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Quem foi Robert Jermain Thomas?

Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.

Após ter vivido como imigrante coreano-americano nas últimas duas décadas, casado e com meus três filhos nascidos nos Estados Unidos, viajei de volta para a Coreia com minha família no ano passado. Em um dia escuro de verão em Seul, Coreia, eu estava dirigindo um carro alugado com minha família para visitar pela primeira vez o cemitério Yanghwajin, onde centenas de missionários na Coreia e seus filhos estão enterrados. Ficamos impressionados com o número de vidas preciosas, jovens e idosos, perdidas por espalhar o evangelho de nosso Senhor ao povo de um país chamado “reino eremita” no Extremo Oriente. No caminho de volta para nosso hotel, minha esposa e eu estávamos explicando, em lágrimas, aos nossos três herdeiros da fé que sua mãe e seu pai encontraram a vida eterna e a joia preciosa em Cristo por meio dos sacrifícios dessas vidas.

Tertuliano de Cartago expressou: “O sangue dos mártires é a semente da igreja”. No passado uma terra espiritualmente árida e um país pobre em todos os aspectos, hoje a Coreia do Sul se destaca como um bastião do cristianismo protestante na Ásia, com aproximadamente 20% de sua população se identificando como protestante. É o lar de algumas das maiores igrejas e importantes organizações evangélicas do mundo. Antes destino de vários missionários, a Coreia é agora uma das bases de envio de missionários mais ativas do mundo.

Criação e educação

O primeiro sangue dos mártires foi derramado no solo da Coreia com a morte de Robert Jermain Thomas (1839-1866), um missionário cristão protestante galês na Coreia. Ele nasceu em 15 de novembro de 1839, na vila de Rhayader, no centro do País de Gales. Seu pai, o Rev. Robert Thomas, foi um beneficiário do grande despertar espiritual do século XIX no País de Gales. O reverendo Thomas e sua família vivenciaram o movimento do Espírito Santo em sua igreja em Rhayader quando, em 1841, ela cresceu exponencialmente. Os ministérios de homens como Christmas Evans, John Elias e William Williams de Wern teriam de fato desempenhado um papel importante em influenciar o pai e, claro, o filho — Robert Jermain Thomas — que aprenderia com seus predecessores que o evangelho de Jesus Cristo precisa ser divulgado tanto em casa quanto no exterior e que o trabalho missionário era o dever e uma alta vocação de cada homem.

O jovem Robert receberia uma excelente educação. Dos doze aos quinze anos, ele estudou no Llandovery College; aos dezesseis, frequentou a Principal Academy em Londres; aos dezessete, estudou na escola Alfred Newth em Oundle, Northamptonshire; aos dezoito, foi aceito durante um tempo no New College, em Londres, para estudar teologia por cinco anos. Antes de concluir seu diploma no New College, Thomas obteve um bacharelado pela Universidade de Londres. No Llandovery College e no New College, ele se destacou como linguista em seus estudos de grego, latim e francês. No final de sua carreira universitária, a Universidade de Londres o homenageou com as bolsas de estudo Mills e Selwyn Fund.

Chamado ao ministério

Depois de sentir o chamado de Deus para o ministério desde cedo, Thomas fez seu primeiro sermão aos dezessete anos. Ele era um jovem muito motivado e talentoso que acreditava que os dons linguísticos que lhe foram dados por Deus deveriam ser usados para propagar o evangelho. A urgência desse jovem galês em fazer a vontade de seu Pai o fez pedir com certa impaciência ao Conselho do New College que lhe permitisse pregar a Palavra de Deus em Wrexham por algum tempo. E, antes de concluir seus estudos no New College, ele interrompeu os estudos antes de concluí-los. Ele passou cerca de seis meses trabalhando com um médico, convencido de que os missionários precisavam de algum conhecimento médico. Logo após retornar à faculdade, Thomas pediu ao comitê da faculdade uma formatura antecipada, pois acreditava sinceramente que era seu dever ir para a China. Ele se casou pouco antes de terminar a faculdade, o que era incomum naquela época. Ele foi ordenado ministro em 4 de junho de 1863, aos 23 anos, em sua cidade natal, Hanover.

Influenciado por dois colegas estudantes, J.R. Carmichael e Robert Wilson, que já tinham ido para a China com a Sociedade Missionária de Londres, Robert Thomas se candidatou à Sociedade para ingressar como missionário na China. Logo ele foi comissionado para a China. Robert se formou na faculdade, foi ordenado, casou-se e navegou para a China no mesmo ano, em 1863.

