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Nosso Deus totalmente compassivo que nos cura

Nota do editor: Este é o décimo primeiro de 15 capítulos da série da revista Tabletalk: Conflito na igreja.

Há mais acontecendo nos milagres de Cristo do que apenas alimentar multidões, transformar água em vinho e curar doenças. O apóstolo João define o ministério de milagres de Jesus como “sinais” que confirmam quem Jesus é, e o que Ele veio realizar no cumprimento da missão redentora de Deus (Jo 20:30-31). Cada milagre demonstra o coração compassivo de Jesus ao entrar em nossa condição miserável como o Filho de Deus encarnado.

Em Marcos 7, a compaixão de Jesus é derramada sobre um homem incapaz de ouvir ou falar. No Mundo Antigo, esse homem provocava severa humilhação social daqueles que falsamente concluíam por suas deficiências físicas que ele era mentalmente ignorante. Imagine nunca ouvir o canto dos pássaros da manhã ou uma conversa no mercado, ou nem ter a capacidade de dizer “eu te amo” para seus filhos. No entanto, ele é auxiliado por um grupo de pessoas que o conduzem a Jesus, que lhe suplicaram “que impusesse as mãos sobre ele” (Mc 7:32). Em vez de submetê-lo à mais desgraça da multidão, Jesus “tirou-o da multidão, à parte” (v. 33). O que Jesus faria seria em particular, longe de olhares atentos e comentários sarcásticos.

Superficialmente, o relato da cura deste homem beira o bizarro. O que Jesus está fazendo colocando Seus dedos nos ouvidos deste homem e, depois, cuspindo e tocando sua língua com a saliva? Afinal, Jesus poderia apenas dizer uma palavra e novos tímpanos e cordas vocais seriam criados instantaneamente. Mas em uma demonstração dramática de compaixão, Jesus começa a falar a única língua que este homem teria conhecido. Colocando os dedos nos ouvidos deste homem, Jesus está dizendo: “Vou fazer algo em seus ouvidos”. Cuspindo e tocando a língua com a saliva, Jesus está expressando: “Vou fazer algo com a sua voz”. O glorioso Criador de tudo que existe está entrando no mundo deste homem. No versículo 34, Jesus ergue “os olhos ao céu” como sinal de Sua dependência de Seu Pai celestial e suspira. Ele se comove com a condição física desse homem, o mundo caído em que Ele entrou e a necessidade desesperada dos pecadores. Deus nos ama em nossa condição humana a ponto de enviar Seu Filho amado até a devastação de nossa natureza caída para abrir nossos ouvidos para ouvir a verdade do evangelho e abrir nossas vozes para glorificar Seu nome.

Com toda a atenção, Jesus profere uma palavra: “Efatá!, que quer dizer: Abre-te!” (v. 34). O que Jesus faz é tão imediato que esta é a primeira palavra que este homem ouviu. Há uma restauração completa e um milagre divino acontece, sua audição é totalmente restaurada e ele é capaz de falar instantaneamente. E embora Jesus o avisasse para não contar a ninguém o que havia acontecido com ele, o homem não pôde deixar de proclamá-lo por toda parte.

Que Deus compassivo nós temos. Por meio do evangelho, nosso Senhor Jesus Cristo soberanamente abriu nossos ouvidos para ouvir Sua voz dizendo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28).


Este artigo foi publicado originalmente na Tabletalk Magazine.

Dustin W. Benge
Dustin W. Benge
Dr. Dustin W. Benge é professor de Espiritualidade Bíblica e Teologia Histórica no Southern Baptist Theological Seminary em Louisville, Kentucky. Ele é autor de vários livros, entre eles The American Puritans [Os puritanos dos Estados Unidos] e The Loveliest Place [O lugar mais belo].