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Quem foi John Geddie?

Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Biografias de Missionários.

John Geddie (1815-1872), um pastor e missionário presbiteriano canadense que nasceu na Escócia, ficou conhecido como “o pai das missões presbiterianas nos Mares do Sul”. Durante vinte e quatro anos, ele e sua esposa, Charlotte, proclamaram Cristo com fidelidade, traduziram as Escrituras e plantaram igrejas nas ilhas Novas Hébridas (hoje Vanuatu).

Quando John ficou bastante doente quando recém-nascido, seus pais prometeram ao Senhor que o dedicariam a missões se Ele poupasse a sua vida. Embora nunca lhe tenham contado sobre o voto, a leitura de publicações missionárias se tornou parte constante de sua educação depois que eles imigraram para Pictou, Nova Escócia, em 1816.

O jovem John foi criado no método tradicional presbiteriano escocês de instrução na Bíblia e no catecismo. Embora as crianças Geddie possuíssem “disposições amigáveis”, John foi descrito como tendo um “espírito muito firme, beirando, pode-se dizer, a obstinação. Quando alguém ia contra sua vontade, era difícil vencê-lo.” O Senhor utilizou essa persistência para sustentar a ele e sua família no difícil chamado que estava por vir.

Em 1834, aos dezenove anos, Geddie professou fé em Cristo, e seu conhecimento de longa data de histórias missionárias amadureceu em uma paixão por missões estrangeiras. Durante seus estudos teológicos, ele passou por um longo período de problemas de saúde, durante o qual, assim como seus pais, prometeu que, se o Senhor o restaurasse à saúde plena, ele levaria a mensagem de salvação a terras estrangeiras. O Senhor respondeu a essa oração. Ele foi licenciado pelo Presbitério de Pictou em 1837, ordenado em 1838, casado em 1839 e, com total apoio financeiro e espiritual do Presbitério da Ilha do Príncipe Eduardo, John e Charlotte Geddie partiram para a Nova Caledônia, no Pacífico Sul, em 31 de janeiro de 1847.

Em 17 de outubro de 1847, chegaram a Samoa, para surpresa da liderança missionária da área, que não sabia de sua chegada. Os Geddies de imediato descobriram que seu destino, a Nova Caledônia, era considerado muito perigoso para o trabalho missionário. Durante os meses em Samoa, as Novas Hébridas foram escolhidas como o novo grupo de ilhas alvo (situado a leste da Nova Caledônia), com os Geddies selecionando Aneiteum (a ilha mais ao sul dessa cadeia) como seu novo lar. Após dezoito meses de viagem, os Geddies finalmente chegaram ao destino permanente de sua missão em 31 de julho de 1848.

Logo descobriram a profundidade da depravação das pessoas às quais foram enviados. As mulheres eram consideradas escravas do marido (na verdade, as palavras “esposa”, “serva” e “escrava” eram intercambiáveis). O trabalho árduo era responsabilidade da esposa e a taxa de suicídio era alta. Às vezes, bebês do sexo feminino eram mortos. Quando um marido morria, a esposa era, em seguida, estrangulada para que seu espírito acompanhasse o espírito do marido até “a terra das trevas”. Além disso, qualquer criança que fosse pequena demais para cuidar de si mesma também era estrangulada. Se um filho tivesse idade suficiente, era seu trabalho estrangular a própria mãe após a morte do pai. O canibalismo também era comum e comer cadáveres de adversários caídos era considerado parte dos despojos da vitória.

Geddie resumiu a condição espiritual deles em um diário:

A falsidade é mais comum que a verdade… os pais ensinam seus filhos a roubar e depois os aplaudem por sua destreza se tiverem sucesso. A licenciosidade é um pecado avassalador… A vingança é considerada um dever sagrado… e em geral, não têm uma palavra para perdão em sua língua… Quão imenso é o abismo que existe entre o paganismo e a religião do evangelho!

