Quem foi São Patrício?
novembro 28, 2025
Quem foi John Lafayette Girardeau?
dezembro 3, 2025
Quem foi São Patrício?
novembro 28, 2025
Quem foi John Lafayette Girardeau?
dezembro 3, 2025

Quem foi Columba?

Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.

Ao ler as “vidas dos santos”, descobrir a verdade sem retoques é uma tarefa bastante difícil, quase impossível. Isso com certeza se aplica ao caso de Columba, ou Columcille, o missionário irlandês que atuou entre os escoceses e pictos na segunda metade do século VI. A biografia de Columba, escrita por Adamnan cem anos após sua morte, contém todos os elementos comuns da hagiografia medieval: visões e revelações, profecias, visitas de anjos, curas, ressurreição dos mortos e batalhas contra forças das trevas (entre eles, no caso de Columba, o banimento pelo sinal da cruz de um ancestral do monstro do Lago Ness do século VI).

Contudo, depois de fazermos o trabalho de detetive para separar o joio do trigo, certos fatos parecem permanecer.

Columba nasceu em uma família nobre por volta de 521 em Donegal, Irlanda, e morreu na ilha de Iona, na costa oeste da Escócia, em 597. Desde jovem foi encaminhado para o sacerdócio, ele mais adiante fez votos monásticos e os manteve com grande zelo (ele é creditado com a fundação de vinte e cinco mosteiros e quarenta igrejas aos vinte e cinco anos!). Seu temperamento explosivo e teimoso parece ter sido o catalisador para guerras de clãs e diversas mortes. Segundo a tradição, seu conselheiro espiritual, Molaisi de Devenish, ordenou que ele buscasse a conversão de um número igual de almas àquelas cujas mortes ele havia causado.

De qualquer forma, por volta dos quarenta e dois anos, Columba parece ter passado por uma mudança radical e se comprometido com o empreendimento missionário. Junto com doze companheiros, ele navegou pelo Mar da Irlanda e desembarcou em Iona, que mais tarde se tornou sua base de operações para a conversão de duas das principais tribos do continente escocês, os pictos e os escoceses, bem como os ingleses do norte.

O que Columba de fato acreditava e ensinava permanece obscuro para nós (o cristianismo celta na Escócia manteve diferenças importantes do cristianismo romano até a influência da Rainha Margarida no século XI). Porém sua história ilustra vários princípios importantes que se repetem nas histórias da expansão da igreja cristã.

O primeiro princípio é que meras estratégias de evangelização nunca são a causa real de seu impacto duradouro. O comprometimento pessoal é. As célebres palavras de E.M. Bounds provaram-se verdadeiras através dos séculos: “Os homens estão procurando métodos melhores; Deus está procurando homens melhores. Os homens são os métodos de Deus.” Por mais impossível que seja agora decifrar a fé pessoal de Columba nos acréscimos da hagiografia, a profundidade, a determinação e a persistência de seu comprometimento com sua causa estão fora de dúvida. O reino de Cristo prospera na paixão devidamente direcionada à sua extensão. Essa paixão pode não ser imaculada; a prosperidade pode não ser imediata; mas elas pertencem juntas à receita divina para o avanço do reino. Afinal, os Seus discípulos não notaram particularmente o zelo do Senhor (João 2:17)?

Segundo, onde vivemos e servimos não é o fator determinante final em nossa influência espiritual. Para alguns, pode parecer herético expressar isso, contudo, o fato é que Iona está no caminho para lugar nenhum. Há uma lição aqui, que também se reflete na vida dos cristãos de hoje. A visão missionária não exige residência em uma grande cidade para prosperar. Existe um desvio crescente em alguns círculos evangélicos na atualidade de que apenas nas grandes cidades, nas grandes igrejas e em seus pastores é que ocorre a ação do reino? Entretanto Hipona de Agostinho não era Roma, Atenas ou Constantinopla. Você consegue localizar Northamptonshire em um mapa? (Por que você faria isso? Foi lá que nasceu a paixão de William Carey pelas missões mundiais. Então poderíamos continuar. Todo lugar está à mesma distância do poder e da presença de Deus. Nunca devemos esquecer disso se nos encontramos em uma esfera julgada pequena pelo mundo ou, infelizmente, pela igreja, às vezes, bastante mundana.

O terceiro princípio é que o caminho de Deus, muitas vezes, é avançar Sua causa por meio de irmandades espirituais (não querendo dizer sociedades compostas exclusivamente por homens). Nisto residia parte do poder do movimento monástico e, certamente, da missão de Columba: ele e seus companheiros, unidos por uma visão comum, estavam preparados para arriscar tudo pela causa e uns pelos outros. Esse padrão remonta às Escrituras, às escolas dos profetas, ao Senhor e aos apóstolos, às missões apostólicas, a Agostinho e seus amigos, aos grandes reformadores e, talvez de forma mais notável em nossa própria história, aos puritanos e ao Grande Despertar. O ferro com o ferro se afia.

Portanto, a história de Columba serve para nos encorajar a orar para que Deus levante trabalhadores para Sua colheita e os una para viver, servir e, se necessário, dar tudo por Cristo e Sua causa. Muitas vezes, foi através disso que Deus tem avançado Seu reino nas gerações seguintes.

Pensando bem, em certo sentido é talvez verdade que eu, minha família e muitos dos nossos amigos mais próximos somos cristãos hoje por causa de Columba.

Mas quem será cristão amanhã por nossa causa?


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Sinclair B. Ferguson
Sinclair B. Ferguson
O Dr. Sinclair B. Ferguson é professor da Fraternidade de Ensino de Ligonier Ministries e professor Chanceler de Teologia Sistemática no Reformed Theological Seminary. Ele é autor de vários livros, incluindo Maturity.