Após uma viagem de quatro meses, Robert e sua esposa, Caroline, chegaram a Xangai na primeira semana de dezembro. Entretanto, três meses depois, sua esposa morreu devido a um aborto repentino do primeiro filho. Devastado pela morte de sua esposa, o missionário Thomas escreveu sua primeira carta missionária com lágrimas nos olhos:

Não esperava que a primeira carta que escrevo aqui para a Inglaterra seria para dar uma notícia tão triste. Minha querida esposa, Caroline, morreu no dia 24 de março passado, e isso me deixou muito desamparado, não consigo mais escrever. Minha tristeza volta à tona enquanto revivo os detalhes… Confio em me entregar mais completamente do que nunca ao nobre trabalho que acabo de iniciar, porém, no momento, me sinto oprimido por uma profunda tristeza. Tenho certeza de que conto com sua solidariedade e orações para que nenhuma provação, por mais dolorosa que seja, me afaste desta causa gloriosa. Em vez disso, devemos agradecer a Deus por seu fim tranquilo e sem sofrimento e declarar: “O SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!” (5 de abril de 1864). 1

No meio de um período bastante devastador, Deus preparou algo inesperado para Thomas. Ele renunciou à sua missão em dezembro de 1864 e mudou sua base de Xangai para Chefoo (hoje conhecida como Yantai), que ficava a cerca de 720 quilômetros de Pequim e era um dos portos mais próximos da península coreana. Lá, Thomas se encontrou com Kim Ja-pyeong, um coreano que havia fugido da perseguição na China, e seus companheiros. Seu encontro com os coreanos reorientou seu ministério e sua paixão pela Coreia. Thomas começou a estudar a língua coreana e fez planos para visitar o país.

Em setembro de 1865, após longa expectativa e oração, Thomas finalmente viajou com um grande número de Bíblias chinesas em um pequeno barco de madeira para visitar as pequenas ilhas na região do Mar Amarelo, na costa oeste da Coreia, que conecta a China e Choson (Coreia). Sua primeira parada foi a Ilha Baengnyeong, e depois ele viajou para a Ilha Changlin, onde ficou por cerca de dois meses e meio. Distribuiu Bíblias entre os habitantes da ilha, aprendeu coreano e evangelizou antes de retornar à China. Em 1866, por ser fluente em coreano e conhecer bem a cultura coreana, Thomas aceitou uma oferta para se tornar intérprete da Marinha Francesa, que estava embarcando em uma missão para resgatar os dois missionários franceses restantes, dos onze iniciais que enfrentariam a execução pelo tribunal estadual coreano. Isso levou Thomas ao General Sherman, que lhe proporcionou a oportunidade que ele procurava.

Morte e impacto

Apesar das notícias de um massacre recente chamado Perseguição de Byeongin, ele estava decidido a ir para a Coreia, com a ideia de que alguém tinha que abrir a porta para o evangelho. Então, em agosto daquele ano, Thomas embarcou no General Sherman. Enquanto Thomas navegava em direção a Pyongyang pelo Rio Taedong, ele espalhou Bíblias em todos os portos durante a rota. Atracado em Yeoulmok, Hansajeong, no Rio Daedong, em Pyongyang, o General Sherman foi atacado por tropas do governo coreano. Ainda que o navio fosse muito maior e mais fortificado do que qualquer um dos barcos locais, os coreanos encheram seus barcos com escombros, incendiados e lançados em direção à embarcação americana. Cheio de pólvora, o navio explodiu. O navio que afundava forçou os que estavam a bordo a nadar até a costa. Porém, esperando por eles estavam tropas do governo. Sob a bandeira da política do xogunato, as tropas procuravam e decapitavam qualquer um que trouxesse ou seguisse a cultura ocidental. Marinheiros que exigiam a abertura do porto eram decapitados no local.

Thomas não conseguiu mais ficar no barco, então pulou no rio e nadou até lá com algumas Bíblias no peito. Ao longo das margens do rio, Thomas espalhou as últimas Bíblias. Em seus momentos finais, Thomas orou pelo soldado que havia apontado uma espada para ele e lhe deu uma Bíblia. Thomas foi esfaqueado até a morte por Park Chun-Kwon, e seu corpo foi queimado na margem do rio. De acordo com os relatos, Park Chun-Kwon pegou uma das Bíblias espalhadas e a levou para casa. Dizem que depois de estudá-la, ele aceitou Jesus Cristo, tornou-se um crente fervoroso e se tornou presbítero na Igreja Episcopal de Anju.

Também na multidão estava um menino de doze anos chamado Choi Chi-Liang, que pegou três das Bíblias que Thomas havia espalhado, as guardou e deu uma a Park Young-Sik, que rasgou a Bíblia e a usou como papel de parede. Mais tarde, as pessoas leram a Bíblia, se tornaram cristãs e até fundaram a Capela Nuldarigol, a primeira igreja em Pyongyang.

Embora parecesse que Thomas morreu sem sentido, o evangelho que ele compartilhou se tornou a pedra angular da Igreja coreana. Muitas pessoas de Pyongyang passaram a crer em Jesus após “beberem das águas” do Rio Daedong, onde ele foi martirizado. Pyongyang não só se tornou o centro da Igreja coreana, como também foi apelidada de “Jerusalém do Oriente” até a libertação da colônia japonesa. Jesus afirmou: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto” (João 12:24). O fruto do trabalho vivificante de Robert Thomas deu origem ao Grande Reavivamento de Pyongyang, a milhões de santos coreanos hoje e a mais de vinte mil missionários enviados da Coreia até os confins da Terra.


  1. Stella Price, Chosen for Choson (Korea): Robert Jermain Thomas: Choe Nam Hun [Escolhidos para Choson (Coreia): Robert Jermain Thomas: Choe Nam Hun], (Emmaus Road Ministries, 2007).

Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Joo Young Kang
Joo Young Kang
O Rev. Joo Young Kang é gerente de expansão coreana no Ministério Ligonier e presbítero docente na Presbyterian Church in America.