
Quem foi Jonathan Goforth?
novembro 10, 2025
Quem foi William Whiting Borden?
novembro 14, 2025Quem foi Gladys Aylward?
Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.
Gladys Aylward era uma mulher firme em seus propósitos. Quando sentiu o chamado para o campo missionário, ela se recusou a permitir que qualquer desculpa a impedisse. Embora parecesse não ter recursos para o trabalho missionário, Deus confirmou seu chamado e lhe deu muitas oportunidades de superar obstáculos práticos.
Primeira fase da vida
Gladys nasceu em Edmonton, uma cidade ao norte de Londres, em 1902. Após crescer em uma família da classe trabalhadora e que frequentava a igreja, Gladys abandonou a escola aos quatorze anos. Descobriu que trabalhar como empregada de salão em grandes casas de Londres era mais do seu gosto do que estudar. O trabalho era esforçado, porém ela gostava de ter a vida dos ricos indiretamente.
Certa noite, Gladys, de vinte e poucos anos, foi a uma reunião de avivamento. Sem saber por que havia escolhido participar, se viu desafiada pelo evangelho. Após sair da reunião, ela já havia se tornado cristã. O foco da vida dela mudou completamente. Ela se juntou à Young Life Campaign [Campanha vida jovem] e passou seus dias de folga aprendendo a compartilhar as boas notícias de Jesus. Por meio de uma de suas revistas, aprendeu sobre muitas pessoas na China que nunca tinham ouvido falar do evangelho. Depois de sentir o chamado para ir, se apresentou como candidata à Missão para o Interior da China em 1929. Eles a aceitaram no programa de treinamento apesar de sua baixa escolaridade e de ela estar com quase 30 anos. Entretanto, depois de três meses, ela foi convidada a sair porque, embora tivesse se destacado no trabalho prático, havia sido reprovada no trabalho em sala de aula. A Missão sentiu que ela não estava pronta para ser enviada ao campo missionário.
Decepcionada, mas não desanimada, Gladys voltou a trabalhar como empregada doméstica, determinada a ganhar o dinheiro necessário para viajar para a China. Ela pediu a Deus que abrisse o caminho para ela, e Ele o fez. Ela conseguiu ganhar e receber dinheiro suficiente para a passagem em um ano, em vez dos três que havia calculado. Amigos e empregadores lhe deram itens necessários, como roupas, uma mala e um pequeno fogão. Por fim, a missionária Jeannie Lawson escreveu à congregação pedindo uma jovem para ajudar em seu trabalho missionário em Yangcheng, no norte da China.
Rumo à China
A viagem de trem pela Europa e Ásia sozinha em 1932 foi repleta de perigos, porém Deus providenciou pessoas que acolheram Gladys até ela chegar à fronteira entre a Rússia e a China. A guerra estava acontecendo entre os dois países, e Gladys estava presa no meio disso. Ela foi brevemente presa, interrogada e liberada, mas ainda assim não conseguiu chegar à China. Então, uma pessoa generosa ajudou com sua passagem em um navio para o Japão, e de lá ela pôde continuar.
Finalmente chegando ao seu destino, Gladys descobriu que a missão de Jeannie Lawson era uma pousada para muladeiros que paravam durante a noite em suas rotas comerciais. Desde o começo, Jeannie e Gladys não se deram bem. Jeannie, uma idosa exigente, colocou Gladys no comando das mulas em vez das pessoas. Os ânimos se exaltaram quando Gladys reclamou. Depois de alguns meses de conflito, Gladys foi embora. Mas ela voltou para cuidar de Jeannie quando ela adoeceu e acabou morrendo.
Influência
Embora Gladys tenha ouvido que ela nunca poderia aprender a língua chinesa, a necessidade tornou isso possível. Gladys aprendeu o dialeto do interior com seus clientes para poder compartilhar o evangelho com eles. Suas histórias sobre Jesus também começaram a despertar interesse na cidade, de modo que grandes multidões se reuniam à noite para ouvir a mulher de baixa estatura falar. Até o mandarim da cidade ficou interessado e a convidou para uma refeição. Não acostumado a ser enfrentado por outras pessoas, ela o surpreendeu ao discordar dele sobre sua religião. Contudo, ao observar Gladys trabalhando, ele ficou tocado ao vê-la acolher crianças abandonadas e oferecer cuidados médicos básicos a qualquer um que a procurasse. Por fim, ele se tornou cristão.
