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Quem foi Guido de Bres?

Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.

Guido de Bres (1522-1567) foi um pregador protestante que serviu nas igrejas dos Países Baixos controlados pelos espanhóis, hoje conhecidos como Bélgica e Países Baixos.

Em 1522, ano do nascimento de De Bres, o Sacro Imperador Romano e Rei espanhol Carlos V (1500-1558) introduziu a Inquisição nos Países Baixos. O propósito declarado da Inquisição era combater a heresia, porém seus métodos brutais também preservaram o poder da monarquia sobre o reino espanhol. No início da vida de De Bres, a Inquisição representava pouca ameaça pessoal. Ele foi criado como um devoto católico romano e era esperado que seguisse a profissão do pai, um ofício inofensivo do ponto de vista político: a pintura em vidro. Mas antes dos trinta anos, através da leitura das Escrituras e da literatura reformada, De Bres se converteu ao protestantismo. Essa foi uma decisão perigosa.

De 1548, um ano após sua conversão, até 1566, um ano antes de sua morte, De Bres frequentemente se mudou dos Países Baixos para lugares menos propensos a resultar em seu martírio. Como um novo protestante, De Bres buscou refúgio na Inglaterra sob o comando do jovem rei Eduardo VI (1547–1553). Ali ele obteve educação teológica, talvez envolvendo colegas protestantes Martin Bucer (1491-1551) e John a Lasco (1499-1560). Em 1552, pouco antes da ascensão da Rainha Maria I, a “Sangrenta”, (1516-1558), ele retornou aos Países Baixos para cuidar de várias congregações reformadas. Em 1555, ele publicou seu primeiro livro, The Staff of the Faith [O cajado da fé], uma crítica vigorosa ao catolicismo romano*.

À medida que a perseguição em casa se tornava mais feroz, De Bres de novo fugiu de sua terra natal para a Alemanha e Suíça, onde ficou sob influência direta de reformadores conhecidos. De Bres teve contato pessoal com João Calvino (1509-1564) e estudou os idiomas bíblicos com o protegido de Calvino, Teodoro Beza (1519-1605). Quando o estudo de De Bres foi mais adiante invadido, as autoridades confiscaram livros proibidos de Calvino, Lutero, Zuínglio e outros, além de uma carta de Calvino de 1559. Porém, como um verdadeiro humanista renascentista, as influências de De Bres eram muito mais antigas que as autoridades da Reforma. Certa vez, ele escreveu que nada de sua teologia era de sua autoria, “tudo procede dos antigos”.

Ainda assim, junto com outros reformadores, De Bres era considerado como um inovador e era bastante perseguido pelos inquisidores. Sabemos como ele era fisicamente — alto, magro, curvado, pálido, de rosto comprido e barba ruiva — graças às descrições fornecidas por autoridades que estavam atrás dele. Apesar de assumir pseudônimos e se mudar com frequência, a crescente audácia das pessoas que ele pastoreava tornou mais difícil para ele permanecer incógnito. Em 1561, por duas noites consecutivas, fiéis influenciados pelos ensinamentos de De Bres desfilaram de forma ilegal pelas ruas cantando salmos. No segundo dia de manifestações, a multidão cresceu para milhares de pessoas. O rei espanhol Filipe II (1527-1598) enviou soldados para punir os protestantes.

Um mês após o espetáculo do salmo, a obra mais duradoura de De Bres começou a vir à tona. Sua escrita, impressão e distribuição eram secretas: por divergir do dogma da Igreja católica romana, tornou-se um livro proibido. Mas seu argumento era um apelo à tolerância. Em trinta e sete artigos breves cobrindo os princípios tradicionais da doutrina cristã, a Confissão Belga de De Bres (1561) procurou provar a ortodoxia bíblica e a lealdade cívica dos cristãos reformadores. Não é de surpreender que o autor tenha denunciado “os anabatistas, os outros anarquistas e, em geral, todos aqueles que querem rejeitar as autoridades e os funcionários civis e subverter a justiça” (art. 36; cf. 18, 34). 

Contudo a confissão não foi apenas uma defesa legal. Foi uma verdadeira apologética; uma impressão da primeira edição citou com destaque 1 Pedro 3:15. O escritor estava honrando a Cristo, o Senhor, como santo ao oferecer uma defesa da razão de sua esperança em Deus. Tem sido argumentado de forma convincente que a Confissão Belga é um documento de divulgação com “propósito e caráter missionário genuínos”. Seu autor era claramente movido pelo fervor missionário. Ele escrevei: “Proclamei o evangelho e instruí o povo no conhecimento do Filho de Deus, e se eu tivesse cem mil vidas, estaria disposto a expô-las todas à morte pela confirmação dessa doutrina”. Após a publicação de sua confissão, De Bres fugiu novamente, dessa vez para a França. Porém a caça estava se intensificando. As autoridades revistaram a casa de De Bres, confiscaram seus livros, papéis e queimaram publicamente sua efígie.

Em 1566, a situação parecia mais segura para os protestantes nas Países Baixos. Ao retornar do exílio, sua pregação atraiu tantos ouvintes que nenhum prédio conseguia acomodar a multidão. Então ele pregou em campos, às vezes para até vinte e cinco mil pessoas. À medida que a Reforma ganhava força, os protestantes exigiam o uso de edifícios existentes para os cultos reformados. Quando o pedido foi negado, contra as instruções de De Bres, multidões invadiram os prédios da Igreja católica romana, destruíram imagens e móveis considerados ofensivos ao culto bíblico.

A resposta das autoridades foi rápida e firme. Após um curto cerco, os soldados de Filipe II finalmente prenderam De Bres em 1567, ele esteve preso por dois meses e meio. Enquanto estava preso, De Bres escreveu cartas comoventes para sua mãe e para sua esposa Catherine, a quem ele chamava de sua “querida, amada esposa e irmã em nosso Salvador Jesus Cristo” e que lhe deu cinco filhos em oito anos de casamento. Enquanto De Bres era escoltado até a forca, ele encorajou seus companheiros de prisão: “Nunca teria pensado que Deus me daria tamanha honra” de morrer por Ele.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

William Boekestein
William Boekestein
O Rev. William Boekestein é pastor da Immanuel Fellowship Church em Kalamazoo, Michigan. Ele é autor de vários livros, entre eles The Future of Everything [O futuro de todas as coisas].