Difamação | O fim do nosso vício em difamar
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O fim do nosso vício em difamar

Nota do Editor: Este é o décimo sétimo de 19 capítulos da série da revista Tabletalk: Palavras e frases bíblicas mal compreendidas.

Um amigo próximo na escola foi acusado de furto em uma loja. Nenhuma acusação oficial foi feita, mas rumores espalharam as acusações informais por toda a pequena cidade. Apesar de suas negações, a difamação dos moradores o considerou culpado. Vários meses depois, o verdadeiro perpetrador foi discretamente exposto. Nenhuma desculpa, particular ou pública, foi feita pelas falsas acusações. A maior parte da comunidade continuou a pensar que meu amigo era culpado, embora sua inocência tivesse sido provada.

Há advertências em toda a Bíblia sobre os pecados e os perigos da calúnia e da difamação. Estes não são pecados insignificantes. Paulo escreve poderosamente sobre a depravação da humanidade em Rm 1:28-31:

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia.

No meio da fala sobre maldade, assassinato, crueldade e ódio a Deus, Paulo fala de calúnia e difamação. Esses dois atos maliciosos não são considerados infrações menores aos olhos de Deus. No entanto, a calúnia, e em particular a difamação, é livremente praticada todos os dias, como se tivéssemos licença para fazer tal mal.

Então, o que é calúnia e como é diferente da difamação? Calúnia é uma declaração falsa que prejudica a reputação de uma pessoa. Difamação é conversa inútil que pode ou não ser verdade. Às vezes, desculpamos nossa difamação alegando que estamos apenas repetindo o que sabemos ser verdade. Difamação é compartilhar informações que não devem ser compartilhadas. Pode ser uma informação que consideramos sensacional, mas não é benéfica para as pessoas envolvidas. A palavra grega traduzida por difamação significa “sussurro”. Sussurramos quando difamamos, porque as informações que compartilhamos sobre outra pessoa podem ser íntimas, profundamente pessoais ou ofensivas. Em geral, a difamação é uma notícia que não gostaríamos que fosse compartilhada se fosse sobre nós.

A difamação é um meio de derrubar os outros enquanto nos exaltamos. Fazemos uso de difamações “verdadeiras” para denegrir pessoas de quem não gostamos: “Veja, disse a você que tipo de pessoa ele é”. Fazemos uso da difamação para justificar nossas próprias posições: “Veja, isso valida o que eu disse a você.” Fazemos uso da difamação para sermos a fonte irrefutável de informações importantes. Queremos ser os primeiros a ter a distinção de anunciar as últimas novidades ao nosso grupo de amigos. Independentemente de nossa interpretação, Deus classifica isso como um pecado terrível, listado com o que consideramos o pior dos males. Sou grato que os editores do Tabletalk me pediram para escrever sobre este assunto, porque meu estudo me lembrou de minha própria culpa em ceder frequentemente a esta arte obscura na qual minha língua serve a propósitos satânicos.

Como, então, nos guardamos desse pecado insidioso? O que devemos fazer quando ouvimos difamações? O que devemos fazer para evitar que nos tornemos um canal de difamação?

Devemos primeiro procurar saber a veracidade do que ouvimos. Se não é verdade e nós o repetimos, então nosso pecado é multiplicado em calúnia. Se for verdade, podemos nos tornar um canal de graça para a pessoa que pecou ou um canal de conforto para a pessoa que foi prejudicada. Se a difamação não for verdadeira, devemos falar com a pessoa que nos comunicou a mentira. O propósito de buscar a verdade nunca deve ser para que você possa transmitir a difamação com a consciência tranquila.

Em segundo lugar, devemos nos perguntar: “Nossa fala é uma bênção para o mundo ao nosso redor? Nossas palavras promovem consolo, cura e paz?”. O escritor de Provérbios expressou: “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo” (16:24). O Espírito Santo deve encher nossos discursos diários com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade e gentileza, não com difamação. Isso significa fazer a nós mesmos várias perguntas importantes antes de falarmos. Que bem será alcançado com as informações que estou prestes a compartilhar? Esta informação é melhor mantida em sigilo? Como o compartilhamento dessas informações reflete em minha própria integridade?

Depois de escrever estas palavras, sinto-me tentado a dizer: “Farei apenas um voto monástico de silêncio”. Mas tal voto me impediria de falar palavras de ajuda, conforto, cura e advertência, sim, palavras de advertência às vezes são uma resposta necessária e sagrada. Grande dano tem sido causado por cristãos bem-intencionados quando retêm informações necessárias em situações cruciais. Precisavam falar a verdade com amor para ajudar pessoas responsáveis a tomar decisões corretas. Mas não querendo compartilhar informações negativas, ficaram em silêncio. Às vezes somos chamados a fazer uma avaliação de um grupo ou indivíduo. Decisões importantes serão baseadas em nosso testemunho solicitado. Tais avaliações não são difamações. Deixar de falar a verdade nessas situações pode ter efeitos devastadores.

Caro leitor, controlar nossas conversas não é algo fácil. Devemos memorizar estas palavras de Tiago:

Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus (3:7–9).

A difamação é uma tentação diária e só é conquistada por meio de uma intenção constante e focada, capacitada pelo Espírito Santo. Seremos muito ajudados se pegarmos nossa difamação e a dissermos a Jesus em oração. Quando contamos nossas difamações a Jesus, é provável que o ouçamos perguntar: “Vocês não praticam exatamente as mesmas coisas?” (veja Rm 2:1).

Este artigo foi publicado originalmente na Tabletalk Magazine.

John P. Sartelle
John P. Sartelle
El Rev. John P. Sartelle es el ministro principal de Christ Presbyterian Church (PCA) en Oakland, Tennessee. Es el autor de What Christian Parents Should Know about Infant Baptism [Lo que los padres cristianos deben saber sobre el bautismo infantil].