá testemunho ao mundo da única luz verdadeira que brilha nas trevas. Através deste testemunho, a vida eterna é dada a todos os que creem.

O quadro geral no uso de sal e luz por Jesus é claro: os cristãos preservam e dão sabor ao mundo com sua presença e como vivem fazendo boas obras e dão grande luz aos que estão nas trevas por meio de seu testemunho de salvação por meio da fé em Jesus. Cristo. Jesus cumpre esse chamado e capacita a Igreja da nova aliança a cumprir essa vocação quando os crentes se comportam sinceramente como sal e luz neste mundo.

Cristão, esta é a sua identidade neste mundo: você é o sal e a luz de Jesus. Um cristão insípido ou que esconde sua luz sob um alqueire é uma contradição em termos. Os cristãos preservam o mundo e oferecem uma mensagem de esperança, não com falsas exibições de piedade exterior, mas com um amor sincero por aqueles que precisam de salvação. Quando os cristãos demonstram a preciosa identidade que receberam em Jesus Cristo, uma grande diferença é feita neste mundo, que resulta na glorificação de nosso Pai que está nos céus e na salvação das pessoas de seus pecados.


Este artigo foi publicado originalmente na Tabletalk Magazine.

Christopher J. Gordon
Christopher J. Gordon
O Rev. Christopher J. Gordon é pastor principal da Escondido United Reformed Church, em Escondido, Califórnia. Ele é também apresentador da Abounding Grace Radio.