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Humildade durante o conflito

Nota do editor: Este é o décimo de 15 capítulos da série da revista Tabletalk: Conflito na igreja.

Nosso maior inimigo no conflito não são nossos oponentes; são nossos próprios egos. Desacordos sobre políticas, decisões de liderança ou mesmo sobre pontos doutrinários ou práticos rapidamente se tornam pessoais. Com muita facilidade, nos ofendemos, mesmo quando não há ofensa. Desconsiderações imaginadas nos levam a impugnar os motivos. Os sentimentos feridos nos tentam a dar o melhor que recebemos e, logo, depois de trocarmos golpes verbais e nutrirmos ressentimentos cada vez mais profundos, o que começou como uma diferença legítima de opinião torna-se uma causa quase insuperável de divisão. E o poço envenenado do qual toda essa luta desnecessária foi extraída é o pecado do orgulho.

Ao expor esse padrão, não estamos sugerindo evitar todo conflito como solução. Infelizmente, discordâncias às vezes são necessárias. Quando a controvérsia acontece e é tratada adequadamente por amor à verdade, ela honra a Deus. Mas os mais inclinados a se ofender devem ser os últimos a entrar na briga. Os exaltados raramente prevalecem em um conflito sem deixar um rastro de baixas para trás.

Lembremo-nos de que o Senhor Jesus sempre se envolveu em conflitos. Ao longo de Seu ministério público, foi um polemista público, sempre contestado pelo sistema religioso imperante. E é importante ver que Ele não se esquivou desse conflito. Não foi relutante em defender a verdade. Respondeu a perguntas, às vezes virando o jogo contra aqueles que procuravam prendê-lo, usou o humor para enfatizar Seu ponto de vista e estava disposto a tomar as posições necessárias, embora soubesse que isso apenas provocaria mais indignação. Mas o que é notável sobre a abordagem de Jesus a tal controvérsia é o quão equilibrado e controlado Ele sempre foi ao longo de tudo. Seus oponentes nunca conseguiram irritá-lo. Ele nunca perdeu o controle. Nunca ouvimos em Suas respostas cuidadosas qualquer um dos venenos habituais que irrompem de nossos próprios egos feridos.

Em Romanos 12:14-21, Paulo nos ensina como enfrentar os conflitos. Mas ele poderia facilmente estar descrevendo Cristo, o controverso. Leia cada cláusula da exortação de Paulo. Não encontramos nela uma representação de Jesus? O que devemos aprender a fazer, Ele sempre fez:

Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos. Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

A bondade, não vingança; a busca da paz na medida em que depende de nós; estar disposto a se associar com pessoas de posição inferior em vez de buscar aplausos e elogios dos outros: isso é humildade em ação. Foi isso que Jesus fez, e assim fornece um manual prático para o cristão sempre que surge um conflito.

Aqui é importante notar que Paulo repete um princípio central da conduta cristã em meio ao conflito, embora de forma ligeiramente diferente, três vezes nesta passagem: devemos abençoar aqueles que nos perseguem (v. 14); não devemos tornar a ninguém mal por mal (v. 17); não devemos ser vencidos pelo mal, mas vencer o mal com o bem (v. 21). Isso, vamos admitir francamente, é mais fácil dizer do que fazer. Mas o versículo 17 ajuda. Paulo nos chama para fazer o que raramente nos lembramos de fazer no calor do conflito. Em vez de retribuir o mal com o mal, devemos “esforçar-nos por fazer o bem perante todos os homens”. Em outras palavras, a humildade em meio ao conflito requer propósito e cuidado. Precisamos planejar com antecedência ao entrarmos naquela reunião difícil ou nos envolvermos com aquela personalidade contrária e nos perguntar: “Qual é a maneira honrosa de ser, falar, pensar e agir nesta situação?”. A humildade nunca acontece do nada. É preciso reflexão, trabalho e determinação.

Somos chamados a não fazer nada “por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” e não ter “em vista o que é propriamente [nosso], senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2:3-4). Este é o “sentimento” que devemos ter entre nós, que houve também somente “em Cristo Jesus” (v. 5). Nós recebemos isso dEle. Portanto, ao buscarmos a humildade no conflito, acima de tudo, olhemos para Cristo.


Este artigo foi publicado originalmente na Tabletalk Magazine.

David Strain
David Strain
El Dr. David Strain es el ministro principal de la First Presbyterian Church en Jackson, Mississippi, y el presidente del consejo de Christian Witness to Israel (North America) [Testigos cristianos a Israel (Norteamérica)].