Os atributos do amor

outubro 21, 2026

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Quando Jesus morreu?

Todos os anos, cristãos ao redor do mundo celebram a Páscoa, o feriado que comemora a ressurreição de Jesus Cristo do túmulo. A morte de Jesus de Nazaré não é apenas uma lembrança religiosa, mas também um fato histórico. Existem várias referências literárias a Jesus de Nazaré nos séculos I e II fora da Bíblia (como Tácito, Josefo, Fílon e o Talmude).

Embora a Bíblia não liste uma data para a crucificação da maneira que esperamos nos tempos modernos, não há como negar o tempo e o lugar. Ao compreender o contexto deste fato histórico, usamos a mesma lógica com a qual respondemos à pergunta: “Jesus esteve no túmulo por três dias?” A morte histórica de Jesus de Nazaré é amplamente reconhecida por Sua crucificação na sexta-feira, 3 de abril, ano 33 d.C., na nona hora (15h), no Gólgota, perto da cidade/fora do portão da cidade de Jerusalém. Gólgota, que significa “Lugar de uma Caveira” em grego, era um local comum para a crucificação de criminosos pelas mãos dos romanos.

A importância da morte pública de Jesus deve ser considerada. Os relatos dos Evangelhos revelam a conspiração para matar Jesus e sua troca pelo prisioneiro Barrabás, que foi perdoado e libertado na festa da Páscoa (veja Mt 27; Mc 14–15; Lc 23; Jo 11; 19). Pôncio Pilatos, o quinto governador da Judeia, seja por intimidação ou colaborando de forma cúmplice, ordenou a execução imediata de Jesus. O método de execução foi criado para não permitir segredo nem ilusões de morte, pois incluía múltiplas formas de tortura até a exterminação, com a participação da multidão na humilhação neste espetáculo ao ar livre.

Além disso, o momento da morte de Jesus foi registrado, com os escritores dos Evangelhos relatando as opiniões expressas dos dois ladrões que foram crucificados ao lado dele (veja Mt 27:38-44; Lc 23:32-43). As últimas palavras de Jesus também são registradas, entre elas “Está consumado”, apresentadas com um último grito enquanto Ele “rendeu o espírito” (Jo 19:30; veja também Mt 27:50). Marcos registra a reação de um observador chave, o centurião, que “vendo que assim expirara” e exclamou: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!” (Mc 15:39).

Alguns argumentos desafiam a linha do tempo da morte e ressurreição de Jesus, inclusive a teoria do desmaio, que afirma que Jesus não morreu na cruz, mas apenas perdeu a consciência. Mesmo que isso fosse possível, a realidade do tempo nos diz que, em algum momento, Jesus de Nazaré de fato morreu. Os relatos históricos e dos Evangelhos mostram a importância do momento e dos meios de Sua morte pública na cruz. Ainda que a morte de Jesus tenha sido extrema, não foi aleatória ou fora do controle soberano de Deus; ao contrário, “Cristo… morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5:6, ênfase adicionada).

Nisso, entendemos que a morte de Jesus na cruz não foi apenas um evento físico, mas também revela uma realidade espiritual. Sua morte foi única como uma morte sacrificial e de aliança. Este é o evangelho. Jesus não é simplesmente um homem bom ou um mestre sábio; Ele é o último Adão. O apóstolo Paulo explica: “Porque, como, pela desobediência de um só homem [Adão], muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só [Jesus], muitos se tornarão justos” (Rm 5:19). Porque Jesus é o Deus-homem, assim como o centurião reconheceu, a oferta que Ele faz em Sua carne é eterna para aqueles que estão unidos a Ele.

A morte de Jesus de Nazaré deve provocar muitas outras perguntas: Quem é Jesus? Por que o mundo ainda fala sobre Sua morte? Por que todos os seres vivos estão sujeitos à morte? A Bíblia responde a todas essas perguntas e nos ajuda a contemplar nossa própria morte. A imagem da cruz nos obriga a reconhecer que, embora possamos nunca ser condenados por um crime em um tribunal, ainda estamos sentenciados à morte. Embora possamos fazer o nosso melhor para negar nossa mortalidade, não há nada como uma ameaça inesperada de morte para nos fazer confessar a fragilidade da vida e nossa incapacidade de estar preparados para o seu fim. Devemos ser honestos conosco mesmos, assim como Deus, nosso Criador, tem sido honesto conosco: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). Nisso, nos alegramos na morte de Cristo porque foi “Aquele que não conheceu pecado, ele [Deus] o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5:21).


  Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Meredith Myers

Meredith Myers

Meredith Lee Myers é editora web do Ministério Ligonier e formada pelo Erskine Theological Seminary em Columbia, Carolina do Sul.