Entretanto, apesar dos desafios, também descobriram que os professores cristãos nativos da região (normalmente samoanos) sofriam menos preconceito do que os estrangeiros e muitas vezes conseguiam estabelecer relações com os moradores. Este ministério educacional abriu as portas para que missionários pregassem, ensinassem, discipulassem e plantassem igrejas. Eles não hesitavam em nomear as práticas perversas pelo que de fato eram: perversas. O evangelho começou a mudar as pessoas de forma constante. Em abril de 1857, a prática de estrangulamento foi quase erradicada, e 1.400 pessoas se reuniam sob liderança local para adoração e comunhão em várias igrejas jovens por toda a ilha. Outros novos crentes estavam sendo enviados como professores missionários para ilhas próximas à medida que o trabalho se expandia para o norte. Ao longo desses anos, seis novos missionários da Igreja da Nova Escócia se juntaram aos Geddies em seu ministério.

Apesar do fruto espiritual, o trabalho não foi isento de grandes dificuldades. No auge da obra, em dezembro de 1860, uma epidemia de sarampo, seguida por disenteria, ceifou a vida de milhares em todo o conjunto de ilhas. Pouco tempo depois, o novo prédio da igreja foi incendiado intencionalmente, seguido uma semana depois por um furacão que destruiu estruturas e plantações. Contudo, em novembro de 1861, a igreja foi reconstruída, com 1.200 pessoas presentes quando foi reaberta. A classe de novos membros da igreja tinha novas pessoas a cada semana.

Ao longo dos anos seguintes, as dificuldades e tragédias tiveram um efeito desgastante sobre os Geddies. Dos oito missionários que serviam com eles da Nova Escócia, cinco morreram. Dos seus oito filhos, apenas cinco sobreviveram até a idade adulta (alguns dos seus filhos foram enviados para Samoa e outros lugares por segurança e educação). O clima rigoroso, as ameaças constantes, a reconstrução perpétua e a reação negativa das ilhas em relação aos missionários (falsamente culpados pelo surto de sarampo) deixaram os Geddies “arrasados”. Embora sua fé tenha prevalecido, a saúde de John Geddie não. Depois que uma paralisia grave o deixou quase sem conseguir andar, o ato ministerial final do “fundador das Missões das Novas Hébridas” foi ordenar um ex-baleeiro bêbado, agora redimido e renovado há muito tempo, ao cargo de presbítero governante. Em 14 de dezembro de 1872, John e Charlotte foram levados para a Austrália, onde ele faleceu mais tarde naquele ano, aos cinquenta e oito anos.

De volta à ilha, uma placa foi colocada atrás do púlpito de sua igreja em Anelcauhat que dizia: “… Quando ele chegou em 1848, aqui não havia cristãos e quando ele partiu em 1872, não havia pagãos.”

Vemos na vida e no ministério de John Geddie que, nas mãos do Espírito Santo, o uso fiel dos meios ordinários da graça, mesmo em locais extraordinários, é suficiente para produzir frutos eternos na colheita de almas, edificar a igreja e mudar comunidades. Em segundo lugar, por meio do exemplo de Geddie de iniciar “sociedades missionárias” em cada uma das igrejas do presbitério da Nova Escócia, aliado à convicção de que a igreja local poderia e deveria assumir a responsabilidade pelas missões mundiais, levou a um envolvimento muito mais expressivo e eficaz da igreja em orar, enviar, ir e contribuir. Terceiro, a determinação pode ser usada nas mãos do Senhor para prosseguir e realizar grandes coisas. Por fim, aprendemos que um chamado para missões estrangeiras também é, muitas vezes, um chamado para o sofrimento. Os custos espirituais, físicos e emocionais costumam ser altos. A igreja precisa ser particularmente fiel em orar e cuidar desses santos que se sacrificam tanto, agora e no passado, para levar a mensagem de salvação ao mundo.


Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

Craig Sheppard
Craig Sheppard
O Dr. Craig Sheppard é o diretor executivo do Center for Reformed Theology em Jacarta, Indonésia, e professor assistente de missões e membro sênior de Teologia Sistemática no Reformed Theological Seminary.