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junho 22, 2026Assistência sacramental
Todos nós temos aqueles momentos em nossas vidas que consideramos que foram formativos para moldar quem somos hoje. Celebramos aniversários em nossas casas todos os anos. Lembramos de nossos aniversários de casamento e das datas em que conhecemos nossos cônjuges pela primeira vez ou tomamos uma decisão de carreira que mudou nossas vidas. Muitas vezes, esses acontecimentos têm imagens e cheiros associados a eles, ou certas imagens e cheiros fazem lembrar episódios ou sentimentos específicos. Se sua mãe fazia uma sopa de galinha especial toda vez que você ficava doente, o cheiro de caldo de galinha quente pode provocar memórias afetuosas dela e de seus cuidados. Encontrar uma boneca ou um animal de pelúcia precioso da sua infância talvez lhe levará de volta àqueles dias e às experiências que você desfrutou.
Esta tendência humana de lembrar acontecimentos importantes por meio de objetos tangíveis se estende diretamente para a esfera religiosa. Entendemos que a vida e a adoração da igreja envolvem o que chamamos de “Palavra e sacramento”. Nas igrejas protestantes, em particular, houve uma tremenda ênfase na pregação da Palavra, mas historicamente, a celebração dos sacramentos no protestantismo também tem sido vital. Infelizmente, tem havido um descuido com os sacramentos entre os evangélicos modernos, embora haja sinais encorajadores de que essa tendência está sendo revertida. No entanto, a celebração dos sacramentos ordenados por Deus tem sido uma constante ao longo da história do Seu povo. Desde os dias do Antigo Testamento até o Novo Testamento, Deus tem se preocupado não apenas em falar ao Seu povo através de Sua Palavra, mas também em se comunicar de outras maneiras e por outros métodos, sendo um dos mais importantes através dos sacramentos.
Quando falamos dos sacramentos, em geral, estamos nos referindo especificamente ao batismo e à Ceia do Senhor, aqueles sinais e selos instituídos por Cristo para lembrar Sua morte e Sua obra de purificação de Seu povo do pecado. Porém os teólogos também usam termos como sacramento ou sacramental em um sentido mais amplo. Tais termos podem ser aplicados a muitas maneiras pelas quais Deus se comunicou com Seu povo através de lições objetivas, através de sinais ou símbolos comuns que passam a ter um significado extraordinário. Por exemplo, temos o arco-íris, que foi o sinal dado a Noé de que o Senhor nunca mais destruiria a terra com um dilúvio. Ele usou aquele fenômeno natural comum do arco-íris como um sinal de uma promessa divina incomum, especial, de Sua providência perseverante e preservadora. Toda vez que vemos um arco-íris, participamos da vida sacramental da fé, não no sentido técnico dos sacramentos, mas sim no sentido mais amplo de objetos externos que são usados para realçar e apoiar a comunicação das promessas verbais de Deus.
Os crentes do antigo pacto também tinham a circuncisão como um lembrete visível de que haviam sido separados do mundo para serem o povo santo do Senhor. Além disso, os profetas com frequência dramatizavam a Palavra de Deus através de sinais visíveis, como um prumo, um jarro quebrado ou outras coisas semelhantes. Talvez a celebração sacramental preeminente sob a antiga aliança fosse a Páscoa, a refeição que era consumida para comemorar a libertação dos israelitas da escravidão egípcia por Deus. Aqui vemos o sinal unido à Palavra de Deus, como deve ser sempre que se celebra um sacramento ordenado por Ele. Enquanto a refeição era consumida, as famílias em Israel deviam recontar a história do êxodo, relatar as pragas enviadas divinamente e a mensagem de Deus a Israel através de Moisés, que faziam parte da libertação do Egito.
Sob a nova aliança, lembramos, por exemplo, a Ceia do Senhor, quando Jesus tomou o sacramento do Antigo Testamento da Páscoa e o preencheu com novo significado e novo conteúdo. Ele tomou o pão e o vinho da Páscoa e os transformou em sinais e selos de Seu corpo quebrantado e sangue derramado, que são o preço de nossa redenção. Ele disse para comer o pão e beber o vinho em memória dEle. Jesus conhecia Seu povo. Ele sabia como éramos, que às vezes nossa fidelidade a Cristo é apenas tão intensa e forte quanto a vivacidade da recordação de nossa bênção mais recente nas mãos de Deus. Contudo descemos dessas experiências de cume e tendemos a esquecer o que Deus fez por nós no passado. Os sacramentos representam o Senhor se acomodando a essa nossa fraqueza para nos ajudar a lembrar o que Ele fez por nós.
Somos pessoas fracas e pecadoras que precisam de toda a ajuda possível para lembrar o que o Senhor fez por nós. Se negligenciarmos os sacramentos que Ele deu ao Seu povo e falharmos em compreender a importância dos aspectos sacramentais da nossa fé, estaremos recusando ajudas preciosas que fornecem confirmação adicional de Suas promessas. Quando estão unidos à Palavra de Deus, os sacramentos fortalecem nossa fé, promovem nossa santificação e nos asseguram da fidelidade inabalável do Senhor para conosco: Seu povo que esquece e muitas vezes é infiel.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