Em 1936, Gladys se sentiu tão em casa em Yangcheng que decidiu se tornar cidadã chinesa. Satisfeito com a decisão, o mandarim ofereceu a Gladys o cargo de inspetora de pés. A prática de enfaixar os pés de meninas havia sido proibida, porém não era aplicada ativamente, e Gladys foi chamada para garantir que o decreto fosse seguido. Por meio dessa oportunidade, ela teve permissão de visitar todas as casas e compartilhar as boas novas sobre Jesus. Gladys louvou a Deus enquanto caminhava pelas passagens nas montanhas em direção a vilarejos remotos que ela nunca havia visitado antes.
Um dia, o mandarim pediu que ela interrompesse uma rebelião na prisão. Gladys, com apenas 1,37 metros de altura, entrou na prisão e começou a ouvir as reclamações dos criminosos. Quando viu as péssimas condições em que viviam, prometeu pedir ao mandarim que as melhorasse e encontrasse trabalho útil para os prisioneiros preencherem seus dias. Satisfeitos, os prisioneiros retornaram às suas celas.
A guerra com o Japão eclodiu em 1938. A princípio, Yangcheng não foi afetada, mas depois as bombas começaram a cair nas proximidades. Nesse momento, Gladys já havia acumulado cem crianças abandonadas ou órfãs, desde bebês até adolescentes. À medida que a batalha se aproximava, Gladys sabia que teria que partir e levar seus filhos para um lugar seguro. Enquanto pensava no melhor destino, os japoneses fecharam as estradas ao redor da cidade. Após ter perdido a rota de fuga, Gladys olhou para os caminhos da montanha, que agora ela conhecia bem. O mandarim, satisfeito com o plano, lhe ofereceu suprimentos de comida e soldados como guarda-costas durante parte do trajeto.
A jornada de doze dias foi difícil, pois a comida acabou e os caminhos acidentados atrasaram as crianças. Contudo, Deus ajudou ao longo do caminho. Um sacerdote budista permitiu que dormissem em seu templo uma noite. Em outra noite, um grupo de soldados chineses os alimentou e fez a guarda enquanto dormiam. Mas quando finalmente chegaram ao Rio Amarelo, Gladys começou a chorar. Todos os barcos tinham ido embora. Alguns de seus filhos foram até ela, e pediram que ela orasse a Deus que abrisse as águas para eles, assim como Ele havia feito com os israelitas. Admoestada, Gladys reuniu seus filhos para orar e cantar hinos. Um oficial chinês ouviu a música e foi investigar. Ao ouvir a história, o oficial fez sinal para que os barcos retornassem, e Gladys e as crianças foram levadas para o outro lado. Gladys estava doente naquela época, e o resto da viagem de trem passou num instante. Por fim, chegando a Fefung, as crianças foram deixadas com pessoas que poderiam cuidar delas. Gladys, doente com tifo, foi enviada ao hospital.
Últimos dias e legado
Gladys levou meses para se recuperar. Ainda debilitada, ela foi levada de avião para casa, em Londres. Quando sua saúde melhorou, ela pôde participar de palestras em várias igrejas para falar sobre as necessidades na China. Porém ela se sentia desconfortável na cultura ocidental e decidiu retornar para a China. Quando os comunistas chegaram ao poder em 1949, Gladys foi forçada a sair. Ela se mudou para Taiwan e fundou o Orfanato Gladys Aylward, para acolher crianças abandonadas. Trabalhou com os pobres e também fundou o lar infantil Gladys Aylward. Ela morreu aos sessenta e sete anos em 1970.
Após que a biografia de Alan Burgess, The Small Woman [A pequena mulher], foi publicada em 1957, Gladys Aylward se tornou popular, para seu desconforto. Hollywood, por sua vez, a tornou conhecida com um filme chamado A morada da sexta felicidade, uma versão bastante romantizada de sua jornada pelas montanhas. Gladys parecia uma candidata improvável para o trabalho missionário, mas Deus a escolheu e lhe deu a determinação para fazer o trabalho.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

