Por que a Sexta-feira Santa é chamada de “Santa”?

junho 12, 2026

O amor inseparável de Deus

junho 17, 2026

Por que a Sexta-feira Santa é chamada de “Santa”?

junho 12, 2026

O amor inseparável de Deus

junho 17, 2026

O amor inseparável de Deus

A constância e lealdade da bondade amorosa de Deus é demonstrada em sua capacidade de perseverar através de todos os tipos de obstáculos e provações. A expressão máxima desse amor leal vemos no ensinamento de Paulo em Romanos 8:

Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8:31-39).

Nesta passagem, o apóstolo expõe o princípio que cativou os reformadores do século XVI: Deus pro nobis, que significa simplesmente “Deus está a nosso favor”. A fonte do conforto cristão não é que estamos a favor de Deus ou que estamos do Seu lado. Pelo contrário, é que Deus está a nosso favor e está do nosso lado. Saber que Deus está a nosso favor é saber que ninguém e nada poderá prevalecer contra nós. A pergunta de Paulo é claramente retórica: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” A resposta é óbvia: ninguém. Claro, isso não significa que o cristão não terá inimigos. Pelo contrário, estaremos cercados por inimigos. Multidões se voltarão contra nós. Contudo, esses inimigos numerosos não têm chance de nos destruir quando Deus se uniu a nós. Somos como Eliseu em Dotã, cercados por anjos invisíveis que lutam por nós como o exército celestial.

A fonte do conforto cristão é: Deus está a nosso favor e está do nosso lado.

O que nossos inimigos nunca podem fazer, especificamente, é nos separar do amor de Cristo. Uma “separação” significa um tipo de divisão. Vemos isso com frequência como um passo de teste nos casamentos a caminho do divórcio. A separação precede o divórcio e muitas vezes é o prenúncio dele. Porém no casamento de Cristo e Sua noiva, não há divórcio nem separação. O “amor de Cristo” de que Paulo comenta não é o nosso amor por Ele, mas o Seu amor por nós.

Paulo aponta para o Senhor que ressuscitou e ascendeu, quem está sentado à destra de Deus e atua como nosso intercessor, nosso grande Sumo Sacerdote. É do Seu amor e do Seu cuidado que não podemos ser separados. Paulo lista coisas específicas que ameaçam nossa segurança neste amor. Ele fala de tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada.

Esta lista não é de forma alguma completa, mas chama a atenção para várias coisas que podem nos fazer desmaiar ou duvidar do amor de Cristo por nós. Quando sofremos perseguição ou as consequências de uma fome, podemos ser inclinados a temer que Cristo nos abandonou. Mas Paulo vê essas coisas perigosas como aqueles sofrimentos que acompanham nosso discipulado a Cristo. Ele cita o Salmo 44: 

Por amor de ti, somos entregues à morte continuamente,   somos considerados como ovelhas para o matadouro (Sl 44:22).

Mesmo que sejamos sujeitos ao martírio, tal sofrimento não pode separar o amor que Cristo tem por nós. Em todas essas circunstâncias temos vitória por causa do amor de Cristo.

Paulo declara que em todas essas coisas “somos mais que vencedores.” A frase “mais que vencedores” traduz uma única palavra em grego, que pode ser transliterada como hypernikon. A raiz da palavra se refere ao conceito de conquista (como é sugerido por nossos mísseis Nike ou tênis esportivos). O prefixo “hiper” intensifica a raiz. A ideia de Paulo é que, por causa do amor de Cristo, não somos apenas conquistadores diante de toda adversidade, mas alcançamos o nível supremo de conquista, o auge da vitória nEle.

O equivalente latino do grego hypernikon é o termo supervincimus. Isso indica que em Cristo não somos apenas conquistadores, e sim superconquistadores.

É importante notar que este ápice de vitória é alcançado através dEle. Não é alcançado sem Ele ou separado dEle. E “dEle” de quem Paulo fala aqui é definido e identificado como “daquele que nos amou.”

Em seguida, Paulo apresenta outra lista de coisas que, segundo ele, não têm o poder de nos separar do amor de Cristo. Nessa lista estão incluídos morte, vida, anjos, principados, poderes, coisas do presente, do porvir, altura, profundidade e qualquer outra criatura.

Mais uma vez, a lista que Paulo apresenta não é completa, mas ilustrativa. Ele usa hipérbole para comunicar uma verdade. Nem mesmo os anjos têm o poder de nos separar do amor de Deus em Cristo. Não há perigo claro e presente nem ameaça futura que tenha o poder de nos separar dEle. As forças da natureza, as forças do governo, as forças do inferno, todas  elas carecem da capacidade de nos separar de Cristo. Diante do amor de Deus em Cristo, esses poderes criados são expostos como impotentes.

É importante ver que este amor inseparável de que Paulo fala em Romanos 8 é especificamente direcionado aos eleitos de Deus. São os eleitos que desfrutam da garantia deste amor inseparável. Esta abordagem sobre o amor inseparável de Deus em Cristo ocorre no contexto da eleição. Quando Paulo declara que Deus é por nós, o “nós” se refere aos eleitos. Paulo pergunta retoricamente: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8:33).

O “amor de Cristo” de que Paulo comenta não é o nosso amor por Ele, mas o Seu amor por nós.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

R.C. Sproul

R.C. Sproul

O Dr. R.C. Sproul foi fundador do Ministério Ligonier, primeiro pastor de pregação e ensino da Saint Andrew's Chapel em Sanford, Flórida, e primeiro presidente da Reformation Bible College. Seu programa de rádio, Renewing Your Mind, ainda se transmite diariamente em centenas de estações de rádio ao redor do mundo e também pode ser ouvido online. Ele escreveu mais de cem livros, entre eles A Santidade de Deus, Eleitos de Deus, Somos todos teólogos e Surpreendido pelo sofrimento. Ele foi reconhecido em todo o mundo por sua defesa clara e convincente da inerrância das Escrituras e por declarar a necessidade que o povo de Deus tem em permanecer com convicção em Sua Palavra.