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novembro 17, 2025Quem foi William Whiting Borden?
Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.
A declaração muitas vezes citada de D.L. Moody, “O mundo ainda não viu o que Deus pode fazer com um homem totalmente consagrado”, soou verdadeira para um jovem que cresceu na igreja fundada por Moody. William Whiting Borden, um jovem pastor e missionário cuja vida foi tragicamente interrompida enquanto ele se preparava para ministrar entre os muçulmanos chineses com a China Inland Mission, era aquele “homem totalmente consagrado” dedicado a servir à causa de Cristo.
Ele nasceu em 1887, sendo o quarto filho de William (Sr.) e Mary Borden de Chicago, William Borden veio ao mundo em meio à opulência e riqueza. O negócio bem-sucedido e lucrativo de seu pai na indústria de mineração proporcionou à família um estilo de vida luxuoso, e William frequentou escolas particulares de prestígio em Chicago. Contudo, essa vida rica não impediu a família ou William de buscar aquilo que “onde traça nem ferrugem corrói” (Mt 6:20). Eles frequentavam a Chicago Avenue Church, mais adiante conhecida como Igreja Moody, e desde muito jovem, William parecia ter um coração sensível para assuntos espirituais. Quando sua mãe pediu aos filhos que escrevessem o que queriam ser quando crescessem, William, de oito anos, escreveu: “Quero ser um homem honesto quando crescer; um homem verdadeiro, amoroso, gentil e fiel”.
Após terminar o ensino médio, Borden fez uma viagem de um ano ao redor do mundo. Essa jornada global pareceu estabelecer uma visão e direcionar sua vida para o evangelismo e as missões no mundo inteiro. Uma vez na faculdade, em pouco tempo se destacou como aluno em Yale, brilhando academicamente, no campo de futebol e nas amizades. No entanto, seus anos em uma das melhores universidades não foram desperdiçados em celebrações autossatisfatórias. Em vez disso, ele investiu no ministério e no serviço à sua faculdade e à cidade de New Haven.
Durante seu primeiro ano, Borden foi abordado sobre a possibilidade de iniciar uma missão na cidade como um ministério para os oprimidos, o que também daria uma oportunidade para outros colegas de classe servirem fora dos muros de Yale. Ele estava mais do que ansioso para ajudar nessa missão, forneceu tanto o financiamento (equivalente a meio milhão de dólares na moeda atual) quanto a liderança administrativa para operar a missão. A Yale Hope Mission, como ficou conhecida, servia anualmente mais de dezessete mil refeições e fornecia mais de oito mil leitos noturnos, com mensagens do evangelho pregadas diariamente a todos que eram ajudados. Borden fez tudo isso enquanto continuava sendo um dos melhores alunos de sua turma e foi eleito presidente de sua fraternidade durante seu último ano.
Depois de Yale, ele frequentou o Seminário de Princeton em 1909 e teve aulas com professores conceituados como J. Gresham Machen, B.B. Warfield e Geerhardus Vos. Mas mesmo no seminário, Borden não estava tão preocupado com seus estudos a ponto de deixar de servir. Ele atuou como diretor do Instituto Bíblico Nacional na cidade de Nova York, cujo foco era equipar homens e mulheres com uma sólida compreensão da Bíblia, teologia e habilidades práticas do ministério, como pregação diária ao ar livre e quatro missões de resgate. Borden também atuou como administrador do Moody Bible Institute, o que exigia viagens frequentes de volta para casa, em Chicago. Seus estudos e ministério prático fizeram com que o Dr. C.R. Erdman, um de seus professores, comentasse sobre ele: “[William] se formou com honra em Yale e em Princeton; e foi considerado um dos homens mais bem treinados que já começou no campo estrangeiro”.
O campo missionário estrangeiro era o objetivo e foco de Borden, e para esse fim ele foi ordenado ao ministério do evangelho em um culto na Igreja Moody em 1912. Entretanto, antes de partir, Borden passou aquele outono viajando para diversas faculdades para falar aos alunos sobre a necessidade e a oportunidade de missões estrangeiras. Seu fervor e dedicação à obra do Senhor, além de ser chamado por muitos de “um missionário milionário”, atraiu muitos e deixou uma impressão duradoura, pois ele incentivava os alunos a considerarem em espírito de oração que função poderiam desempenhar na expansão do reino de Cristo ao redor do mundo. Como declarou um estudante da Universidade da Virgínia: “O aspecto mais útil e duradouro de sua visita foi a influência silenciosa e penetrante de sua personalidade e de uma vida consagrada à causa do Mestre”. Sua turnê por trinta e quatro escolas em vários estados em setenta e seis dias — sem a conveniência do transporte moderno — foi um feito logístico e inspirador.
Em 17 de dezembro de 1912, William Borden se despediu de amigos e familiares e embarcou em um navio que partiu do Porto de Nova York. Suas viagens o levaram ao Cairo, onde passou um ano estudando árabe e islamismo e alugou um quarto modesto de uma família síria para ter uma melhor imersão na cultura. Aonde quer que fosse, Borden levava consigo sua dedicação aos estudos, desejo de servir e profunda amizade com os cristãos armênios e coptas, bem como com os missionários americanos e britânicos. Como disse o diretor do centro de estudos sobre Borden:
Nunca vi um homem chegar ao Egito com os olhos mais abertos para ver o reino de Deus… Borden estava no Cairo havia duas semanas e organizou os alunos do seminário teológico para começar uma campanha de porta em porta com literatura cristã para toda a cidade de oitocentos mil habitantes.
Depois do Cairo, os planos de Borden eram passar um ano em Londres para aprender medicina, para que pudesse ministrar às necessidades do corpo e da alma no campo missionário. Porém ele permaneceu no Cairo até o fim. Depois de apenas alguns meses no Egito, William Borden contraiu meningite espinhal e, apesar de ter lutado com coragem por mais de duas semanas, morreu aos 25 anos em 9 de abril de 1913, apenas quatro horas antes de sua mãe e irmã conseguirem chegar dos Estados Unidos. Ele foi enterrado no Cairo enquanto inúmeras homenagens à sua inspiração e dedicação chegavam do mundo todo. Uma dessas homenagens expressou o pensamento de muitos: “William Borden viveu duas vidas em uma; pois ele fez mais em vinte e cinco anos do que muitos homens realizam em cinquenta”.
O sonho não realizado de William Borden de ministrar na China Inland Mission entre os muçulmanos chineses ficará para sempre oculto sob o véu do mistério divino, porém seu “dever de consagração”, como disse um de seus professores de seminário, ainda brilha um século depois. Ao expressar seu comprometimento, Borden escreveu: “Com plena entrega e prontidão, eu me aproximo de todo o coração”, que se tornou o lema que guiou a vida de Borden. Mais adiante, seu biógrafo resumiu essa declaração com a frase amplamente lembrada que definiu a vida de William Borden: “Com plena entrega, sem recuo, sem pesar”.
A estrofe final de When I Survey the Wondrous Cross [Quando contemplo a maravilhosa cruz], de Isaac Watts, que foi o último hino cantado na ordenação de Borden, resume apropriadamente a vida e o coração deste jovem, que abandonou as riquezas deste mundo pelas riquezas de Cristo:
Se eu possuísse toda a criação,
Seria oferta de pouca expressão;
Amor tão incrível, tão profundo,
Exige meu ser, minha vida, meu tudo.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

