
Assistência sacramental
junho 24, 2026O verdadeiro pastoreio
Todas as manhãs, durante vários meses, minha esposa e eu passávamos por um ganso do Canadá que estava ferido, cujas penas estavam eriçadas em várias direções. Durante todos esses meses, vários gansos permaneceram fielmente com a ave ferida.
Da mesma forma, cuidar dos feridos é o dever amoroso da igreja para com os seus. Paulo nos ensina que quando um membro do corpo de Cristo sofre, “todos sofrem com ele” (1 Co 12:26). Cuidar dos enlutados promove a unidade do corpo de Cristo e fomenta a comunhão dos santos. Além disso, os santos enlutados têm um direito à nossa compaixão por amor a Cristo (Mt 25:40).
Isso se aplica de maneira especial aos pastores. Somos chamados a ser pastores (Ef 4:11), o que significa que devemos pastorear “a igreja de Deus” (At 20:28). Isso envolve evitar certas atitudes e cultivar outras, depois colocar essas atitudes em ação, e nos lembrar de nosso grande chamado como subpastores de Cristo.
Atitudes a evitar
Primeiro, não considere as pessoas enlutadas como uma interrupção. Eu estava no ministério há mais de dez anos quando recebi uma ligação que provou ser transformadora. Estava trabalhando na conclusão da minha dissertação de doutorado quando o telefone tocou. Suspirei ao atender: “Sou uma interrupção tão grande assim?” perguntou a voz do outro lado. “Interrupção?”, perguntei com gentileza. “Sim, você não escutou seu próprio suspiro?” De repente, percebi que minha dissertação, e não a pessoa enlutada que ligava, era a interrupção. A pessoa enlutada que ligava era o trabalho da minha vida, meu chamado, meu verdadeiro ministério. Minha dissertação era a interrupção deste verdadeiro ministério.
Nunca esqueci essa lição ao longo dos últimos dezoito anos de ministério. Pessoas enlutadas e que estão sofrendo são o que o ministério de fato significa. Não devemos pensar em nossas igrejas e nossos membros em termos de números ou casos; em vez disso, devemos pensar em nossas igrejas como hospitais onde os feridos e enlutados vêm até nós e buscam nossa orientação bíblica e cuidado amoroso.
Em segundo lugar, não trate todas as ovelhas da mesma forma. Como um bom pastor, se lembre de que algumas ovelhas precisarão de mais atenção do que outras. Em terceiro lugar, não abandone o pastoreio em favor da pregação. Não diga: “Sou um pregador antes de tudo, então não preciso passar muito tempo com meu rebanho.” Pregar e pastorear são dois lados da moeda do ministério. Sim, é difícil fazer ambos bem, mas você deve fazê-los. Deus nunca prometeu que o ministério seria fácil.
Atitudes a cultivar
Primeiro, ame o seu povo enlutado. As pessoas estão sofrendo. Se não os pastorearmos em suas tristezas, somos mercenários, não pastores, e devemos nos arrepender de nossa indiferença. Junto com Richard Baxter podemos declarar: “Estou contente em consumir meu corpo, sacrificar ao serviço de Deus, gastar tudo o que tenho e me gastar pelas almas dos homens.” Segundo, desenvolva uma atitude positiva em relação ao ministério pastoral. Como pastor, você precisa cultivar uma atitude de servidão voluntária para pastorear os necessitados. Repita as palavras de Thomas Scott : “Se tivesse mil vidas, as gastaria com alegria no ministério pastoral: se tivesse vários filhos, os consagraria feliz a isso.”
Terceiro, pastoreie os enlutados como você é pastoreado por Cristo. Seja imitador de Cristo por amor a Cristo (Ef 5:1-2). Se Cristo comprou Seu rebanho com Seu próprio sangue, você não deveria estar disposto a fazer alguns sacrifícios para servir ao Seu povo sofrido?
Colocar a atitude em ação
Primeiro, se entregue aos enlutados. Ofereça às pessoas que sofrem sua total atenção. Afaste qualquer outra preocupação quando estiver com eles.
Segundo, foque na Palavra. Deixe que as Escrituras sejam o centro de sua visita. Leia uma breve porção adequada com ênfase e sentimento. Aponte as pessoas para Cristo. Não permita que uma visita termine sem transmitir algo do cuidado do supremo e perfeito Médico das almas.
Terceiro, envolva seu ministério em oração. Ore com fervor pelos enlutados, tanto em sua presença quanto em sua ausência. Ore por cura e submissão. Ore por intervenção divina e pela santificação do luto. Incentive os enlutados a orar também. Ensine-os que orar e ministrar a outros que estão de luto pode ajudar a aliviar seu próprio luto.
Quarto, envolva o rebanho. Alerte seus anciãos sobre tais casos. Procure outros membros da igreja que possam ajudar.
Lembre-se de que os enlutados e os que estão à beira da morte estão enfrentando muitos medos, então ofereça conforto aos salvos e evangelize os não salvos. Que alegria sentimos como pastores quando vemos os enlutados salvos e crescendo na graça e no conhecimento de Cristo sob nosso pastoreio! (2 Pe 3:18). Você é um agente do Espírito Santo, que chamou você para o ministério, capacita e prepara você para ele, e obra através de você por Sua Palavra para confortar os enlutados (1 Pe 1:12). Tal honra supera em muito todos os desafios e provações do trabalho na igreja.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

