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Quem foi Amy Carmichael?

Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.

Era março de 1901. Uma menina indiana de sete anos chamada Preena escapou de um templo hindu onde havia sido abandonada por sua mãe como “devoção aos deuses”. (Ela serviria como prostituta no templo pelo resto da vida). Não foi a primeira vez que ela fugiu do templo. Na primeira vez, Preena esperava que sua mãe a resgatasse. Infelizmente, sua mãe a abandonou outra vez e as mulheres do templo puniram a deserção de Preena com ferros em brasa nas mãos. Talvez isso fizesse com que sua mãe visse seu desespero e a mantivesse. Em sua segunda fuga, Preena vagou por um grande corpo de água e chegou no escuro a uma igreja na vila de Pannaivilai: se esperava que essa igreja fosse diferente da “igreja” em que ela estava vivendo. A mãe dela era próxima? Será que a mãe dela ficaria com ela dessa vez? Providencialmente, sim. No dia seguinte, ela abraçou e beijou sua “Amma” (“Mãe” em tâmil). Porém não era sua mãe biológica. Era uma mulher irlandesa de trinta e quatro anos. O nome dela era Amy Carmichael (1867-1951).

Naquela época, Carmichael já estava na Índia há seis anos. Quando ela deixou a Irlanda e foi para a Índia em 1895, ela nunca mais viu sua casa. Ela estava determinada a proclamar o evangelho aos povos não alcançados. Cresceu em uma família presbiteriana irlandesa piedosa, Carmichael amava a Cristo desde cedo e começou a ensinar a Bíblia para meninas pobres em Belfast. Sua introdução à Hudson Taylor por meio de seu envolvimento com a Convenção de Keswick aumentou sua determinação em ganhar almas e a levou ao trabalho missionário primeiro no Japão e depois na Índia. No entanto, anos mais tarde seu encontro inesperado com Preena remodelou a maneira como ela realizaria seus trabalhos missionários, da itinerância para estar em um só lugar.

Carmichael aprendeu com Preena sobre o lado horrível da casta indiana e do sistema de culto hindu, o que acabou impondo a Carmichael um peso insuportável de libertar o maior número de crianças possível de tais armadilhas. O amor de Carmichael por Deus, que sempre impulsionou seu fervor evangelístico, agora estava bastante direcionado para uma única e fervorosa obsessão em resgatar, preservar, educar e discipular crianças desamparadas, especialmente crianças do templo. Seus relatos brutalmente honestos sobre as realidades da vida de crianças nessas condições nem sempre eram bem recebidos pelos cristãos em casa, mas Carmichael estava convencida de que era necessário. Aos poucos, Carmichael e seus companheiros começaram o desagradável processo de descobrir as realidades malignas do tráfico, como as “fontes secretas do tráfico de corpos e almas de crianças [que] foram descobertas à medida que nos aprofundávamos na vida subterrânea daquela terra e nos deparávamos com coisas que eram odiosas até mesmo de saber”. 1 Como ela poderia continuar viajando para ensinar e evangelizar quando tantas crianças estavam em perigo? Sua vocação, segundo ela mesma entendia, havia lhe sido entregue sem que ela buscasse. “O compromisso com as crianças, que Amy assumiu em 1904, não era uma alternativa à sua paixão por levar todas as faixas etárias a Cristo. Era uma parte muito importante disso.” 2

Com a ajuda de seus companheiros missionários (entre eles o Sr. e a Sra. Thomas Walker), ela começou a abrigar crianças na Dohnavur Fellowship (perto do sul da Índia), o que se tornaria a marca registrada de seu trabalho missionário. Em 1904, havia mais de trinta pessoas na família de Amma em Dohnavur. Em 1907, mais de setenta. Em 1913, mais de 130. Em 1918, a família aumentou e passou a incluir um lar para meninos. De fato, apenas Deus sabe de forma exata quantas crianças Dohnavur abrigou, ensinou e, literalmente, salvou de uma vida de miséria.

A vida em Dohnavur era caracterizada por amor, risos, trabalho duro, diversão e, o mais importante para Carmichael, uma sólida educação cristã. Os dois livros de Deus — as Escrituras e a natureza — eram o fundamento e o teto. Carmichael cuidava das diversas necessidades do corpo e da alma. Ela era fervorosa na oração e esperava grandes coisas do Senhor; não via falta de necessidades atendidas por providências extraordinárias. Na verdade, ela nunca pediu apoio financeiro.

O sul da Índia ainda reflete, de várias formas, o legado de Carmichael e de seu trabalho. Centenas de bebês abandonados e crianças exploradas foram resgatados da prostituição do templo. Pessoas se converteram. Foram fundadas igrejas. Foi feita a administração de batismos. Todos, em grande parte, conectados de alguma forma com os trabalhos incansáveis de Amy Carmichael.

Infelizmente, Amy sofreu uma queda em 1931, o que a deixou imobilizada e praticamente de cama pelos últimos vinte anos de sua extraordinária vida. Entretanto, na providência de Deus sua imobilização foi talvez a única maneira pela qual ela teria sido capaz e estaria disposta a escrever os vários livros que ainda são amados hoje. Um desses livros, If [Se], oferece suas reflexões sobre o amor na vida cristã. Nele, ela escreve: “Se eu não tiver compaixão do meu semelhante, assim como meu Senhor teve misericórdia de mim, então nada sei sobre o amor do Calvário”. 3 Amy Carmichael entendeu profundamente como o amor de Cristo anima uma vida de fé e obediência. Sua vida e ministério nos questionam: amamos a Cristo o suficiente para abandonar os confortos desta vida? Além disso, a vida de Amy claramente vira o velho ditado de cabeça para baixo. Aqui estava uma querida irmã que tinha uma mentalidade tão celestial que realizou um bem terreno extraordinário.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Aaron L. Garriott
Aaron L. Garriott
Aaron L. Garriott é editor sênior da Tabletalk Magazine, professor adjunto residente no Reformation Bible College em Sanford, Flórida, e graduado pelo Reformed Theological Seminary em Orlando, Flórida.