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Seol

Nota do Editor: Este é o quarto de 19 capítulos da série da revista Tabletalk: Palavras e frases bíblicas mal compreendidas.

O que é este lugar chamado Seol (na versão ARA: sepultura/morte) para o santo do Antigo Testamento? Na maioria das referências do Antigo Testamento, “Seol” é usado para descrever o destino humano. Uma aura pálida paira sobre o conceito. O Seol é constantemente descrito pelos justos como um lugar para o qual não se deseja ir: um “destino indesejado”, como no Salmo 30:3. Frequentemente, quando os salmistas se referem ao Seol, o que mais temiam não era a morte em si, nem que pudessem se perder na morte. Em vez disso, temiam perder o contato com Deus. Por exemplo, o Salmo 6:5 afirma: “Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro [Sheol], quem te dará louvor?”. A quantidade de palavras para este lugar dos mortos é impressionante nas Escrituras: “abismo”, “sepultura”, “terra do esquecimento”.

O Seol era sempre considerado um lugar de punição divina, um destino muitas vezes desejado para os ímpios. O salmista costuma falar de maneira metafórica sobre o Seol. Às vezes, “Seol” é usado para descrever metaforicamente a força da aflição por alguém que não está de modo literal no Seol. Por exemplo, no Salmo 88, o salmista não pode literalmente residir no Seol, porque é evidente que ele ainda está vivo; portanto, está usando linguagem metafórica para descrever sua existência como se já estivesse no reino daqueles que habitam no Seol. Às vezes, “Seol” é usado para descrever a dor de estar no exílio. Às vezes, a “escuridão” é usada como uma metáfora para um estado semelhante ao Seol, como no Salmo 143:3: “Pois o inimigo me tem perseguido a alma; tem arrojado por terra a minha vida; tem-me feito habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito”.

Quando o santo do Antigo Testamento invocava o “Seol”, ou sinônimos dele, o que mais temia era a ausência da bênção de Deus, pois nunca se pode estar totalmente ausente de Deus. O Salmo 139:7-8 afirma que Deus, de acordo com Sua onipresença, também estava lá no Seol.

Em geral, o Salmo 16 é descrito como uma canção de certeza ou confiança. O Salmo 16 é, obviamente, citado em Atos 2:25-28, 31 e 13:35. Em particular, o Salmo 16:10 — “Pois não deixarás a minha alma na morte (Seol), nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.” — parece ser uma referência à imortalidade, à ressurreição e à vida após a morte. A mesma questão é levantada nos Salmos 17, 49 e 73. É comum encontrar na literatura acadêmica a alegação de que o Saltério não contém nenhuma argumentação importante sobre a concepção hebraica da vida após a morte. A maioria dos comentaristas preferem ver as referências no final do Salmo 16 como a oração do salmista para que Deus o proteja de alguma morte prematura. Outra teoria é que a “vida” mencionada no versículo 11 é a “vida eterna” e que, portanto, esta é uma declaração sobre a crença do poeta na imortalidade, daí a aplicação de Lucas à ressurreição. Como Geerhardus Vos reconheceu, essas palavras foram corretamente aplicadas à ressurreição de Jesus por Lucas (veja At 2:25-28).

Com a morte, ressurreição e ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo, a compreensão da morte e da vida após a morte mudou radicalmente para os santos. Aqui é importante entender a sétima palavra de nosso Senhor na cruz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23:46). Essa palavra final foi uma declaração de consolo e confiança filial. Foi um ato de oferecer Seu espírito humano a Seu Pai celestial (entretanto, Sua natureza divina permaneceu unida à Sua natureza humana, mesmo enquanto Ele jazia na sepultura. Veja a Confissão Belga, pergunta 19) Ao fazer essa declaração final na cruz, Cristo nos dá uma afirmação da vida ininterrupta.

Estêvão, o primeiro mártir da igreja, entendeu o significado disso, pois mesmo enquanto estava sendo apedrejado, clamou a Deus para ser seu guardião e declarou: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7:59). O apóstolo Paulo também compreendeu a realidade do Senhor ressurreto e da vida após a morte, pois ao perceber que Oséias 13:14 havia experimentado seu verdadeiro cumprimento, pôde declarar: “Onde está, ó morte, a tua vitória?” (1 Co 15:55).

Este artigo foi publicado originalmente na Tabletalk Magazine.

Bryan D. Estelle
Bryan D. Estelle
El Dr. Bryan D. Estelle es profesor de Antiguo Testamento en el Westminster Seminary California. Es autor de varios libros, incluyendo Echoes of Exodus.