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A morte é o maior problema que os seres humanos enfrentam. Podemos tentar esconder pensamentos sobre isso nos cantos mais distantes de nossas mentes, mas não podemos apagar completamente nossa consciência sobre nossa mortalidade. Sabemos que o espectro da morte nos aguarda.
O apóstolo Paulo escreve:
Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei. Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés (Rm 5:12-14).
Vemos que havia pecado mesmo antes de a lei ser dada através de Moisés, e isso é comprovado pelo fato de que a morte ocorreu antes de a lei ser dada. O fato da morte prova a presença do pecado, e o fato do pecado prova a presença da lei, que foi revelada no íntimo dos seres humanos desde o início. A morte entrou no mundo como resultado direto do pecado.
O mundo secular vê a morte como parte da ordem natural, enquanto o cristão vê a morte como parte da ordem caída; não era o estado original do homem. A morte veio como juízo de Deus pelo pecado. Desde o início, todo pecado era uma ofensa capital. Deus disse a Adão e Eva: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16-17). A morte sobre a qual Deus alertou não era apenas espiritual, mas também física. Adão e Eva não morreram fisicamente no dia em que pecaram. Deus lhes concedeu a graça de viver por mais algum tempo antes de aplicar a penalidade. No entanto, com o tempo, eles pereceram da face da terra.
Todo ser humano é um pecador e, portanto, foi condenado à morte. Estamos todos aguardando que a sentença seja executada. A questão é o que acontece após a morte. Para os cristãos, a penalidade foi paga por Cristo. Isso tem implicações para a forma como abordamos a morte. Paulo estava na prisão quando escreveu:
Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne (Fp 1:19-24).
Muitos de nós ficamos perplexos com as palavras de Paulo nesse texto. Embora nos regozijemos na vitória de Cristo sobre o túmulo, ainda assim tememos a morte. Os cristãos não têm garantia de isenção de uma morte dolorosa. Contudo, o pensamento da morte com frequência provoca medo tanto para cristãos quanto para não cristãos. Esse temor está ligado à questão do que acontece após a morte.
Para o cristão, há uma promessa divina, uma promessa que permitiu a Paulo expressar: “Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” Temos a promessa de que entraremos na presença de Deus Mas há perguntas, mesmo com essa promessa. Como é o céu? Vamos gostar de lá? O que faremos lá? Como seremos?
Apesar de todas as dificuldades desta vida, é tudo o que conhecemos. Afinal, nem mesmo Paulo menosprezou esta vida. Ele declarou: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne” (Fp 1:23). Paulo desejava continuar sua vida na terra e especialmente seu ministério, porém ele reconheceu que “partir e estar com Cristo” é “incomparavelmente melhor”.
Para os não cristãos, a notícia não é boa. Há novamente uma promessa de Deus, no entanto, desta vez é uma promessa de punição, que a ira divina contra o pecado será satisfeita naqueles que não confiam em Cristo. Esse castigo acontecerá em um lugar chamado inferno, mas, novamente, há incerteza. Como é o inferno? Em que consiste a punição? Há alguma chance de escapar desse lugar? É justo, ou seria mais justo que os ímpios fossem simplesmente destruídos?
Estas são perguntas importantes, pois todos nós enfrentaremos a morte um dia. Ser cristão consistente significa afirmar o sobrenaturalismo inabalável da Bíblia, um sobrenaturalismo que é anátema para o mundo de hoje. Devemos ter nossa cosmovisão moldada pela Bíblia e não pela cultura incrédula. Ao fazermos isso, encontraremos esperança: esperança no Deus que nos criou e que promete nos levar ao céu pela obra de Seu Filho e nos livrar das dores do inferno.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

