Não cobiçarás

agosto 5, 2026

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Jesus é Deus?

Jesus é Deus? Podemos consultar muitos lugares nas Escrituras para descobrir que a Bíblia responde a esta pergunta afirmativamente. Ela faz isso várias vezes. No entanto, um lugar preeminente onde encontramos esta resposta apresentada de maneira indiscutível é Hebreus 1:1-4.

Nestes versículos, e no restante da epístola, o autor nos mostra como Cristo veio com uma supremacia que supera em muito todos os outros profetas, sacerdotes e reis que vieram antes dEle. Porém o autor de Hebreus quer que entendamos que Sua supremacia é mais do que o que Ele faz como Filho do Homem; é principalmente sobre quem Ele é como Deus, o Filho.

O autor diz de Jesus em Hebreus 1:3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser.” Embora todas as outras coisas ditas em Hebreus 1:1-4 sobre a identidade de Jesus sejam cruciais, esta é a mais importante. Este é o ponto central. Esta é a base do porquê Cristo supera em muito a bondade de todos que vieram antes dEle e de qualquer um que possa vir depois dEle. A vinda deste Profeta, Sacerdote e Rei é a vinda do próprio Deus em carne.

Confessamos corretamente no Credo Niceno que Jesus é “Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus; gerado, não feito.” Hebreus 1:3 é um dos principais lugares nas Escrituras onde somos confrontados com esse grande mistério.

Cristo é o resplendor da glória de Deus. Em Isaías 42:8, lemos que o Senhor não dará Sua glória a outro. Contudo, lemos em Hebreus 1:3 que Cristo é o resplendor da glória de Deus. A mesma glória que irradia do Pai irradia em Jesus Cristo. A luz ofuscante da glória de Deus, a refulgência avassaladora de quem Ele é, irradia do Pai no Filho. Que o Filho compartilhe a glória do Pai só pode significar uma coisa: Ele também é o Senhor de quem Isaías fala, o único Deus verdadeiro e vivo.

Além disso, vemos em Hebreus 1:3 que Cristo é a expressão exata da natureza de Deus. A palavra grega usada neste versículo às vezes se refere à marca feita por um anel de sinete em um selo de cera. A ideia é que cada linha e contorno do anel original é representado com exatidão na marca que se faz. O que a analogia comunica sobre Cristo é que toda a essência divina que é eternamente possuída pelo Pai é compartilhada pelo Filho, que é a expressão exata da natureza de Deus.

Esta é uma oportunidade para compreender algo sobre a gramática que a Igreja católica (universal) usa para descrever a vida da Divindade. Nunca devemos afirmar que o Pai, o Filho ou o Espírito Santo são partes de Deus. Deus não tem partes como se um pedaço dEle fosse dividido para o Pai e outro pedaço fosse dividido para o Filho. Não, Deus é simples. Ele é indivisível. O Filho é a exata expressão da natureza divina. Ele não possui uma parte da divindade; Ele possui a totalidade da divindade. Ele não é uma parte de Deus. Ele é Deus.

Semelhante à marca de um anel sobre um selo de cera, na geração eterna do Filho, cada linha e contorno da divindade do Pai é comunicado ao Filho à medida que o Filho é gerado nas profundezas misteriosas da vida divina: uma geração sem começo nem fim.

É por isso que o autor comenta sobre o que Jesus faz em Hebreus 1:2-3. Intercaladas em torno de uma declaração da deidade essencial de Cristo estão duas declarações sobre a obra que Ele opera na criação do mundo e seu governo contínuo. Lemos em Hebreus 1:2 que Jesus é Aquele “pelo qual também fez o universo.” Lemos em Hebreus 1:3 que sustenta “todas as coisas pela palavra do seu poder.” Estas são obras do Criador, não da criatura. Estas são as obras de Jesus.

Como resultado, Cristo é digno de ser nomeado como o herdeiro de todas as coisas (Hb 1:2). Como Deus o Filho, Cristo é Aquele para quem todas as coisas foram criadas e para quem todas as coisas estão se movendo.

Esta é uma das consequências mais práticas da divindade de Jesus para o cristão. Se você está em Cristo, então deve sempre estar ciente de como todo o seu ser está envolvido na atração gravitacional de Cristo. Você foi criado por Ele e para Ele e está se movendo em direção a Ele. Nós, como Seu povo, somos Sua herança. Ser Sua posse é o maior tesouro da nossa existência.

Não há nada mais prático que você possa fazer na vida cristã do que contemplar a supremacia de Cristo e permitir que essa supremacia preencha sua imaginação, seu coração e sua vida. Tudo se empalidece em comparação a Ele. Todo o restante da criação pode ser bom, porém não pode começar a se elevar ao nível de Sua bondade não criada.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Daniel Schrock

Daniel Schrock

O Dr. Daniel Schrock é pastor da Bethel Presbyterian Church em Wheaton, Illinois.