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Nota do Editor: Este artigo faz parte da coleção Os fundamentos do discipulado cristão.
Imagine um homem se afogando em um mar tempestuoso, que recebe uma boia salva-vidas. Em seu desespero, ele se lança sobre a boia lançada a ele, agarra-se a ela com todas as forças e se encaixa dentro dela. Por fim, ele começa a flutuar sobre as ondas assustadoras. Mesmo ainda com medo e dúvidas, ele está preocupado com a possibilidade de que a boia salva-vidas de alguma forma falhe, e ele seja engolido pelas profundezas. Imagine que ele percebe que há um pequeno livro à prova d’água amarrado à boia. O homem ansioso – apesar das circunstâncias – começa a ler e descobre que o livro engrandece as qualidades de sua boia salva-vidas. Ele lê informações sobre os materiais usados em sua fabricação, as características de seu desenho e sua impressionante capacidade de flutuação e confiabilidade. Ele lê que ela foi testada com rigor, que aguentou grandes pesos em mares violentos, e que ninguém que a segurou morreu afogado. À medida que lê, sua confiança aumenta.
Ele ainda está em meio às tempestades do mar? Sim. Será que algumas grandes ondas ocasionais ainda lhe causam profunda preocupação? Sim. Ele está mais seguro e protegido agora? Não. Ele está tão seguro e protegido quanto quando agarrou a boia pela primeira vez, mas agora ele tem uma confiança maior em sua capacidade de mantê-lo seguro em todos os perigos e problemas que enfrenta, até ser finalmente salvo das águas e levado com segurança à terra.
Embora a ilustração tenha suas limitações, gostaria de propor alguns paralelos que ilustram o crescimento da fé. Quando um pecador confia em Jesus pela primeira vez, esse pecador foi salvo e agora encontra-se seguro. Ninguém e nada pode arrancá-lo das Suas mãos. Ele está o mais seguro possível. Mas ele pode não entender completamente sua segurança. Ele sabe o suficiente para se aproximar de Cristo, porém precisa conhecer mais do Cristo a quem se aproximou. Sua confiança só aumentará à medida que souber mais sobre o Salvador em quem confia. Como isso pode acontecer?
Em primeiro lugar, o crescimento espiritual ocorre por meio das Escrituras. Esse é o livro que não apenas torna o homem sábio para a salvação pela fé em Cristo, mas também torna o homem de Deus completo. Os cristãos sempre precisam do evangelho. Precisamos manter nossos olhos fixos em Cristo, considerar o Apóstolo e Sumo Sacerdote de nossa confissão, Cristo Jesus (Hb 3:1). Observe como contra todas as armadilhas e tristezas da vida cristã, todas as distrações e enganos do falso ensino, os apóstolos colocaram Cristo e Ele crucificado diante dos olhos do povo de Deus para o crescimento de sua fé. Ao estudar Cristo nas Escrituras, estamos olhando para Jesus, o Autor e Consumador de nossa fé, e assim nossa fé cresce.
Uma segunda maneira de crescer na fé é orando a Deus para que Seu Espírito opere mais fé. Ele é quem dá a fé, e por isso, é Ele quem a fortalece. Os discípulos oraram: “Aumenta-nos a fé!” (Lc 17:5). Um pai perturbado gritou: “Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!” (Mc 9:24). Tais orações nos lembram que a verdadeira fé pode ser mais fraca ou mais forte e nos mostram que uma das maneiras pelas quais a fé aumenta é pedindo-a. Em resposta, Cristo nos mostra mais de Si mesmo. Talvez não tenhamos, porque não pedimos (Tg 4:2)?
Outra maneira preciosa de aumentar a fé é a comunhão com os santos. O mundo minará nossa fé e Satanás a atacará, para nos afastar de Cristo, nos distrair da verdade e exigir nossa atenção para outras coisas. Uma maneira maravilhosa de neutralizar isso é passar tempo com o povo de Deus, falando sobre o que pertence ao reino (Ml 3:16-18). Em tal comunhão com os santos, nosso senso das coisas celestiais é revigorado e restaurado, e recebemos palavras de confortos (1 Ts 4:18, 5:11).
Isso nos conduz à experiência — tanto a nossa quanto a dos outros. A leitura de nossas Bíblias nos mostra como a fé do povo de Deus aumenta por meio de provações. Abraão, o pai dos fiéis, teve tanto provas quanto triunfos de fé (Rm 4:20). Os salmistas se fortaleceram por se lembrarem das obras passadas de Deus. É valioso ler e ouvir outros crentes, do passado e do presente, sobre como o Senhor os sustentou e ajudou. Considere que cada onda que não nos afunda prova novamente a solidez da Rocha em que estamos, a eficácia do nosso grandioso Preservador.
Não é apenas a nossa fé que nos salva. Existe o perigo de confiar na força de nossa fé, em vez de confiar no próprio Senhor. É Cristo quem nos salva pela fé. Cristo é o homem forte a quem nossa fé se apega; é Ele em quem depositamos nossa confiança, e Ele é quem nos salva. Ao olharmos para Ele, nossa fé deve aumentar. Assim, nas palavras de Isaac Watts:
Se todos os poderes da morte,
e as forças do inferno desconhecido,
lançarem suas formas mais terríveis
de raiva e maldade contra mim,
estarei seguro, pois Cristo
exibe Seu poder superior
e Sua graça protetora.
Artigo publicado originalmente em Ligonier.org.

