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junho 22, 2026A liderança na igreja
É verdade que Paulo foi um apóstolo e nós não somos. No entanto, Paulo era um pastor, e aqueles que servem na igreja também são pastores. Há um ponto comum entre todos os homens e mulheres que trabalham na liderança cristã e o apóstolo Paulo, e podemos aprender algo sobre técnicas, metodologia e prioridades com ele.
Paulo escreveu em 1 Coríntios 2:1-5:
Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.
Paulo expressou que não se aproximou dos coríntios “com ostentação de linguagem ou de sabedoria”; em outras palavras, Paulo estava dizendo: “Quando fui até vocês, não tentei impressioná-los. Eu não fui até vocês com uma atitude de superioridade. Não exerci minha posição de liderança no contexto de arrogância ou autoexaltação.” Este deve ser o primeiro princípio do ministério e liderança piedosos, que não assumamos uma postura de superioridade, seja em nossa fala, em nosso comportamento ou em nossa atitude. Não há dúvida de que Paulo era superior em termos de seu conhecimento, seus dons e a força de sua personalidade, porém ele não se apresentava como alguém superior. Ele ministrou no contexto da fraqueza, como continuou explicando.
“Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2:2). Há uma sensação de que Paulo estava falando de forma hiperbólica, pois falou sobre muitas outras coisas além da crucificação. Ele abordou todo o campo da teologia, todo o conselho de Deus. Contudo, em termos de suas prioridades e foco central, aquilo que condicionava tudo o mais que ele ensinava era Cristo e Ele crucificado. Ele estava determinado a não saber mais nada, e a palavra grega traduzida como “saber” sugere não apenas compreensão intelectual, mas um entendimento íntimo e profundo. Queria conhecer Cristo, e esse conhecimento de Cristo o levou à sua posição de liderança.
O v. 3 é essencial para o sucesso de Paulo como ministro, pastor e líder cristão: “E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós.” Independentemente do que Paulo tenha sido em seu ministério, ele estava sempre se identificando com as fraquezas, medos e tremores de seu povo. Uma questão que com frequência surge na liderança cristã em termos de dinâmica de grupo é se as pessoas que lideram devem esconder seus medos e ansiedades sobre essa posição de liderança. Deveriam tentar assumir uma postura de indiferença, e fingir que tudo está sob controle e que não há problemas? Ou deveriam se permitir ser vulneráveis?
Essa pergunta é sempre difícil de responder. Sem dúvida, não somos chamados a participar de uma farsa ou a agir como se tudo estivesse sob controle quando não está. Isso é simplesmente desonesto. Por outro lado, isso também não significa que o líder de um grupo vai ensaiar todas as possíveis ansiedades e medos que possa estar vivenciando no contexto de conduzir uma reunião. Nesse ponto, o propósito de estarem juntos se perde se o encontro vira apenas um espaço para o líder falar e desabafar todas as suas inseguranças e ansiedades. Isso não significa estar com as pessoas na fraqueza e no temor, mas há um chamado para liderar em uma posição de honestidade. Há um apelo para que os líderes não finjam ser algo que não são e não desempenhem um papel para o qual não estão aptos.
Se Deus o colocou em uma posição de liderança, Ele sem dúvida o colocou lá para continuar crescendo, porém também o chamou para essa posição em termos de quem você é neste momento. Se Deus em Sua providência está por trás desse chamado de alguma forma, Ele está chamando você por causa dos dons, talentos e habilidades que você possui neste momento. Nesse sentido, você não precisa fingir ser o que não é. Ele está chamando você tal como você é. Ele não quer que você fique lá; Ele quer que você cresça, Ele quer que você se mova, Ele quer que você progrida, mas um progresso sem ansiedade, sem ficar tenso com suas limitações.
Paulo disse em outro lugar: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2 Co 12:9). O que Paulo sempre mantinha diante de si era que as únicas forças que ele tinha, os únicos dons que ele tinha para oferecer, eram aquelas forças, dons e talentos que tinham em Cristo a sua fonte de poder e não em si mesmo. Isso é reconfortante para uma pessoa em qualquer tipo de posição de liderança. No entanto, Paulo quando estava ministrando às pessoas, não tinha como foco principal as suas fraquezas, inadequações e medos. Ele estava mais preocupado com os medos e fraquezas dos outros, e acho que isso caracteriza um líder cristão.
Quando Paulo começou a trabalhar com os Coríntios, ele declarou: “E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós” (1 Co 2:3). Em outras palavras, Paulo tinha como preocupação compreender os medos e fraquezas de seu povo. Isso deveria ser realidade não apenas para um apóstolo ou para um ministro ordenado; deveria se aplicar para qualquer pessoa que esteja em uma posição de liderança cristã. Isso significa sensibilidade. Isso significa ouvir. Isso significa prestar atenção às pessoas que você está liderando. Significa ouvir sobre onde eles estão, onde estão sofrendo, onde estão suas fraquezas e medos e ser sensível a eles.
Uma pessoa que está equipada com a mente de Cristo e que conhece as Escrituras deve ser capaz de lidar com os problemas básicos da existência humana. Se isso não for verdade, então o cristianismo possui, de fato, pouca relevância. Se o evangelho não é um evangelho de cura em relação ao homem em sua totalidade, então não é evangelho de forma alguma.
A tarefa de dar admoestação, exortação, edificação, conforto, consolação e fortalecer é dada a toda a igreja, e Paulo chamou os crentes a exortar, admoestar, instruir, aconselhar e orientar uns aos outros. O cristianismo assume e ordena que todos os membros estejam envolvidos no ministério, mas em grande parte perdemos isso nos Estados Unidos. Erramos ao nos apegar à ideia de uma liderança centrada no clero na igreja, o que não é a posição do Novo Testamento. Cada cristão recebe essa responsabilidade, pois Deus nos deu os recursos para cuidar uns dos outros.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

