Benção e maldição

agosto 3, 2026

Benção e maldição

agosto 3, 2026

Não cobiçarás

Muitas pessoas são como o jovem rico quando Jesus lhe disse:

Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mt 19:18-19).

Respondem rápido da mesma forma: “Tudo isso tenho observado” (Mt 19:20). Uma pessoa pode pensar que nunca matou, cometeu adultério ou roubou, por mais falsa que essa afirmação possa ser. No entanto, nenhuma pessoa em sã consciência diria que nunca cobiçou.

O último dos Dez Mandamentos, “não cobiçarás”, se destaca dos demais. Nessas poucas palavras, a própria essência da lei de Deus se revela a nós. A lei de Deus não se preocupa apenas com nossas ações. “Não cobiçarás” proclama sem reservas que nossos pensamentos, sentimentos, inclinações — questões do coração — são muito importantes para o Senhor.

O pecado ao qual se refere é um companheiro muito familiar. Ele surge quando ouvimos sobre a promoção de um colega de trabalho, vemos um carro novo na entrada da casa ao lado ou refletimos sobre a família, ao que tudo indica, perfeita na igreja. Este inimigo levanta sua cabeça maligna em um instante. Não precisamos procurá-lo ou ser ensinados sobre ele. Em vez disso, aparece de forma bastante natural. Embora este pecado seja um conhecido familiar, não é um amigo. É um inimigo oportunista e mortal que agarra o coração, desvia as afeições, ocupa a mente e desmantela uma vida. Onde há paz, ele traz hostilidade; onde há amor, ele incita a divisão; e onde há contentamento, ele gera murmuração.

Por que a cobiça é tão mortal? Porque nunca pode ser saciada. A cobiça deseja incessantemente mais deste mundo, e os pensamentos, afeições e coração de uma pessoa ocupada com o mundo deixarão de buscar o céu. Ela abandona o amor por Deus e dispõe alguém a odiar seu próximo. A cobiça puxa o coração para o abismo da busca egoísta e para o lodo e lama da inveja, calúnia, adultério, orgulho, desonra, assassinato, roubo e idolatria. Foi dito corretamente que quando transgredimos qualquer um dos primeiros nove mandamentos, também transgredimos o décimo mandamento.

Como combatemos este pecado do coração? Gostaria de apresentar três simples encorajamentos bíblicos: olhe para Cristo, viva em contentamento e se regozije em gratidão.

1. Olhe para Cristo

Olhe para Cristo e para as coisas do alto. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”, declarou o Senhor (Mt 6:33). Quanto mais valorizamos Cristo, menos atribuímos valor excessivo às coisas terrenas. Quanto mais desejamos Cristo, menos ansiamos pelas coisas deste mundo. Honra, riqueza, posses materiais, reputação, sucesso mundano e até mesmo saúde possuem pouco brilho quando comparados ao esplendor da glória de Deus na pessoa de Cristo (Hb 1:3). Ao buscá-lo, descobrimos que os tesouros terrenos oferecem prazeres passageiros, porém a alegria nEle é eterna (Sl 103:17). Possuem promessas vazias, mas Suas promessas são seguras. Oferecem conforto, mas Ele o garante (Mt 11:28-30). Buscar a Cristo é uma jornada como nenhuma outra, pois nunca decepciona. Sua beleza, amabilidade, conforto, paz e alegria superam tudo o que este mundo tem a oferecer.

2. Viva em contentamento

Em segundo lugar, se desejamos que a cobiça não tenha domínio sobre nossas vidas, também devemos buscar viver em contentamento. Contentamento não é algo que perseguimos, mas algo em que descansamos. O apóstolo Paulo afirmou: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4:11b). Ele declarou a Timóteo: “Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1 Tm 6:6). Paulo acreditava em um Deus soberano que reina sobre o céu e a terra, e confiava nEle. Ele sabia que a providência divina supriria suas necessidades. O que quer que possuísse, era suficiente, então ele podia descansar contente. Se Deus achasse bom que tivéssemos mais, Ele nos daria mais. É próprio de todo cristão procurar manter essa forma de pensar. Quando isso acontece, quanta alegria o contentamento traz à vida cristã. Contentamento é uma daquelas joias raras; uma vez encontrada e valorizada, enche a alma de deleite.

3. Se regozije em gratidão

Finalmente, talvez a maior força que podemos reunir contra a cobiça seja se regozijar em gratidão. A gratidão desvia a vida cristã das perigosas armadilhas do descontentamento. É difícil estar contente em todas as circunstâncias se a gratidão não habita em nossos corações. O apóstolo Paulo nos exorta, mesmo quando estamos lutando com a ansiedade, que “sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4:6). Queremos agradecer a Deus pelo que recebemos e pelo que Ele nos deu. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto” (Tg 1:17). Portanto, não apenas nos regozijamos no que recebemos pessoalmente, mas também nas boas dádivas que o Senhor concedeu a outros. Nós e outros desfrutamos dessas dádivas não por mera coincidência. Nisso podemos nos regozijar em gratidão.

Querido cristão, olhe para Cristo, viva contente e se regozije em ações de graças, e expulse a cobiça do seu coração e da sua vida. É um inimigo mortal com o qual não se deve brincar. Em vez disso, vivamos no amor por Deus e uns pelos outros: guardar nossos tesouros no céu.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Jason Helopoulos

Jason Helopoulos

O Rev. Jason Helopoulos é pastor principal na University Reformed Church em East Lansing, Michigan, EUA. Ele é autor do The New Pastor’s Handbook [Manual para um novo pastor] e A Neglected Grace: Family Worship in the Christian Home [Uma graça negligenciada: a adoração familiar no lar cristão].