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Quem foi John Lafayette Girardeau?

Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.

Pelos livros que levam seu nome, alguém poderia com facilidade ser levado a pensar que John Girardeau era um teólogo filosófico de alto nível acadêmico. Isso era verdade, mas ele era, antes de tudo, de coração, um missionário para os pobres e necessitados em uma região da Carolina do Sul.

Em 14 de novembro de 1825, John Lafayette Girardeau nasceu, filho de Claudia Herne Girardeau e John Bohun Girardeau, em James Island, Carolina do Sul. Ele era de origem huguenote francesa e presbiteriana escocesa. A escola de campo local o treinou nos três aspectos (“leitura, escrita e aritmética”) e muito mais. Quando ele tinha oito anos, sua mãe morreu, e ele foi enviado para viver em Charleston para completar seus estudos secundários na German Friendly Society School, na Archdale Street. Aos dezoito anos, ele recebeu honras de orador da turma e um diploma em línguas clássicas do College of Charleston.

Após estudar para o ministério em um seminário teológico em Columbia, ele retornou para Lowcountry para seguir a vida como ministro presbiteriano. Ele serviu em igrejas perto de McClellanville e em Adam’s Run antes de ser convocado para a “Cidade Santa” de Charleston em 1854 para assumir a liderança do trabalho incipiente entre os homens e mulheres escravizados de lá. Este trabalho foi iniciado pela Second Presbyterian Church em 1847. Ele herdou uma estrutura gótica com capacidade para cerca de quinhentas pessoas na Anson Street, que havia sido construída em 1850 expressamente para os escravos de Charleston. Em 1859, eles já não tinham mais espaço nas instalações e se mudaram para uma estrutura gigantesca na Calhoun Street, perto da esquina da Meeting Street. O edifício era a maior igreja da cidade, com capacidade para 1.500 pessoas. Eles a chamaram de Zion Presbyterian Church. Em Charleston, Girardeau ficou conhecido como “o maior pregador de toda a nossa região sul” e foi chamado por um renomado pastor de “o Spurgeon dos Estados Unidos”.

Diante de uma forte oposição por parte de racistas, Girardeau e os presbíteros brancos de Zion forneceram um extenso programa de educação religiosa para os escravos. Os presbíteros tiveram tanto sucesso em instruir oralmente a congregação no catecismo, nos hinos e nos salmos da igreja que alguns cidadãos pensaram que eles estavam descumprindo a lei civil que proibia ensinar escravos a ler e escrever. Girardeau também realizou cerimônias de casamento, “até que a morte nos separe”, na proeminente estrutura da igreja na Calhoun Street. Os moradores se opuseram a isso, preocupados com a “liberdade” que os membros negros tinham de andar pelas ruas com roupas elegantes.

Quando a Guerra Civil eclodiu, o número de membros negros de Zion era superior a quinhentos, com cerca de duzentos membros brancos adicionais. Girardeau pregava regularmente para uma congregação de 1.500 negros e brancos três vezes por domingo. Ele pregou com o objetivo de elevar toda a congregação a níveis mais elevados de conhecimento e devoção cristã. Como resultado da pregação extraordinária de Girardeau e dos amplos esforços educacionais na congregação, a Zion Presbyterian Church desenvolveu vários líderes para o futuro.

Depois de servir como capelão durante a terrível guerra e uma breve prisão na Ilha Johnson, Ohio, Girardeau retornou à sua pátria na Carolina do Sul. Após seu retorno ao estado, os líderes de Zion convidaram Girardeau por carta (e uma comovente) para retornar a Charleston e continuar como seu pastor. Pelos próximos dez anos, ele trabalhou muito pelo bem-estar espiritual, social e moral deles. Ele foi o primeiro ministro presbiteriano no Sul a ordenar homens negros para cargos públicos na igreja, e foi o único a se posicionar contra a segregação na Assembleia Geral da Southern Presbyterian Church em 1874. Com a segregação em vigor, seu ministério direto com os escravos terminou. Com este capítulo do ministério encerrado, ele foi eleito professor de Teologia Sistemática no antigo Seminário de Columbia.

Ele é autor de vários livros e artigos em periódicos teológicos. Girardeau defendeu a igreja contra a invasão de teorias evolucionistas ateístas e se tornou um dos principais teólogos da Igreja presbiteriana nos Estados Unidos. Ele forneceu à igreja uma das declarações mais articuladas sobre a doutrina da adoção, um tratado que tinha suas raízes em sermões pregados à sua congregação antes da guerra civil. Na congregação de Zion, os membros que eram escravos foram instruídos e encorajados com base em sua posição filial e irrevogável na casa de Deus.

Além de seu ministério exemplar com homens e mulheres escravizados, talvez seu legado mais duradouro tenha sido sua contribuição literária ao ofício de diácono. Ao escrever quase duzentas páginas para a The Southern Presbyterian Review, ele estabeleceu o ofício como uma necessidade espiritual na igreja e elaborou a formulação da eclesiologia do presbiterianismo nos Estados Unidos sobre o ofício de serviço espiritual aos necessitados.

Seu casamento de cinquenta anos com Sarah Penelope Hamlin, “Sal”, como ele a chamava, enfrentou muitas dificuldades, porém rendeu à igreja dez filhos da aliança. Suas três filhas se casaram com alunos dele, homens que foram ministros fiéis até as primeiras décadas do século XX. Girardeau morreu em 23 de junho de 1898, e seu corpo aguarda a ressurreição no Cemitério Elmwood, em Columbia, Carolina do Sul.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

C.N. Willborn
C.N. Willborn
O Dr. C.N. Willborn é pastor titular da Covenant Presbyterian Church em Oak Ridge, Tennessee, e professor adjunto de História da Igreja no Greenville Presbyterian Theological Seminary.